Relatório da CPI do Crime Organizado é rejeitado após pedido de indiciamento de ministros do STF
Documento citava nomes como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, mas foi derrubado por 6 votos a 4 na comissão

A CPI do Crime Organizado rejeitou, por 6 votos a 4, o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira, que investigava supostas irregularidades envolvendo autoridades e instituições financeiras.
Durante a apresentação, o relator destacou um dos pontos mais sensíveis do documento: um contrato de R$ 129 milhões — com cerca de R$ 80 milhões já pagos — entre o Banco Master e um escritório de advocacia ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Vieira, mensagens obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro indicariam que o pagamento era tratado como “prioridade absoluta” dentro da instituição, além de sugerirem possível comunicação direta com o ministro no dia da primeira prisão do empresário investigado.
Pedido de indiciamento
No relatório, o senador solicitou o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade.
Em entrevista, Vieira afirmou que os pedidos foram baseados em “fatos detectados ao longo do trabalho da comissão” e que, segundo ele, seriam públicos e não contestados pelos envolvidos.
O senador também mencionou decisões consideradas “atípicas” por parte de Dias Toffoli em processos relacionados ao caso, além de contratos envolvendo a esposa de Alexandre de Moraes e o Banco Master. Em relação a Gilmar Mendes, Vieira citou decisões que limitaram investigações envolvendo empresas ligadas ao caso.
Reações e desdobramentos
Após a apresentação do relatório, o ministro Gilmar Mendes informou a interlocutores que pretende acionar a Procuradoria-Geral da República contra o senador, alegando abuso de poder.
A rejeição do relatório encerra os trabalhos da CPI sem a aprovação formal das conclusões apresentadas, mas o caso segue gerando repercussão política e jurídica em Brasília.
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