Grupos religiosos na Internet tentam boicotar vacinação contra HPV

A vacinação contra o HPV entra no quarto dia, nesta quinta-feira (13), com uma grande polêmica. Nas redes sociais e em sites religiosos, católicos e evangélicos travam um grande debate e, em alguns casos, chegam a orientar os fiéis a não permitirem que as filhas recebam a dose contra o câncer de colo de útero.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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Meninas são vacinadas contra o HPV em São José

Meninas são vacinadas contra o HPV nas escolas de São José dos Campos

Charles Moura/PMSJC

A vacinação contra o HPV entra no quarto dia, nesta quinta-feira (13), com uma grande polêmica. Nas redes sociais e em sites religiosos, católicos e evangélicos travam um grande debate e, em alguns casos, chegam a orientar os fiéis a não permitirem que as filhas recebam a dose contra o câncer de colo de útero.

Desde segunda-feira (10), grupos religiosos têm veiculado fotos e notícias contra a imunização. Entre as citações estão casos de esterilidade e até morte súbita, registrados no Japão e nos Estados Unidos, mas não confirmados oficialmente. Em alguns portais, os artigos garantem a castidade e a abstinência sexual como uma vacina 100% eficaz contra todos os tipos de vírus.

Procurados pelo Meon, tanto os líderes evangélicos, quanto a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), não tinham conhecimento da onda de comentários na Internet e devem se pronunciar oficialmente nesta quinta-feira.

No Ministério da Saúde, os técnicos também não tinham previsto este tipo de reação. Até o fechamento desta reportagem, a assessoria de imprensa do Governo Federal ainda não tinha um parecer oficial sobre o caso.

Ao todo, mais de 5 milhões de pré-adolescentes deverão ser imunizados contra o câncer de colo de útero até o começo de abril. No ano passado, 4,8 mil mulheres morreram no Brasil em decorrência da doença.

Saúde pública 
Na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, 46 mil meninas de 11 a 13 anos serão vacinadas até o dia 10 de abril. Na maioria das cidades a vacinação acontece nas escolas, e as mães que são contra podem se manifestar por meio de um termo de recusa.

Sobre a resistência por partes de grupos religiosos, a coordenadora da Vigilância Epidemiológica de São José dos Campos, Tereza Monteiro Ribeiro Cardoso, afirma que é preciso lembrar que a campanha não é uma questão religiosa, mas de saúde pública. “100% dos casos de câncer de colo de útero são causados pelo HPV e a vacina pode mudar essa realidade”, destaca.

Tereza ressalta que o procedimento é seguro e não possui efeitos colaterais. “As meninas tem que receber as doses entre 9 e 13 anos porque é quando produzem anticorpos e ainda não tiveram contato com o vírus. Caso contrário a eficácia cai bastante”, completa a pediatra.

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