Carlinhos Almeida: “estudei cinco anos para padre e cheguei a conclusão que não tinha vocação”
Nascido em Santa Rita de Jacutinga (MG), o ex-seminarista e agora prefeito de São José dos Campos Carlinhos Almeida (PT) comenta em entrevista ao Meon que veio para a cidade quando tinha apenas um ano e meio com sua família, e estudou nas escolas estaduais Marechal Rondon e Felício Savastano, em São José.
















Nascido em Santa Rita de Jacutinga (MG), Carlinhos Almeida chegou em São José dos Campos com sua família quando tinha apenas um ano e meio de idade. Estudou nas escolas estaduais Marechal Rondon e Felício Savastano e, após concluir o Ensino Médio, foi para o Seminário Diocesano de Taubaté. Após cinco anos chegou à conclusão que não tinha vocação para o sacerdócio.
De volta a São José, Carlinhos Almeida começou a estudar na Faculdade de Letras. Desistiu do curso para ingressar na Faculdade de História da Univap, onde se formou. Por pouco tempo chegou a lecionar na rede pública de ensino e depois prestou dois concursos públicos como bancário, um para a Caixa Econômica Estadual e outro para Federal, onde trabalhou e pediu afastamento para seguir na vida política.
“Estudei cinco anos para padre e cheguei a conclusão que não tinha vocação”, disse Carlinhos Almeida. O ex-seminarista foi eleito prefeito de São José com 51% dos votos pelo PT após a terceira disputa ao comando do Paço Municipal. Antes, já tinha cumprido dois mandatos como vereador, três como deputado estadual e um como deputado federal.
Carlinhos Almeida recebeu a equipe do Meon em seu gabinete. Em um bate-papo descontraído, falou sobre a rotina familiar, trajetória política e seu principal desafio à frente da prefeitura: a Saúde. “A saúde não pode ser entendida como doença. Temos que pensar no remédio, no médico, em todas as estruturas. É preciso fazer saúde preventiva para melhorar o atendimento”, diz.
Consegue não comentar sobre a rotina de prefeito em casa?
É impossível não falar de política e trabalho em casa. Tentamos administrar da melhor forma possível e sempre tem um que fala para parar os assuntos políticos. Tenho agora um neto de dois anos que se chama Miguel e queremos aproveitar esse momento. Sempre que posso tenho contato com meu neto, seja pela Internet ou por telefone. Nos tempos vagos gosto de assistir cinema em casa pela TV a cabo e acompanhar os festivais culturais da cidade.
Você e a Amélia Naomi não tiveram filhos. Foi uma opção por causa da carreira política?
Foi algo natural essa opção. Casamos com idade avançada e já não era tão viável. Mas o filho da Amélia é como se fosse o meu filho. Conheço o Leonardo desde pequeno e agora ele tem mais de 20 anos. Vi ele nascer e crescer. Ele não é militante, trabalha com gastronomia, mas nos acompanha nos eventos e expõe a sua opinião.
Você cozinha bem? O que você mais gosta de comer?
Gosto muito de comer em restaurantes, principalmente pratos de frango ao molho pardo, sashimi, bacalhau. Sou bem eclético nas escolhas do meu cardápio.
Qual a sua profissão?
Já trabalhei em alguns bancos privados e atualmente sou bancário licenciado pela Caixa Econômica Federal. Passei em dois concursos, esse da Caixa Econômica Federal e o da Caixa Econômica Estadual. Me formei em História e cheguei a lecionar na rede estadual de ensino em São José. Infelizmente tive que me afastar das atividades como professor pois percebi que era impossível compatibilizar com o expediente na Câmara.
Como foi a mudança de seminarista para político?
Peguei a época da ditadura militar, em 82, e o próprio ambiente do seminário discutia as posições políticas. Participei também ativamente de um comício das Diretas, em 84, na praça Afonso Pena. Devia dar contribuição como cidadão para transformar a realidade. Nunca tinha pensando em ser candidato, mas em 88 preparei a candidatura de um amigo metalúrgico e me escolheram para ser candidato. Na primeira eleição assumi como suplente e posteriormente fui reeleito vereador por dois mandatos, três vezes como deputado estadual, deputado federal e agora no cargo mais importante que ocupo, o de prefeito. Agora posso fazer mais pela minha comunidade.
Qual aprendizado dos mandatos?
Aprendi e amadureci nesse processo. Em 2004, a minha primeira campanha (como candidato a prefeito) foi muito dura e difícil, com apenas 31%. A segunda com 41% e a última fui eleito com 51% dos votos. Foi algo gradual e tirei muitas lições, ainda mais agora que a cidade me conhece mais.
Como é virar situação?
Já tive experiência de ser situação no plano federal, quando fui deputado, nos governos do Lula e da Dilma. Evidente que a posição de oposição é mais cômoda, mas você estar no governo é mais gratificante, pois pode realizar vários projetos.
Você convidou alguns partidos que fizeram parte da gestão anterior. Como avalia?
O prefeito tem a missão de unir, congregar a cidade e dar os passos no caminho do desenvolvimento econômico e social. Meu partido não é a única parte dessa proposta, fizemos uma aliança com vários partidos para termos a união. Convidei pessoas de partidos que não nos apoiaram e deixei claro que governaria para a cidade e não para um partido.
Qual o grande desafio do seu governo?
A saúde não pode ser entendida como doença. Temos que pensar no remédio, no médico, em todas as estruturas. É preciso fazer saúde preventiva para melhorar o atendimento.
O que falta para o Carlinhos Almeida?
Só tenho uma prioridade nessa trajetória, que é contribuir para São José dos Campos alcançar no primeiro lugar na Educação e acho que a partir disso puxamos a saúde, desenvolvimento econômico. A minha menina dos olhos é a Escola Interativa, fazendo que as unidades escolares incorporem as tecnologias, como o cabeamento de fibra ótica nas escolas e a entrega dos tablets aos alunos de 5º ao 9º anos e professores, além do auxílio da lousa inteligente.
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