Seleção boa e diversificada marca Festival Aruanda
Nesta quarta-feira à noite saem os prêmios do 9º Festival Aruanda. O que se pode dizer da mostra competitiva é que apresentou uma boa seleção de longas-metragens. Boa e diversificada. Há desde uma ópera popular como A Luneta do Tempo, de Alceu Valença, até o hiperexperimental Pingo DÁgua, de Taciano Valério. Cássia é um bom documentário feito…

Nesta quarta-feira à noite saem os prêmios do 9º Festival Aruanda. O que se pode dizer da mostra competitiva é que apresentou uma boa seleção de longas-metragens.
Boa e diversificada. Há desde uma ópera popular como A Luneta do Tempo, de Alceu Valença, até o hiperexperimental Pingo DÁgua, de Taciano Valério. Cássia é um bom documentário feito por Paulo Fontenelle sobre a cantora Cássia Eller e, em Sangue Azul, Lírio Ferreira revive seus momentos melhores de cineasta visualmente inventivo com uma história de amor e atração incestuosa, tendo a paradisíaca ilha de Fernando de Noronha como palco.
O Outro Lado do Paraíso, de André Ristum, adapta o relato memorialístico de Luiz Fernando Emediato, com a saga de um pai que deseja o melhor para a família e busca na conturbada Brasília das vésperas do golpe de 1964 seu ilusório paraíso pessoal. O filme possui qualidades e é todo bem feito, mas ressente-se de vários problemas, como falta de ritmo e insuficiente imersão no pathos político da época.
Já O Fim e os Meios, do experiente Murilo Salles, mergulha na Brasília contemporânea, buscando jogar luz sobre a gênese da corrupção, o assunto único e obsessivo do País. Num filme escuro (do ponto de vista fotográfico) e sombrio (do ponto de vista moral), Murilo procura a complexidade das coisas, em vez de comprazer-se nesse jogo simplista da oposição entre o Bem e o Mal, ora dominante. Se consegue um tratamento estético à altura dessa ambição, é matéria para debate. Nem sempre agradável, o filme nada tem de banal e presta-se a discussões amplas e profundas.
Ausência, de Chico Teixeira, é uma gema preciosa, que aposta no lacunar e na delicadeza ao traçar um panorama de relações humanas na cidade grande. É a história de Serginho (Matheus Fagundes), que mora com a mãe (Gilda Nomacce), abandonada pelo marido e com problemas de alcoolismo. Serginho tem no professor vivido por Irandhir Santos uma espécie de mentor. E, talvez, um modelo sexual. Tudo é diminuto, contido, implícito, o que significa máxima dimensão emocional. Justamente por não procurar impingir sentimentos ao espectador e muito menos chantageá-lo é que consegue conquistá-lo.
Deixo de comentar o documentário Para Sempre Teu, Caio F., de Candé Salles, por não ter ainda sido apresentado até o momento de fechamento desta edição. Sabe-se que é um doc sobre o escritor gaúcho Caio Fernando Abreu, morto de aids prematuramente, aos 48 anos, e que deixou vasta obra e uma legião de leitores. Por muitos anos, Caio foi colunista do Caderno 2.
Posts Relacionados

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai

Novo tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor
