Insônia, um problema das grandes cidades, chega ao interior
Não dormir direito deixou de ser um problema apenas da população dos grandes centros urbanos. Com o advento da internet, a conectividade tem formado um exército de pessoas dormindo mal também em cidades do interior.









Não dormir direito deixou de ser um problema apenas da população dos grandes centros urbanos. Com o advento da internet, a conectividade tem formado um exército de pessoas dormindo mal também em cidades do interior.
“Hoje, 100% das pessoas estão vulneráveis à conectividade. E, com certeza, seja pela televisão, pelo computador ou celular, é uma das coisas que impactam na qualidade do sono de todo o mundo”, avalia Alberto Remesar, psiquiatra especializado em distúrbios do sono em São José dos Campos.
Depois de mais de dez anos de trabalho e especialização junto à equipe do Instituto do Sono em São Paulo, o psiquiatra montou um consultório na cidade, onde atende pessoas com a temida insônia.
“O que tem que ficar claro é que insônia não é necessariamente uma doença em si. Na maioria das vezes é sintoma de outras doenças, como as doenças respiratórias. Mas existem casos da insônia patológica. No geral, muitas pessoas sofrem hoje deste mal, devido ao estresse, à conectividade ou por causa de outras doenças. Mas apenas depois de anos de sofrimento procuram ajuda médica”, conta Remesar.
O professor de Educação Física, Fernando Sanches, 44 anos, tem dificuldade para dormir desde a adolescência. “Hoje durmo de cinco a seis horas por noite. Tenho o sono muito leve. Na adolescência sofri muito com isso. Por sobrevivência, tive de superar esse problema”, conta.
Sem dormir direito e sem procurar tratamento, Sanches conta que chegou a ficar doente em razão da falta de sono. “Não sabia que podia fazer isso, me tratar, assim como não sabia que podia ficar deprimido por causa da insônia”, completa.
Para Remesar, casos como o de Sanches são graves. “Se a pessoa dorme menos de seis horas por noite está pré-disposta a ter mais doenças e, inclusive, a viver menos”, explica.
Dicas
A insônia, seja um sintoma ou um caso crônico, tem tratamento. Alguns deles baseados na mudança de comportamento. “No começo, dependendo do estado do paciente, receitamos um medicamento para ajudar a dormir. Mas depois indico terapia e dou algumas dicas que geralmente já melhoram a qualidade do sono das pessoas”, diz o psiquiatra.
Abaixo, alguns conselhos para ajudar quem precisa dormir melhor:
Desconecte-se: Duas horas antes do seu horário de dormir, desligue a internet. Procure não assistir filmes ou programas de TV que demandem sua atenção no horário de deitar e nem ficar navegando do computador ou celular. A ideia é evitar estimular demais a mente e não conseguir desligar tão cedo.
Não durma no sofá: se você dormir na sala e depois acordar e for para cama, dificilmente vai conseguir dormir novamente tão cedo. Isso porque o sono intercalado causa ansiedade. Sua mente desperta e fica pensando que tem que voltar a dormir repetidas vezes. O melhor neste caso é ir para cama assim que o sono chegar.
Cama só com sono: Não vá se deitar para dormir sem sono. Isso aumenta muito a ansiedade e, geralmente, atrasa ainda mais a chegada do sono. Uma dica é relaxar, baixar ou desligar as luzes em um canto aconchegante da casa ou até mesmo ler algo. Crie uma rotina para dormir, com rituais. Isso ajuda ao sono chegar sempre na hora certa.
Mentalização: Uma forma de ajudar o sono a chegar é deitar, apagar as luzes, manter os olhos abertos e mentalizar a frase: “não quero dormir”, “não quero dormir”. Se você focar seu pensamento nisso e em mais nada, sem dispersar, o sono também vem.
Tratamento: Se você já tentou de tudo e continua com dificuldade para dormir, procure um especialista. Existem tratamentos com medicamento, terapias e exames que podem ajudar a descobrir o que te impede de dormir.
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