Em tempo de crise hídrica, cidades usam poços artesianos na RMVale
Em tempos de crise hídrica, a falta de chuva preocupa a maioria das cidades abastecidas pelos reservatórios de água que estão secando em diversas partes do estado de São Paulo. Na RMVale, o Paraíba do Sul abastece a maioria das cidades, mas ainda existem lugares que mesmo à beira do rio, retiram água apenas de poços artesianos, como acontece em Caçapava, Lorena e Roseira.


Represa do Jaguari já mostra traços marcados da seca na RMVale
Flávio Pereira/Meon
Em tempos de crise hídrica, a falta de chuva preocupa a maioria das cidades abastecidas pelos reservatórios de água que estão secando em diversas partes do estado de São Paulo. Na RMVale, o Paraíba do Sul abastece a maioria das cidades, mas ainda existem lugares que mesmo à beira do rio, retiram água apenas de poços artesianos, como acontece em Caçapava, Lorena e Roseira.
Segundo a Sabesp, tem aumentado o uso de poços artesianos no Brasil. O Estado de São Paulo é atualmente o maior usuário de reservas subterrâneas do país. Cerca de 65% da zona urbana e aproximadamente 90% das indústrias paulistas são abastecidas, de forma parcial ou total, por poços artesianos.
Em Caçapava a população é abastecida apenas por poços artesianos. Segundo o gerente da Sabesp na cidade, José Galvão, o sistema contudo deve mudar nos próximos cinco anos. “Água de poço custa quinze vezes mais para ser extraída que a dos rios. Outro ponto é que o lençol freático não se refaz assim rápido, o poço tem vida útil de uns 20 anos e como a cidade já tem quase cinquenta poços, entre ativos e desativados, já estamos desenvolvendo o projeto de uma estação de captação no Paraíba”.
A cidade possui hoje 25 poços ativos que fornecem cerca de 700 mil metros cúbicos de água por mês. Entre as vantagens está a qualidade da água, que é superior à encontrada nos rios. “A água do poço artesiano é produzida 300 metros abaixo da terra, carregada de minerais, filtrada por anos até chegar nos lençóis freáticos de onde são extraídas. São puríssimas, precisam de menos tratamento químico que a do rio para chegar nas casas e acaba sendo melhor que a tirada de outras fontes”, explica o gerente.
Questionado sobre a possibilidade dos poços substituírem as represas no abastecimento na RMVale, por causa da crise hídrica, Galvão explica que isso não seria uma possibilidade. “Seria um tiro no pé. Você gasta muito mais energia para produzir água no poço e com isso precisa de mais água para gerar energia. Não teria sentido”.
Preocupações
Nesta sexta-feira (4), os reservatórios da RMVale atingiram o menor índice do ano, com 27,8% de sua capacidade total. A situação mais crítica acontece na represa de Paraibuna, que chegou a registrar um nível de 21, 8% esta semana.
Para preservar os reservatórios da região a ANA (Agência Nacional de Águas), a pedido da Ceivap (Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul), prorrogou até o dia 31 de julho a redução da vazão das águas do Rio Paraíba do Sul na barragem de Santa Cecília, em Barra do Piraí, na divisa com o estado do Rio de Janeiro.
Para o geólogo e especialista em recursos hídricos, Edilson de Paula Andrade, a ANA deve diminuir ainda mais a vazão até novembro, quando os reservatórios da região devem chegar a uma média de 5% do volume total de água. Neste segundo mês a redução foi mantida, numa proporção de 190 para 173 metros cúbicos por segundo. “É preciso fazer um monitoramento da estação de tratamento no Rio de Janeiro, para ver até que ponto é possível diminuir e o Rio pegar água sem tantos detritos de esgoto, que são jogados diretamente no rio Guandú. Enquanto der para baixar sem prejudicar este processo, a ANA e a Ceivap, vão baixar a vazão para tentar preservar os nossos reservatórios”, detalha o especialista, que também faz parte do grupo de operação dos reservatórios da Ceivap.
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