Smartphones e tablets estão na mira dos vírus em 2014

Em 2013, a tecnologia móvel se consolidou no Brasil. As vendas de smartphones superaram pela primeira vez a de celulares comuns, e os tablets se tornaram o segundo tipo de computador mais popular do País, ultrapassando desktops (PCs). Mas apesar de trazerem uma série de avanços, os dispositivos móveis não conseguiram evitar problemas que há anos atormentam os usuários de PCs: vírus e os chamados ‘malwares’ (softwares maliciosos).

Escrito por: Conteúdo Estadão6 min de leitura
fundo_placeholder-023136

Em 2013, a tecnologia móvel se consolidou no Brasil. As vendas de smartphones superaram pela primeira vez a de celulares comuns, e os tablets se tornaram o segundo tipo de computador mais popular do País, ultrapassando desktops (PCs). Mas apesar de trazerem uma série de avanços, os dispositivos móveis não conseguiram evitar problemas que há anos atormentam os usuários de PCs: vírus e os chamados ‘malwares’ (softwares maliciosos).

Durante o ano passado, as principais empresas de segurança emitiram alertas sobre o crescimento do número de ameaças. A McAfee indica que nos primeiros nove meses de 2013 o número de novos códigos maliciosos cresceu 50 milhões, chegando a 172 milhões em setembro.O motivo seria o crescimento do mercado móvel -ao todo, são mais de 70 milhões de celulares em uso no Brasil, segundo a consultoria Morgan Stanley- que levaria os cibercriminosos a ter como alvo tablets e smartphones, deixando PCs em segundo plano.

Falta de atualização faz 95% dos smartphones pegar vírus 

Segundo o Instituto Ponemon, dispositivos móveis serão o foco das ameaças em 2014. Os principais ataques teriam origem em três fontes: SMS, phishing (links falsos) e aplicativos falsos, a maioria baixada fora das lojas oficiais de aplicativos como a App Store, do sistema iOS, da Apple, e o Google Play, do Android.

Exagero?
Mas há quem conteste esse cenário. Um especialista em segurança disse à reportagem que apesar dos vírus para dispositivos móveis serem uma realidade, as empresas de segurança exageram em seus alertas para estimular as vendas de antivírus, quando muitos problemas poderiam ser evitados sem esse tipo de proteção, com mais prevenção. O analista da consultoria Gartner, John Girard, tem uma opinião parecida. “A única maneira de vender esses produtos é se as pessoas tiverem medo de serem atacadas. A prevenção é baseada no medo”, diz.

Segundo ele, 95% das infecções de vírus em dispositivos móveis atualmente ocorrem pela falta de atualização dos sistemas operacionais dos aparelhos e poderiam ser evitadas se o usuário tivesse mais informação e adotasse hábitos de prevenção. “As pessoas não prestam atenção onde clicam. E a maioria dos aplicativos só são instalados se o usuário autorizar”, diz. “Instalar um aplicativo do qual você não sabe a procedência é a mesma coisa que abrir o carro para um estranho à noite no meio da estrada”, explica. Girard diz que baixar aplicativos apenas das lojas oficiais é uma das melhores maneiras de minimizar as chances de instalar arquivos maliciosos em tablets e smartphones.

“Ainda assim há riscos, mas as empresas responsáveis por essas lojas costumam remover aplicativos com problema rapidamente, protegendo o usuário.”Ele explica que ao instalar um aplicativo de outra fonte, o usuário promove uma espécie de jailbreak (quebra da proteção do sistema operacional, para permitir a instalação de aplicativos não autorizados pela empresa) que tornaria o sistema mais vulnerável a ameaças.

Foi o que aconteceu com a bióloga e professora universitária Christine Ruta, que teve o smartphone invadido por mensagens de erro após instalar aplicativos obtidos fora do Google Play. “O principal problema é a impossibilidade de acessar a lista de contatos. Quando quero ligar ou escrever uma mensagem, a tela bloqueia e aparece um erro, me obrigando a começar tudo de novo”, diz. O problema piorou quando aplicativos que ela nunca instalou começaram a aparecer no dispositivo. “Um amigo que passou pelo problema me disse para restaurar o aparelho.”

Ameaça
Paulo Pagliusi, doutor em segurança da informação e diretor executivo da empresa de segurança Procela, destaca que há vários tipos de malwares para celulares, incluindo Cavalos de Tróia, spywares e vírus destrutivos. “Uma das mais recentes ameaças é o Fake Defender, um malware exclusivo para Android que trava o aparelho do usuário e exige o pagamento de um determinado valor como resgate”, diz. O analista da Kaspersky, Fabio Assolini diz que no Brasil ainda não existem apps falsos.

“O que acontece mais é o phishing, em formato específico para usuários de smartphones e tablets, que manda uma mensagem falsa”, diz.Outra fonte de problemas para usuários de tablets e smartphones são as redes wi-fi em locais públicos como shoppings e restaurantes. “O brasileiro precisa parar de usar essas redes sem preocupação. Não recomendo usar aplicativos de bancos ou redes sociais nessas redes. Há risco de roubo da senha”, diz Assolini. A adoção da prática conhecida como BYOD (sigla em inglês para “traga seu próprio aparelho”) nas empresas, também traz problemas para companhias e funcionários.

“As empresas ficam vulneráveis aos hábitos digitais dos funcionários”, diz Pagliusi De acordo com a Symantec, o custo médio anual causado às empresas brasileiras por incidentes móveis é de US$ 296 mil. Um cenário que tende a se agravar, já que a Gartner estima que até 2018, 70% dos trabalhadores do mundo usarão dispositivos móveis no trabalho.

PRESTE ATENÇÃO
Quais os sinais de que um dispositivo foi infectado por vírus?
– Bateria descarrega rapidamente;
– O aparelho tenta sozinho se conectar a outros via bluetooth;
– A conta do celular fica mais alta do que o costume ou os créditos acabam rápido;
– Aparelho envia SMS sozinho, sem autorização;
– Dispositivo fica mais lento que o normal, apresenta erros e congelamentos;
– O usuário receber propagandas não solicitadas na tela do celular;
– Ao tentar acessar um site, o usuário é redirecionado para outro endereço.

A quais riscos o usuário está exposto se o dispositivo for infectado?
– Roubo de informações pessoais como senhas e dados bancários;
– Roubo de imagens do álbum de fotos;
– Roubo de dados da lista de contatos;
– Destruição do sistema operacional do aparelho, podendo causar danos também ao hardware;
– Ter ligações interrompidas ou impedidas.

Como fazer para remover um vírus de tablets ou smartphones?
– Delete o aplicativo suspeito de causas de infecção;
– Instale um antivírus no aparelho e faça uma varredura;
– Conecte o celular ao computador e faça uma varredura com um antivírus, como em um pen drive;
– Se os passos anteriores não resolverem, restaure as configurações originais do aparelho (essa operação apaga todos os dados salvos no dispositivo).

Como proteger o dispositivo e evitar possíveis infecções?
– Use senha para bloqueio e desbloqueio do aparelho;
– Desconfie de SMSs e e-mails que peçam senhas de acesso;
– Só instale aplicativos de fontes seguras, como as lojas oficiais;
– Atualize o sistema operacional;
– Use um antivírus;
– Não clique em links suspeitos;
– Evite usar wi-fi gratuito;
– Busque referências de outros usuários antes de instalar um aplicativo no seu dispositivo;
– Verifique a lista de permissões do aplicativo. Um app de alarme, por exemplo, não deve solicitar acesso aos seus contatos para ser instalado.

Publicado em: