Pacientes com câncer esperam quatro meses por consulta em São José
Pacientes em tratamento contra o câncer aguardam pelo menos quatro meses por retorno com oncologistas no Hospital Pio 12, em São José dos Campos. Três dos quatro médicos especializados em cirurgia de pescoço e cabeça que atendiam os pacientes pelo SUS no hospital foram demitidos em fevereiro deste ano. De lá para cá, a fila por consultas só aumenta.


Faltam oncologistas especializados em cirurgi de pescoço e cabeça no Pio XII
Flávio Pereira/Meon
Pacientes em tratamento contra o câncer aguardam pelo menos quatro meses por retorno com oncologistas no Hospital Pio 12, em São José dos Campos. Três dos quatro médicos especializados em cirurgia de pescoço e cabeça que atendiam os pacientes pelo SUS no hospital foram demitidos em fevereiro deste ano. De lá para cá, a fila por consultas só aumenta.
“Mandaram os oncologistas embora e não contrataram outros. Agora, com apenas um médico, só temos vagas para dezembro ou fevereiro [de 2015], dependendo do médico que o paciente passava. As pessoas estão reclamando, só hoje foram oito. O médico que não foi demitido vem trabalhar uma vez por semana e só atende 10 pacientes. Não tem como agendar nada agora”, diz uma funcionária do hospital que pediu para não ser identificada.
Em São José dos Campos, o tratamento em pacientes adultos com câncer no pescoço e cabeça é centralizado no Pio 12, que recebe as verbas repassadas pelo Sistema Único de Saúde. Atualmente, cerca de 50 pessoas foram encaminhadas para atendimento no hospital.
José Paulo Bernardo, 57 anos, tem câncer na região da nuca e faz seu tratamento pelo SUS em São José dos Campos. Segundo seu genro, o pizzaiolo Ricardo Peneluppi, 30 anos, que acompanha o tratamento de Bernardo, faz quatro meses que as sessões de quimioterapia no Pio 12 acabaram e o paciente ainda não foi avaliado pelo oncologista do hospital.
“Se o tumor tivesse regredido, ele poderia operar. Se não, ia ter que continuar o tratamento. Mas desde fevereiro tento marcar o retorno e não consigo. Hoje a atendente disse que só tem agenda para fevereiro de 2015 porque faltam médicos. E se meu sogro morrer? Ele não está recebendo tratamento”, afirmou Peneluppi, na última sexta-feira (6), quando saia do Pio 12.
Para tentar resolver o caso, Peneluppi levou seu sogro até o Hospital Municipal, onde trabalha um oncologista que atendia no Pio 12. “Falei com o médico, que me disse que eu era o terceiro a procurá-lo no HM. Ele disse que não poderia ajudar porque o hospital não faz esse tipo de acompanhamento, mas que iria falar com a Secretaria de Saúde”, diz.
Peneluppi ainda procurou vereadores e a imprensa. Na última quinta-feira (12), depois que a reportagem do Meon começou a apurar o caso, a família de Bernardo foi procurada pela Secretaria Municipal de Saúde que marcou uma consulta para a próxima terça-feira (17).
A Lei Federal 12.732/2012, garante acesso ao tratamento inicial de câncer, seja para cirurgia ou quimioterapia e radioterapia, em no máximo 60 dias. Contudo, a legislação não discrimina o prazo máximo para atendimento na continuidade do tratamento, como acontece com Bernardo. “Ele já fez um ciclo de quimioterapia, agora precisamos saber no que resultou este tratamento”, conclui o genro.
Outro lado
Em nota, a Secretaria de Saúde de São José informou que a prefeitura foi informada que o hospital mudou sua direção recentemente e que fez algumas mudanças em sua equipe clínica. Mas apesar das mudanças, uma nova equipe de neurocirurgia já foi contratada. A prefeitura informa também que toda a demanda de pacientes do SUS encaminhada para o hospital será atendida.
A direção do Hospital Pio 12 foi procurada, mas até a edição da reportagem não se manifestou sobre o caso.
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