Rafic autoriza Saae a multar quem desperdiçar água em Cruzeiro
Em Cruzeiro, a população começou a sentir na pele os efeitos da crise hídrica. Desde a última segunda-feira (25), o Saee (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) opera em situação de alerta. Na terça-feira (26), o prefeito Rafic Zake Simão publicou um decreto que autoriza a operadora a cobrar multas de quem usar água para lavar calçadas, veículos ou quintais.


Rio Batedor antes e agora com a estiagem em Cruzeiro
Divulgação/Saae
Em Cruzeiro, a população começou a sentir na pele os efeitos da crise hídrica. Desde a última segunda-feira (25), o Saee (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) opera em situação de alerta. Na terça-feira (26), o prefeito Rafic Zake Simão publicou um decreto que autoriza a operadora a cobrar multas de quem usar água para lavar calçadas, veículos ou quintais.
Na cidade, já falta água em partes do dia nas torneiras dos bairros mais altos, como na região do Ana Rosa, Jardim América, Vila Brasil, Morro dos Ingleses, Vila Loyelo e Regina Célia. Nessas regiões, a população é atendida com caminhão-pipa.
De acordo com o Saae, a primeira medida adotada foi realizar uma campanha de conscientização. “Nossa equipe está nas ruas orientando a população, também distribuímos panfletos e estamos usando as rádios locais para falar da importância de economizar água neste momento”, explica o diretor do Saae de Cruzeiro, Maximiliano Rubez.
Em menos de uma semana, Rubez afirma ter conseguido a adesão da maior parte dos moradores de Cruzeiro. “Captamos 70% de água que abastece a cidade do complexo do Batedor e o restante da região do Rio do Braço. O Rio Batedor diminuiu dois metros do seu leito normal no último mês e a vazão caiu de 230 para 180 litros por segundo. Se não economizarmos ainda mais, poderemos entrar até outubro, quando deve voltar a chover, em estado de emergência e ficar sem água”, diz o diretor.
Soluções
Entre as soluções para o futuro, o Saae, junto com a Prefeitura de Cruzeiro, estuda a criação de um novo reservatório, com 1 milhão de metros cúbicos para garantir o abastecimento da cidade. “Também estudamos captar água do Rio Paraíba do Sul. Contudo, o que temos que fazer agora é economizar o máximo de água possível. Em poucos dias já conseguimos que a população economizasse algo em torno de 30 a 40 litros por segundo. Isso nos permite manter o serviço”, conclui Rubez.
Sobre multar quem desperdiçar água para limpar calçadas, carros ou quintais, Rubez diz que a medida só será necessária se for decretado estado de emergência.
Sem fundamento
Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Cruzeiro, Antônio Claret Soares, o decreto de Simão não tem fundamento jurídico e beira à inconstitucionalidade.
“Como você corta um gênero de primeira necessidade como a água? No decreto, o prefeito afirma que o Saae pode cortar a água das pessoas, como punição. E outra, como o Saae vai fiscalizar a água que cada um gasta no quintal? Ele colocou de uma forma que não tem como operacionalizar”, explica o advogado.
Soares não acredita que o Saae chegue a multar as pessoas e diz que o Ministério Público deveria acompanhar de perto este caso. “Isso é como proibir uma família de comer. O melhor seria o prefeito oferecer descontos e não punir. Acho que foi uma desinteligência administrativa por parte da prefeitura”, conclui.
Posts Relacionados

PM captura seis procurados pela Justiça em menos de 10 horas na região do 23º BPM/I

Força Tática prende traficante reincidente com mais de 300 porções de drogas em Guaratinguetá

Dupla Bruno & Marrone se apresenta neste sábado (24)em São José dos Campos
