Sem confronto direto entre principais candidatos, CNBB faz debate morno com presidenciáveis em Aparecida

A menos de 20 dias para as Eleições 2014, oito dos principais candidatos à Presidência da República promoveram um debate morno na noite desta terça-feira (16), no Santuário Nacional de Aparecida. Realizado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o evento foi fechado para cerca de 300 convidados e autoridades.

Escrito por: João Pedro Teles e Poliana Casemiro4 min de leitura
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A menos de 20 dias para as Eleições 2014, oito dos principais candidatos à Presidência da República promoveram um debate morno na noite desta terça-feira (16), no Santuário Nacional de Aparecida. Realizado pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o evento foi fechado para cerca de 300 convidados e autoridades.

Apesar de promovido no mesmo dia da publicação dos novos números do Ibope, que apontam 36% da intenção de votos para a presidente Dilma Rousseff (PT) contra 30% de Marina Silva (PSB) e 19% de Aécio Neves (PSDB), os três candidatos acabaram não se confrontando durante o evento devido ao sistema de sorteio implementado pela organização.

Também participaram do debate, que começou às 21h30 e durou duas horas, os candidatos à Presidência Eduardo Jorge (PV), José Maria Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Luciana Genro (PSOL) e Pastor Everaldo (PSC). O evento foi transmitido pela TV Aparecida.

Evento
Os candidatos iniciaram o encontro respondendo a pergunta do arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, referente a reforma política proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Em seus discursos de apresentação, a maioria deles foi favorável a reforma, que condena o financiamento particular às campanhas, a reeleição e a distância entre os tempos de TV concedidos a cada candidatura.

Líder nas pesquisas de intenção de voto, a candidata Dilma Rousseff defendeu a criação de plebiscitos para definir decisões como as reformas políticas e tributárias. “Defendo ainda o voto distrital e o fim das coligações proporcionais”, conta.

No segundo bloco, os candidatos responderam perguntas realizadas por bispos da CNBB. As questões estavam voltadas a temas como juventude, saúde, estado laico, educação e desigualdade social. Um sorteio definiu qual candidato responderia a cada questão.

Perguntada sobre a condição da juventude no país, Marina Silva defendeu a educação como principal forma de combate a violência e a falta de acesso ao emprego. “Vivemos uma realidade em que a juventude é ceifada, sendo maioria nos índices de assassinato. Investiremos em segurança e educação para mudar esse panorama”, afirma.

Sorteada para responder questões sobre desigualdade social, a presidente Dilma ressaltou os projetos sociais realizados tanto em seu governo quanto no governo Lula. A petista ainda citou o novo mapa da ONU, divulgado na segunda-feira (15), que tirou o Brasil da lista de países cuja população ainda sofre com a fome.

Escolhido para falar sobre educação, Aécio Neves também preferiu ressaltar os programas de governo enquanto era governador de Minas Gerais. “Ainda temos problemas que precisam ser resolvidos, mas Minas tem a melhor educação fundamental do Brasil”, afirmou.

Jornalistas
No terceiro bloco, com perguntas realizadas pelos jornalistas de redes católicas, o clima continuou engessado e de pouco enfrentamento entre os candidatos. Os participantes responderam perguntas sobre saúde, saneamento básico, reforma tributária e a questão do aborto.

Enquanto Dilma Rousseff prometeu criar o programa Mais Especialidades, dando continuidade ao Mais Médicos, Marina Silva ressaltou a importância de investimento no saneamento básico.

Coube ao candidato Eduardo Jorge (PV) responder sobre a polêmica envolvendo o  aborto. Jorge, que antes do debate já se declarava à vontade para tocar em assuntos espinhosos, afirmou que é preciso expandir o planejamento familiar e educação sexual no ensino médio para evitar a gravidez indesejada. Além disso, defendeu a legalização do aborto.

“Acho que devemos revogar essa lei cruel e machista (que criminaliza o aborto) que considera criminosas 800 mil mulheres que fazem interrupção da gravidez todo o ano no Brasil. Devemos atendê-las na rede pública”, afirma.

Confronto indireto
No quarto bloco, quando os principais candidatos teriam a chance de se enfrentar em perguntas diretas, as combinações acabaram frustrando quem esperava um confronto direto. Devido ao sistema de sorteio adotado pela organização, nenhum dos três principais candidatos conseguiu fazer perguntas entre si.

Sem a chance de embate, os candidatos se ‘alfinetaram’ de forma indireta quando respondiam ou perguntavam a candidatos menos expressivos. Com esse panorama estabelecido, Dilma Rousseff e Aécio Neves inclusive solicitaram direito de resposta por serem citados nos confrontos entre outros candidatos.

A petista conseguiu responder às denúncias de Aécio Neves sobre o suposto esquema de corrupção na Petrobras, enquanto o tucano conseguiu o direito quando citado como um “viciado em corrupção” por Luciana Genro.

Este, inclusive foi o único momento em que o clima esquentou no morno debate. A representante do PSOL enfatizou esquemas de corrupção do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

“O senhor (Aécio) falando do PT é como o sujo falando do mal lavado. As empreiteiras que fizeram o escândalo da Petrobrás são as mesmas que financiam sua campanha e a da Dilma”, diz.

No último bloco, os candidatos realizaram suas considerações finais. Aécio, Dilma e Marina partiram para o ataque contra as candidaturas adversárias e reiteraram sua confiança em uma vitória no segundo turno.

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