Engenheiro do BRT do Rio alerta São José para desapropriações

Com 95 km de BRT (sigla em inglês para Ônibus de Transporte Rápido) em atividade, o Rio de Janeiro é uma das cidades que serviram de modelo para a implementação do Mobi -o BRT joseense-, cujo projeto está em fase de licitação. Por lá, a solução de mobilidade está em atividade há dois anos e acumula boas experiências.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Cerca de 4 milhões de pessoas por mês utilizam o BRT no Rio

Flávio Pereira/Meon

Com 95 km de BRT (sigla em inglês para Ônibus de Transporte Rápido) em atividade, o Rio de Janeiro é uma das cidades que serviram de modelo para a implementação do Mobi -o BRT joseense-, cujo projeto está em fase de licitação. Por lá, a solução de mobilidade está em atividade há dois anos e acumula boas experiências.

Mas a implantação do novo modal de transporte teve problemas com desapropriações. O mesmo pode ocorrer quando o projeto for iniciado em São José. O alerta é do engenheiro civil da Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro Luiz Gustavo de Oliveira Barreto, um dos especialistas que teve participação efetiva no projeto do BRT cacioca. Barreto apresentou a experiência no Seminário Internacional de Mobilidade Urbana, que aconteceu em São José, durante palestra na quinta-feira (30).

Nos dois eixos que estão funcionando -o projeto prevê a construção de mais dois-, a média do BRT do Rio é de 4 milhões de passageiros por mês. São 229 ônibus articulados e 57 estações. Contando as paradas para entrada e saída de passageiros, os veículos mantêm velocidade média de 35 km/h, o que vem diminuindo, em mais da metade, o tempo de deslocamento dos passageiros.

Barreto afirma que a aceitação do público no Rio vem sendo gradativa e a tendência é aumentar à medida que os benefícios para o uso do transporte público vão ficando mais evidentes.

“Um dos eixos, por exemplo, o Transoeste, começou com uma demanda diária de 90 mil pessoas e, agora, já ultrapassamos as 180 mil. O que esses números sugerem é que realmente as pessoas têm abandonado seus carros na garagem para andar de BRT”, garante.

Por meio de um acordo com as 47 permissionárias de transporte que atendem a cidade do Rio de Janeiro, as negociações com as empresas de ônibus foram facilitadas. Para concorrer, todas se dividiram em apenas quatro consórcios para atender as vias do BRT. Cada um deles fica responsável pela adaptação dos ônibus ao sistema utilizado no BRT e pela manutenção das estações.

“Claro que isso significa um custo a mais para as empresas, mas, a médio prazo, esses custos vão se diluindo ao passo que cada ônibus do BRT transporta um número maior de passageiros, o que significa menos ônibus nas ruas e mais economia para as empresas. Assim, conseguimos manter as passagens sem promover aumentos”, afirma.

Desapropriações 
Embora a Prefeitura de São José diminua o impacto das desapropriações nos eixos por onde vai passar o BRT joseense, de acordo com Barreto, durante as audiências públicas que definiram as características do projeto, este foi o maior problema enfrentado pela administração.

“Esta é a parte mais complicada porque as pessoas não querem abandonar suas casas ou mudar seus pontos de comércio. A discussão nesse sentido é ferrenha e acredito que seja a parte mais complicada do processo”, diz.

Depois de implementado o BRT, a secretaria carioca passou a lidar também com outros problemas, desta vez referentes à falta de educação no trânsito. Carros que invadem a faixa dos ônibus, pedestres atravessando em locais inadequados e conversões perigosas são algumas das infrações cometidas.

“Acho importante que a Prefeitura de São José também atente para esses problemas para que o projeto seja ainda mais alinhado com a realidade da cidade”, sugere.

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