Tempestade de neve deixa centenas de pessoas presas no Monte Everest
Equipes de resgate atuam nas encostas do Himalaia

Equipes de resgate foram enviadas neste fim de semana às encostas tibetanas do Monte Everest, na fronteira entre o Tibete e o Nepal, após uma tempestade de neve deixar centenas de pessoas presas em acampamentos de trilha. A região, que fica a mais de 4.900 metros de altitude, enfrenta condições extremas de frio e isolamento, segundo informações da mídia estatal chinesa.
As fortes nevascas começaram na noite de sexta-feira (4) e se intensificaram ao longo do fim de semana, atingindo uma área popular entre alpinistas e caminhantes. Até este domingo (5), cerca de 350 pessoas haviam sido resgatadas e levadas em segurança para a cidade de Qudang, informou a agência Reuters com base em dados locais. Outros 200 trilheiros ainda permanecem isolados, mas já foram localizados e contatados pelas autoridades.
De acordo com o relato da caminhante Chen Geshuang, que integrava um grupo de 10 pessoas, a situação se agravou de forma inesperada. “Quando acordamos, a neve já tinha cerca de um metro de profundidade”, contou à Reuters. “O clima deste ano não está normal. O guia disse que nunca viu algo assim em outubro.” O grupo caminhou por quase seis horas sob frio intenso até conseguir retornar.
Centenas de moradores locais também se uniram às equipes de resgate, levando mantimentos e equipamentos pelas trilhas cobertas de neve. O governo chinês mobilizou forças civis e militares para abrir caminho até os acampamentos. Segundo as autoridades, alguns caminhantes apresentavam sinais de hipotermia após ficarem isolados por quase dois dias.
A Companhia de Turismo do Condado de Tingri suspendeu temporariamente o acesso à área cênica do Everest desde sábado (5), enquanto as buscas continuam. As fortes nevascas também atingiram o Nepal, onde chuvas e deslizamentos de terra provocaram inundações e 47 mortes nos últimos dias.
O Monte Everest, com 8.849 metros de altitude, é o pico mais alto do mundo e um dos destinos mais procurados do Himalaia. Apenas em 2024, a área recebeu mais de 540 mil visitantes, segundo a mídia estatal chinesa. Apesar da beleza natural, o local é conhecido pelos riscos extremos, que incluem superlotação, frio intenso e avalanches.
A Região Autônoma do Tibete, controlada pela China, possui restrições severas de acesso, o que dificulta a apuração independente de informações. A imprensa estrangeira depende quase exclusivamente de boletins oficiais, já que o governo chinês mantém controle rígido sobre comunicações e reportagens na área.
Mesmo sob essas limitações, a mídia estatal chinesa confirmou que o clima severo durante o feriado da Semana Dourada surpreendeu turistas e moradores, e que operações de resgate seguem em andamento para retirar os últimos grupos ainda isolados nas montanhas.
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