Vacinação não termina na infância: veja quais vacinas precisam estar em dia ao longo da vida
Adultos também precisam de doses de reforço e atualização da carteira; calendário muda conforme idade, gestação, profissão e condições de saúde

A vacinação não é um cuidado que termina na infância. Ao longo da vida, diferentes vacinas e doses de reforço são necessárias para manter a proteção contra doenças imunopreveníveis. Mesmo assim, é comum que adultos deixem de acompanhar a carteira de vacinação ou não saibam quais imunizantes são indicados para sua faixa etária.
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Segundo o Ministério da Saúde, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza atualmente 31 vacinas e contempla diferentes fases da vida, incluindo crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e grupos específicos.
Para a infectologista Tassiana Galvão, a falta de informação e a falsa sensação de que a proteção recebida na infância é suficiente estão entre os motivos que levam ao atraso da vacinação.
“A vacinação do adulto muitas vezes é negligenciada porque existe a falsa percepção de que, após a infância, a pessoa já está protegida ou não precisa mais receber doses. Além disso, a rotina profissional, a perda da carteira e a falta de informação contribuem para que reforços e esquemas incompletos sejam esquecidos”, explica.
Perdeu a carteira de vacinação? Saiba o que fazer
Quem não sabe quais vacinas recebeu ou não tem mais a carteira de vacinação não deve simplesmente deixar de procurar atendimento.
De acordo com a especialista, a ausência do documento não significa necessariamente que seja preciso começar todo o esquema vacinal novamente. O ideal é procurar uma unidade de saúde com os registros disponíveis para que um profissional avalie quais doses precisam ser atualizadas.
“Em muitos casos, é possível dar continuidade ao esquema sem reiniciá-lo”, orienta a médica.
Vacinação também ajuda a evitar a volta de doenças
A manutenção da cobertura vacinal é importante não apenas para a proteção individual, mas também para impedir a circulação de doenças que já estiveram controladas no país.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil registrou 38 casos de sarampo em 2025. Em 2026, até a 37ª semana epidemiológica, foram confirmados 33 casos no país, sendo 32 em São Paulo e um no Rio de Janeiro.
No ano passado, um surto no Tocantins registrou 25 casos. Segundo o Ministério da Saúde, 84% das ocorrências foram registradas em uma comunidade com baixa cobertura vacinal, na qual não havia registro de vacinação contra o sarampo entre os indivíduos afetados.
“Quando a cobertura vacinal diminui, aumentam as chances de surgirem bolsões de pessoas suscetíveis. Isso favorece a transmissão de doenças e pode afetar especialmente crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido. Por isso, vacinar-se também é uma forma de proteger a coletividade”, afirma Tassiana.
Quais vacinas devem ser acompanhadas na adolescência?
Adolescentes e jovens devem verificar se estão com o calendário vacinal atualizado. Entre os imunizantes que podem fazer parte dessa fase estão os contra HPV, hepatite B, febre amarela e meningocócicas, além de outras vacinas previstas no calendário nacional.
A vacina contra o HPV é recomendada de rotina para crianças e adolescentes, mas também pode ser indicada em estratégias específicas para pessoas mais velhas ou integrantes de grupos prioritários.
Vacinas indicadas para adultos
Entre 25 e 59 anos, o calendário de vacinação prevê, conforme o histórico de cada pessoa, a atualização das vacinas contra hepatite B, difteria e tétano, febre amarela e tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
A vacina dupla adulto (dT), contra difteria e tétano, também exige doses de reforço. Para quem completou o esquema básico, a orientação é receber reforço aos 34 anos e, posteriormente, a cada dez anos. Em situações de exposição a risco, o intervalo pode ser antecipado para cinco anos.
“O tétano é um exemplo de proteção que muitas pessoas deixam de acompanhar. Como a doença pode estar relacionada a ferimentos e não é transmitida de pessoa para pessoa, existe a falsa sensação de que o risco é distante. No entanto, os reforços precisam ser mantidos conforme a orientação do calendário”, explica a infectologista.
A tríplice viral também deve ser observada. Para adultos de até 29 anos, são indicadas duas doses. Entre 30 e 59 anos, uma dose. Para profissionais de saúde, existem recomendações específicas, independentemente da idade.
Gestantes precisam de atenção especial
A vacinação deve ser avaliada desde o início do pré-natal. O calendário de 2026 inclui imunizantes contra hepatite B, difteria e tétano, influenza e covid-19, além da dTpa a partir da 20ª semana de gestação, em cada gravidez.
A vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) está indicada a partir da 28ª semana de gestação, com o objetivo de proteger a gestante e o bebê contra complicações provocadas pela infecção.
Já a vacina contra febre amarela deve ser avaliada em situações específicas, considerando o risco epidemiológico e a orientação do serviço de saúde.
“Antes e durante a gravidez, a atualização vacinal protege a pessoa gestante e contribui para a proteção do bebê. Algumas vacinas estimulam a produção de anticorpos que são transferidos pela placenta e ajudam a reduzir o risco de doenças nos primeiros meses de vida”, explica Tassiana.
Quais vacinas são importantes depois dos 60 anos?
A partir dos 60 anos, também é importante manter a carteira atualizada. O calendário prevê vacinas contra hepatite B, difteria e tétano e, em situações específicas, febre amarela e tríplice viral.
A vacina contra influenza deve ser tomada uma vez por ano, enquanto a vacinação contra covid-19 segue indicação de dose a cada seis meses para esse grupo, conforme o calendário vigente.
A vacina pneumocócica é indicada para pessoas não vacinadas que vivem acamadas ou institucionalizadas, além de povos indígenas. Outras vacinas podem ser recomendadas de acordo com a avaliação individual.
“Com o envelhecimento, algumas infecções podem apresentar maior risco de complicações e hospitalização. Manter a vacinação em dia é uma medida de prevenção que contribui para preservar a autonomia, a qualidade de vida e a segurança da pessoa idosa”, afirma a médica.
Como atualizar a carteira de vacinação?
A recomendação é levar a carteira de vacinação, física ou digital, a uma unidade básica de saúde ou serviço de vacinação. Mesmo quem não possui todos os registros deve procurar orientação profissional.
Durante a avaliação, é importante informar possíveis vacinas já recebidas, doenças anteriores, uso de medicamentos, gestação, profissão e planos de viagem, já que esses fatores podem influenciar as recomendações.
Não é necessário esperar uma campanha para conferir a situação vacinal. As vacinas previstas pelo PNI são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com os critérios de cada imunizante.
“A vacinação deve fazer parte da rotina de cuidados, assim como o acompanhamento da pressão arterial, dos exames preventivos e das consultas médicas. Não é preciso esperar uma emergência sanitária ou uma viagem para conferir a carteira. A melhor hora para atualizar a proteção é antes que a doença apareça”, finaliza a infectologista.
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