Comam vai estudar circulação da fauna nativa do Urbanova, em S. José

Fechamento de loteamentos pode estar prejudicando animais da região

Escrito por: Do Meon3 min de leitura
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Fechamento de loteamentos pode estar prejudicando animais da região

Divulgação

Um grupo de trabalho foi criado pelo Comam (Conselho Municipal de Meio Ambiente), de São José dos Campos, para estudar soluções para a circulação da fauna nativa na região do bairro Urbanova, zona oeste da cidade.

De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, o estudo atende à demanda da sociedade civil e entidades ambientalistas, que estão preocupados com o fato de o fechamento dos loteamentos, com muros, alambrados e portões, criar inúmeras barreiras aos animais, cerceando o livre acesso a alimentos e água.

“Por isso, a importância de estabelecer corredores de fauna na região, chamados de corredores ecológicos”, diz a secretaria em nota.

A Secretaria de Planejamento, por meio da Divisão de Projetos Especiais, realizou ainda um diagnóstico preliminar do sistema de espaços livres que compõem o território municipal, compreendendo um conjunto de locais de relevante importância ecológica e paisagística, como os fragmentos florestais, parques públicos, unidades de conservação, APP (Áreas de Preservação Permanente) dos rios Paraíba do Sul e Jaguari, além da macrodrenagem urbana, com a finalidade de promover a melhoria das condições ambientais dessas localidades.

Segundo a arquiteta Michele de Sá Vieira, para planejar a formação de corredores ecológicos é importante analisar um contexto mais amplo, observando não apenas os fragmentos dentro da zona urbana e rural da cidade, mas também os remanescentes florestais em toda a RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba) e as oportunidades de conexão.

“As áreas de conflito na região do Urbanova não podem ser solucionadas de forma pontual. Essas conexões precisam ser previstas para que elas se integrem, tanto com a várzea do Paraíba do Sul, em São José dos Campos, quanto com os fragmentos de mata existentes em Jacareí, de modo a facilitar o fluxo da fauna. É uma discussão que abrange toda a Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul”, apontou Michele.

É proposto para a região do Urbanova a formação de dois corredores ecológicos principais, que envolvem o Parque Ribeirão Vermelho e a várzea do Rio Paraíba do Sul, conectados por corredores intermediários. O objetivo é permitir que esses corredores possibilitem que a fauna chegue a fragmentos maiores.

O estudo apontou a conexão do Urbanova com um extenso fragmento de mata no município de Jacareí. O Grupo de trabalho vai verificar formas de cooperação entre as prefeituras para preservação dos grandes fragmentos e a formação de corredores entre eles.

Para o presidente do Comam, Lincoln Delgado, os estudos em curso visam a manutenção da segurança pública, objetivo principal do fechamento dos loteamentos, mas também a livre circulação da fauna nativa, já que o Urbanova está localizado entre as áreas de proteção ambiental dos rios Paraíba e Jaguari, fontes de abastecimento público e berçário de inúmeras espécies que povoam a região.

“Esse é só o início de um trabalho que visa propiciar a convivência harmônica entre os moradores e a fauna que frequenta a região”, disse.

Inspeção da Cetesb
Em novembro último, uma inspeção da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) nas obras do Parque Ribeirão Vermelho, que está em construção no Urbanova,  constatou intervenções em APP (Área de Preservação Permanente) e AV (Área Verde) sem autorização.

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