STJ inocenta homem preso há 15 anos por erro judicial
Francisco Mairlon foi condenado injustamente por triplo homicídio

Após 15 anos de prisão, Francisco Mairlon Barros Aguiar, de 37 anos, deixou o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, na madrugada desta quarta-feira (15). A soltura ocorreu após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anular, de forma unânime, sua condenação pelo “Crime da 113 Sul”, ocorrido em 2009, que vitimou o ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, sua esposa Maria Carvalho e a empregada da família, Francisca Nascimento.
Preso desde 2010, Mairlon foi inocentado após o STJ reconhecer falhas graves no processo e determinar o trancamento da ação penal desde o início. A decisão atendeu a um pedido da ONG Innocence Project, organização internacional que atua em casos de erros judiciais.
Em entrevista emocionada à TV Globo, Mairlon afirmou:
“O dia mais feliz da minha vida está sendo hoje. Muita gratidão a todos que não desistiram de mim, à minha família e aos ministros do STJ.”
Falhas e coerção
Segundo a defesa, as confissões que incriminaram Mairlon foram obtidas sob coação policial, após horas de interrogatório sem descanso. O processo não apresentava provas materiais, como DNA ou impressões digitais, baseando-se apenas em confissões extrajudiciais que posteriormente foram retratadas em juízo.
Os ministros destacaram que Mairlon foi condenado com base em depoimentos “obtidos de forma viciada”. O relator, Sebastião Reis Júnior, criticou o uso de declarações extrajudiciais sem confronto com provas concretas. Já o ministro Rogério Schietti Cruz classificou o caso como “gravíssimo”, denunciando a “obsessão da Justiça criminal brasileira pela confissão”.
Um marco contra erros judiciais
A decisão do STJ reacende o debate sobre abusos em investigações e condenações baseadas em confissões forçadas. O caso, que chocou Brasília e ganhou série documental no Globoplay, expõe falhas estruturais no sistema de justiça criminal e a necessidade de revisão de casos semelhantes.
Francisco Mairlon volta à liberdade após 15 anos preso injustamente, agora oficialmente inocentado, enquanto o Ministério Público do DF ainda pode recorrer da decisão.
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