Área do banhado recebeu a primeira favela de São José dos Campos

Em 1931, lavradores e pequenos proprietários arruinados com depreciação das terras do café e a expansão do setor agropecuário estabeleceram o primeiro núcleo de favela de São José dos Campos, exatamente nas terras do Banhado.

Escrito por: Rodrigo Ribeiro2 min de leitura
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Área do banhado recebeu a primeira favela de São José dos Campos

Flávio Pereira/Meon

Em 1931, lavradores e pequenos proprietários arruinados com a depreciação das terras do café e a expansão do setor agropecuário estabeleceram o primeiro núcleo de favela de São José dos Campos, exatamente nas terras do Banhado.

Hoje o “núcleo” recebeu o nome de Jardim Nova Esperança e possui descendentes dos primeiros povoadores do Banhado, bem como dos migrantes dos estados do Nordeste, Minas Gerais e Paraná, que vieram posteriormente quando a cidade, por volta de 1970, se firmou como pólo tecnológico.

As informações são do historiador Douglas Silva, que está cursando o mestrado em Planejamento Urbano e Regional na Univap (Universidade do Vale do Paraíba). “O Banhado não é apenas um anfiteatro natural. O Banhado possui uma cultura própria e é preciso resgatar essa história antes que ela desapareça”, conta.

História
Segundo o historiador, as origens históricas mais remotas do Banhado estão intimamente ligadas ao processo de transferência da Aldeia de São José (anteriormente uma fazenda de gado administrada por padres jesuítas), para uma alta planície, ou seja, o atual núcleo central da cidade.

Com as constantes inundações e o acúmulo de material orgânico, o cultivo de hortaliças e a cultura do arroz, chegou a ocupar praticamente toda a área do Banhado, mas a criação das represas de Paraibuna e Santa Branca na década de 1970, diminuiu as inundações inviabilizando a produção do arroz.

Origem do nome
A própria origem do nome pode ser encontrada na obra Augusto-Emílio Zaluar: Peregrinação pela Província de S. Paulo (1860-1861). “Uma das cousas mais dignas de observar-se nesta localidade são os imensos brejos, a que dão aqui o nome de banhados, e que se estendem em grande distância aos pés da montanha em que está assentada a vila”. (Zaluar, 1861: 109)

A ausência de registros históricos tornou as narrativas populares sobre a planície alagada do Banhado em algo lendário e mitológico. Segundo essas narrativas, as cheias periódicas do Paraíba do Sul inundavam não somente a várzea como “banhavam” toda a planície, transformando o Banhado numa espécie de “mar joseense”.

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