Vai ter Copa? O espírito do mundial não pegou em São José dos Campos
Vai ter Copa? Se falassem, as ruas de São José dos Campos dariam uma negativa sem cor nem bandeirinhas da Seleção Brasileira. Faltam 21 dias para a Copa do Mundo e o clima não é de festa como em outras ocasiões. É difícil encontrar asfaltos e muros da cidade pintados com os símbolos do futebol nacional -nem parece que a Copa vai ser no nosso país.











Vai ter Copa? Se falassem, as ruas de São José dos Campos dariam uma negativa sem cor nem bandeirinhas da seleção brasileira. Faltam 21 dias para a Copa do Mundo e o clima não é de festa como em outras ocasiões. É difícil encontrar asfaltos e muros da cidade pintados com os símbolos do futebol nacional -nem parece que a Copa vai ser no nosso país.
A reportagem do Meon percorreu as principais ruas da cidade, partindo do centro e cruzando as pontas das quatro zonas de São José, em busca da arte feita para a Copa. Praças, lojas e parques ainda não entraram no clima. Restou a procura pelas pequenas ruas, aquelas com pouco movimento de carros, propícias para terem paredes e chão pintados de verde e amarelo.
Na praça Santana, do bairro de mesmo nome na zona norte, o taxista Jesus Donizete, 53 anos, afirma que o local “devia estar fazendo festa nessa época do ano”. “Aqui é um lugar tradicional de Santana, é uma pena não estar enfeitado, o povo deve estar meio decepcionado com o governo porque o time está até bom”, acredita Donizete.
O taxista indica à reportagem caminhos que levam a ruas pintadas no Altos de Santana. Lá, a subida da rua Alto da Boa Vista tem uma faixa do trânsito obstruída por madeiras de armário improvisadas para proteger a arte no chão. Seis meninos de 16 a 18 anos esboçam um brasão da seleção brasileira e a bandeira nacional ainda sem os escritos de “ordem e progresso”.
“A gente começou no sábado, ainda vamos fazer um ‘rumo ao hexa’ e colocar as bandeirinhas”, afirma o estudante Lorran Neves, 18 anos. Neves conta que em 2010 a rua esteve mais enfeitada. Mas por que a demora? “Ah, não sei, deve ser o time, acho que não ganha, não”. Durante a conversa, um carro ignora a os obstáculos de madeira, passa por cima de tudo e deixa marcas de pneu nas tintas verde e amarela.
Três esquinas acima, a rua Serra dos Carajás ostenta o mascote Fuleco, o brasão da seleção e as letras de “Fifa World Cup” bem em frente ao bar e mercearia JB. “Acho que demoramos para pintar por causa desses protestos que está tendo agora”, conta Irani Gonçalves, 51 anos, proprietária do bar. No fim de tarde, dois garotos montavam as traves de chinelos para jogar bola, bem em cima dos desenhos.
África do Sul
O último exemplo do espírito de Copa do Mundo que a reportagem viu é justamente a prova de que o clima de festa ainda não pegou por aqui. A travessa Jamil David, na Vila Ema, região central de São José, ainda tem a bandeira da África do Sul (sede da Copa em 2010) registrada em muro branco. As cores das ilustrações ainda perduram, mas apagadas.
“A gente sempre compra bandeirinha, pinta tudo e até assiste aos jogos juntos, não sei o que aconteceu esse ano”, reflete a professora de educação física Marília D’ávila, 50 anos. “Era o seu Geraldo que fazia tudo, será que ele está aí?”. Seu Geraldo não estava em casa.
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