Audiência discute rumos do zoneamento no bairro Esplanada
Cerca de 300 pessoas estiveram na noite desta sexta-feira (28) no auditório da Etep durante a realização da audiência pública para discussão da nova Lei de Zoneamento de São José dos Campos. O evento discutiu os rumos do zoneamento para o bairro Esplanada, zona oeste.

Cerca de 300 pessoas compareceram ao auditório da Etep, na noite desta sexta-feira (28), durante audiência pública, para discutir a nova Lei de Zoneamento de São José dos Campos. O evento abordou os rumos da região do bairro Esplanada, zona oeste da cidade. A audiência era a mais aguardada, já que a história recente mostra uma resistência da comunidade do bairro às mudanças de zoneamento.
86%
dos moradores do Esplanada se mostraram contrários às mudanças, segundo pesquisa realizada pela Associação Amigos do Esplanada
Com participação efetiva do público, o encontro teve discursos acalorados de moradores, urbanistas, ambientalistas, entre outros. Temas como a verticalização e liberação de comércio em algumas regiões do bairro foram os que mais mexeram com os ânimos dos participantes. A maioria da população do bairro mostrou-se, novamente, contrária às mudanças. Muitos dos que tomaram a palavra moram no local há mais de 30 anos.
“Temos o exemplo concreto da avenida Anchieta, que foi um desrespeito com o maior cartão postal da cidade, o Banhado. Se lá tivemos uma perda irreversível de qualidade de vida, temos que lutar para que com o Esplanada não aconteça o mesmo”, afirmou o morador Marcos Jequini.
Pesquisa
A Associação Amigos do Esplanada realizou uma pesquisa com moradores do bairro para colher opiniões sobre possíveis alterações no bairro. Após ouvir 630 moradores, o resultado foi que 86% se mostraram contra mudanças. Entretanto, durante a audiência, algumas pessoas se mostraram a favor de alterações pontuais no local. O empresário da construção civil -e também morador do Esplanada-, Francisco Roxo chegou inclusive a questionar a pesquisa da associação.
“Temos duas realidades diferentes no Esplanada. Quem mora nas ruas periféricas, já vive há muito tempo uma realidade de vias degradadas. Não trata-se de especulação imobiliária, mas sim de uma adequação a essa realidade. E se essa pesquisa ouvisse as pessoas da rua em que moro, todos seriam favoráveis às mudanças”, disse.
Críticas
Além da discussão entre os moradores do bairro, também houve quem preferiu utilizar o microfone para atacar a fórmula como estão sendo realizadas as audiências públicas na cidade. O urbanista Flávio Mourão, por exemplo, destacou a falta de um plano diretor que oriente os debates.
“O que estamos fazendo aqui é discutir sobre o nada. Qual o plano de transporte da prefeitura? Qual o plano de mobilidade urbana? Assim a tendência é piorar. Um bom exemplo é a Vila Ema, bairro onde eu moro. Lá ficou tão difícil que a única coisa proibida no bairro é morar”, disse.
As audiências públicas seguem até o dia 17 de março nos bairros de São José. Após a elaboração do projeto ainda haverão outras audiências para aprovação popular.
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