Construção Civil: cidades da RMVale têm saldo negativo em 2016

Caraguá foi a única que não demitiu funcionários em outubro deste ano

Escrito por: Laryssa Prado4 min de leitura
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Mário Cezar de Barros, Francisco Roxo e Delfino Teixeira de Freitas

Laryssa Prado/Meon

O SindusCon-SP,  Regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, realizou um balanço do setor em 2016 e divulgou cenários para 2017, com destaque para a projeção do PIB setorial. Mário Cezar de Barros, diretor regional da entidade, se reuniu com empresários para abordar quais fatores devem ter melhorias e quais são as grandes dificuldades da recuperação do setor no próximo ano.

“Nós fechamos 2016 com um número negativo, – 5%. É um índice que não reflete a necessidade da construção civil, um dos maiores geradores de emprego do país, o que é motivo de preocupação. Os níveis de emprego da construção civil hoje estão similares aos de 2010”, diz Barros.

De acordo com o presidente do SindusCon-SP, o contexto econômico de incertezas, não só no Brasil, é uma das causas da crise no setor. “Isso é aliado à conjuntura política que estamos vivemos, como o hiato em que ficamos sem presidente, resultando em um cenário de decrescimento muito forte. Uma coisa é atrelada a outra. Se a pessoa perde o emprego ela não tem poder de compra. Se não tem poder de compra, não vai comprar o apartamento, e aí o empresário não vai construir”, conta.

O empresário e membro do Sinduscon-SP, Delfino Teixeira de Freitas, complementa: “Quem não pode comprar um apartamento vai morar com o pai, com o amigo, troca o apartamento por um mais barato. Além disso, a nossa mão de obra também é muito afetada, porque o funcionário da construção civil tem dificuldade em se adaptar a um outro setor, a atividade que ele exerce é muito específica”, explica.

De acordo o MTE, Ministério do Trabalho e Emprego, de outubro de 2015 a outubro de 2016, o Brasil perdeu 441 mil empregos com carteira no setor. Entre as principais cidades da RMVale, Taubaté foi a que apresentou o maior índice de demissões em outubro deste ano, 391. São José dos Campos teve um valor um pouco menor, mas também preocupante: 336 demissões. A única cidade com saldo positivo foi Caraguatatuba, que gerou 23 contratações.

“Caraguá vive um cenário diferenciado do restante da RMVale, está passando por uma obra de grande porte, que é a construção do rodoanel, com previsão de término só para o final do ano que vem. A obra está com um ritmo bastante acelerado. Mas agora nos próximos indicadores isso vai cair um pouco por conta da época de chuvas, que causa redução de produtividade”, explica o presidente do SindusCon-SP.

Apesar dos números, Barros diz que a região está dentro de um contexto nacional. “Não estamos nem melhor nem pior. O estado de São Paulo é a melhor região do país para se investir, economicamente mais forte, mais estruturado, mas mesmo assim teve queda em suas atividades”, diz.

Previsão para 2017

Os empresários e o sindicato tem esperança de melhora no próximo ano, mas ressaltam que isso depende de incentivo governamental. “Precisamos de estabilidade política, ajuste fiscal, reforma da previdência, fim do sistema de corrupção. Isso vai dar confiança ao empresariado e amparo político para que ele possa retomar as suas atividades. Acreditamos que com isso vamos crescer na faixa de 0,5% no ano que vem”, diz Mário Cezar de Barros.

Para Fracisco Roxo,  diretor adjunto do Sinduscon-SP e proprietário da construtora Oliveira Roxo, mesmo com a melhora da economia, o grande estoque no mercado ainda preocupa. “Em condições normais, em menos de 5 anos esse estoque seria vendido, mas hoje a pessoa não tem confiança para fazer um investimento de longo prazo. Esse estoque tem que ser consumido para que se possa construir novamente, e tudo isso demanda tempo, mas nós precisamos de uma retomada imediata. Mesmo com o crescimento de 0,5%, ainda não é o que a gente precisa”, diz.

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