Nível dos reservatórios do Rio Paraíba do Sul cai 5% em 30 dias

O nível dos reservatórios na Bacia do Rio Paraíba do Sul caiu mais 5% nos últimos 30 dias. De acordo com o monitoramento realizado diariamente pela ANA (Agência Nacional de Águas), nesta segunda-feira (16), as represas da região operam com 31,3% da capacidade total.

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
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Represas da RMVale operam com 31,3% de sua capacidade total

Flávio Pereira/Meon

O nível dos reservatórios na Bacia do Rio Paraíba do Sul caiu mais 5% nos últimos 30 dias. De acordo com o monitoramento realizado diariamente pela ANA (Agência Nacional de Águas), nesta segunda-feira (16), as represas da região operam com 31,3% da capacidade total. Em 16 de maio, a média do nível dos reservatórios era de 36,7%.

Houve queda do total de água armazenado nas represas de Santa Branca, no Funil e especialmente em Paraibuna, maior represa da região. Já no reservatório do Jaguari, houve aumento de 1%, o nível subiu de 41,51% para 42,16%. De acordo com o relatório da ANA, o aumento ocorreu pois a represa teve sua vazão diminuída, de uma média normal de 17 metros cúbicos por segundo para 10 metros cúbicos por segundo.

No mesmo período, em 2013, a média do nível das represas do Paraíba do Sul era mais que a metade do que possui hoje, com reservas em 68,37% da capacidade total.

Crise
Segundo o geólogo e especialista em recursos hídricos, Edilson de Paula Andrade, que estuda desde 1991 o comportamento e os impactos na Bacia do Rio Paraíba do Sul, a falta de chuva deflagrou a crise hídrica de 2014, mas em 2015, se faltar gestão, a crise vai ser ainda maior.

“Este ano não vai faltar água na casa das pessoas, mas ano que vem, mesmo que chova todo o esperado para um verão normal, os reservatórios vão ter cerca de 35% em abril de 2015. E aí, se durante o calor não forem feitas campanhas para diminuir o consumo, vai  faltar água na região”, afirma Andrade.

O especialista explica que, normalmente, chove de abril a novembro, cerca de 20% do esperado para um ano. “A conta é simples. Se a gente perder 100 metros cúbicos por segundo da nossa reserva, até o meio de novembro de 2014, vamos chegar a um nível abaixo de 5%. Isso já considerando o que será reposto pelas chuvas até novembro, cerca de 15% do volume total. Não tem mais o que fazer, a não ser continuar diminuindo a vazão para o Rio de Janeiro, e pensar em estratégias para evitar o pior em 2015”, conclui.

Ceivap
Para tentar evitar que a crise hídrica se agrave, a ANA, por orientação do Ceivap (Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul), emitiu no começou de junho, a resolução 700/2014, que autoriza a diminuição na vazão do Rio Paraíba do Sul na barragem de Santa Cecília, em Barra do Piraí (RJ), de 190 metros cúbicos por segundo para 173 metros cúbicos por segundo.

Nesta segunda-feira (16), o Ceivap realiza uma conferência online entre os três Estados que compões a bacia-Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo-para avaliar se a medida tem dado efeito. “Vamos avaliar semanalmente o impacto da diminuição para o Rio de Janeiro até o dia 30 de junho. Se eles conseguirem captar a água mesmo com menos vazão, vamos continuar com a alteração para preservar a bacia”, detalha Tarcísio José Souza e Silva, secretário executivo do comitê.

Para Andrade, a ANA deve diminuir ainda mais a vazão até novembro. “Quando você tem a redução da vazão na barragem de Santa Cecília, é preciso fazer um monitoramento da estação de tratamento no Rio de Janeiro,  para ver até que ponto é possível pegar água sem tantos detritos de esgoto, que são jogados diretamente no rio Guandú. Enquanto der para baixar sem prejudicar este processo, a ANA e a Ceivap, vão baixar a vazão para tentar preservar os nossos reservatórios”, detalha o especialista, que também faz parte do grupo de operação dos reservatórios da Ceivap.

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