Tensão cresce em ilha grega após incêndio em campo de refugiados
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – O governo grego ameaçou usar a força caso imigrantes continuem se recusando a ocupar um novo alojamento na ilha de Lesbos, depois que um incêndio destruiu a maior parte do campo de Moria, o maior da União Europeia. O campo abrigava 13 mil pessoas (o quádruplo de sua capacidade), a maioria vinda do Afeganistão,…

BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – O governo grego ameaçou usar a força caso imigrantes continuem se recusando a ocupar um novo alojamento na ilha de Lesbos, depois que um incêndio destruiu a maior parte do campo de Moria, o maior da União Europeia.
O campo abrigava 13 mil pessoas (o quádruplo de sua capacidade), a maioria vinda do Afeganistão, da Síria e de países africanos.
Até esta quarta (16), apenas 1.200 haviam se transferido para o acampamento temporário de Kara Tepe, que tem 5.000 vagas.
Depois do incêndio, imigrantes tentaram ir para a capital da ilha, Mitilene, a 4 km de Moria, mas foram impedidos pela polícia na metade do caminho, na região de Kara Tepe, onde 600 grandes tendas foram erguidas.
Em entrevista a uma rádio grega, o ministro da Migração, Notis Mitarachi, ameaçou elevar a repressão se os imigrantes continuarem se recusando a ocupar o novo campo.
“Continuaremos por mais alguns dias de boa fé e comunicação. Depois disso, se houver alguém que reaja com violência, a polícia irá prendê-lo”, disse ele.
Segundo organizações de ajuda humanitária, embora os refugiados estejam ao relento e enfrentem filas de até duas horas para receber comida, eles resistem ao novo campo porque querem deixar a ilha, com uma solução de longo prazo.
Eles temem acabar esquecidos como em Moria, onde estavam havia mais de um ano. A situação se agravou quando eles foram confinados, em março, por causa da pandemia de coronavírus.
Desde então, houve períodos em que a lotação chegou a 20 mil pessoas, segundo entidades.
Na terça, o ministro da Proteção Civil, Michalis Chrysochoidis, prometeu que todos seriam retirados de Lesbos até abril do próximo ano.
Enquanto moradores da ilha temem uma escalada de conflitos entre refugiados e policiais, a presidente da Comissão Europeia (Executivo da UE), Ursula von der Leyen, usou seu primeiro discurso sobre o Estado da UE para anunciar mudanças no sistema de pedido de asilo.
“As imagens do campo de Moria nos lembram dolorosamente que a Europa deve agir em unidade (…). Se intensificarmos nossos esforços, esperamos que todos os Estados membros também intensifiquem seus esforços. A migração é um desafio europeu, e é toda a Europa que deve fazer a sua parte”, afirmou.
O único país do bloco que se dispôs a receber um número significativo de refugiados até agora foi a Alemanha, para onde devem ir mais de 1.500 dos moradores de Moria.
A Comissão vai propor um sistema centralizado e unificado para os pedidos de aviso, no lugar da regra atual, que exige a solicitação no primeiro país do bloco em que o estrangeiro der entrada.
Isso sobrecarrega principalmente Grécia, Malta e Itália, tornando lento o processo.
No discurso, Von der Leyen disse que a regra atual, conhecida como Acordo de Dublin, será substituída por “um novo sistema europeu de governança da migração, com estruturas comuns de asilo e retorno e um novo e forte mecanismo de solidariedade”. A nova política imigratória do bloco deve ser apresentada na próxima semana.
Na Grécia, seis imigrantes foram detidos na ilha de Lesbos, durante a investigação sobre o incêndio que consumiu Moria.
O governo afirma que o fogo foi provocado pelos próprios imigrantes, durante protesto contra uma quarentena imposta para conter um surto de coronavírus. Entre os motivos da suspeita está o de que o incidente não deixou mortos nem feridos.
Imigrantes também foram detidos sob suspeita na ilha de Samos, onde outro incêndio ameaçou um campo que abriga 4.700 imigrantes na noite de terça. O fogo foi controlado antes que atingisse os alojamentos.
O governo grego afirmou que o novo alojamento na ilha de Lesbos tem o dobro do espaço de Moria e mais condições sanitárias, “mas haverá mais medidas de segurança”.
Todos os novos moradores do acampamento foram testados para coronavírus; 35 tiveram resultado positivo.
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