Especial: São José de Todas as Artes

Município é considerado como Capital Cultural do Estado de São Paulo

Escrito por: Meon Redação7 min de leitura
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Capital Cultural do Estado de São Paulo. O prêmio foi conquistado por São José dos Campos em 2019, por meio da Fundação Cultural Cassiano Ricardo (FCCR), como um dos municípios paulistas que mais investem em cultura. As artes estão presentes em escolas públicas, casas de cultura e parques em diversos pontos da cidade estimulando e inspirando novos talentos. Entre as iniciativas da FCCR, destacam-se o Festidança e o Festivale, que estão entre os principais festivais nacionais de dança e teatro, respectivamente.

Nos 255 anos de São José, o Grupo Meon conversou com alguns artistas da cidade, joseenses natos ou de coração, em homenagem a todos que se dedicam às artes em São José dos Campos.

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ANA CAROLINA REIS

Destaque do ballet clássico, a joseense Ana Carolina Reis é a primeira brasileira formada na escola russa de Edgar Bolshoi. Ela se apaixonou pela dança logo cedo, aos cinco anos. Na escola em que fazia o ensino regular deu os primeiros passos no ballet, mas dificuldades financeiras fizeram com que a artista colocasse a paixão em segundo plano.

Aos 12 anos de idade, ela calça as sapatilhas novamente na Academia de Ballet Clássico Eleonara Oliosi, onde estudou do período de 1993 até 1997 na cidade. A instituição joseense tornou possível o contato da aluna com pessoas que abriram portas para a carreira artística internacional. A falta de recursos deixou de ser um obstáculo e patrocinadores passaram a reconhecer o talento de Ana Carolina, lhe dando a condição de aceitar um convite para participar de um curso de férias na Ballet Bolshoi Academy na Rússia, uma das escolas de dança mais bem qualificada no mundo. Além dessa oportunidade de estudar no exterior, outras também foram oferecidas, mas o desejo de aprender diretamente da fonte falou mais alto.

Enquanto esteve na Ballet Bolshoi a bailarina apresentou em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a coreografia “Copacabana”. Os passos foram escolhidos por Dalal Achcar, na época, presidente da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A apresentação foi especialmente marcada pelo país tropical, com bailarina brasileira, chorinho brasileiro e coreografia brasileira.

Ana Carolina morou na Europa até se formar em 2001. Voltou para o Brasil e colaborou na formação de suas três irmãs: Elizabeth, Josiane e Nathália Reis, que também escolheram a dança por espontaneidade. De fato, o talento corre no sangue.

Hoje, mais de 20 anos após o primeiro contato de Ana Carolina com a dança, o ballet clássico persiste sendo uma arte elitizada, afastando meninos e meninas de comunidades dos sonhos. A percepção da ausência de instituições para acolher e aprimorar os talentos dessas crianças moveu as irmãs a fundarem em São José dos Campos, o Centro de Artes Pas de Quatre. O espaço desperta o talento de crianças que talvez nunca ti – vessem acesso à cultura e oportunidades na área. A bailarina segue com apresentações de espetáculos e workshops por todo o mundo, mas mesmo assim, não se esquece de sua base.

RICARDO MARTINS

Fotógrafo nascido em São José dos Campos, filho de pantaneiro, se apaixonou pela natureza durante visitas ao Pantanal ainda na infância. Aos dez anos de idade aconteceu o primeiro clique fotográfico, de uma cobra cipó em galhos secos de uma árvore. Tudo o que pratica foi adquirido por observação da mata, dos animais, da luz do sol e da lua. “O Pantanal fez com que eu me apaixonasse pela fotografia e a Mata Atlântica me ensinou a fotografar.”, relata Ricardo.

De uma família de advogados, surgiu o artista que teve como maior incentivo a crença em si mesmo. A maior dificuldade foi encontrar na arte, uma fonte de renda. Quando finalmente compreendeu que precisava se despir das vestes artísticas de fotógrafo e se vestir de estrategista mercadológico, o retorno financeiro começou a surgir.

A primeira obra nasceu a partir da ideia de que aves eram pinturas, Ricardo não queria uma fotografia comum de pássaros pousando na natureza, então considerou esses animais como obras de arte. Montou um cenário de fundo preto e conforme as aves voavam a frente dele, fazia os cliques em baixa velocidade. Teve como resultado fotos com aparência de quadros pinta – dos pois as cores dos pássaros coloriram todo o fundo escuro. Na sequência, outros cliques foram realizados e deram origem ao primeiro livro: “O Encanto das Árvores”, considerado uma das obras de maior destaque do artista.

TUCA IRALÁ

Artista plástica, ilustradora, muralista, designer de superfície e educadora, já teve suas obras expostas em galerias internacionais. Nasceu em Limeira, mas durante a maior parte da infância esteve em São José dos Campos, pois o pai resolveu mudar-se com a família para uma cidade que oferecesse melhores oportunidades. No município, estudou na escola Tecelagem Parayba, de onde tem memórias “do brincar, do fazer, do conhecer”. Seu contato com a arte se deu logo aos cinco anos de idade, pois a mãe era restauradora e pintora. Nunca se prendeu a limitações de folhas quadriculadas para desenho ou então livros infantis para colorir. “A arte é por expressão, transferência do interno para o externo. Essa transferência hoje está estereotipada; as pessoas procuram aprender técnicas enquanto o processo é inverso. A criança nasce artista e se expressa em todo tempo. O adulto e a escola é que começam a po – dar e querer colocar a gente dentro de um quadradinho. Eu acho que depois, quando você já tem autonomia de vali – dar a sua expressão, é que você começa a procurar recursos de desenhos para aprimorar o seu trabalho”, explica.

Quando criança deixava os azulejos da parede da casa da avó pretos de grafite que utilizava para desenhar. Ao completar a idade adequada Tuca foi estudar na Faculdade Belas Artes em São Paulo, onde pôde ter conhecimento de técnicas de desenho e pintura. Após se formar teve contato com diversos colegas de profissão, que contribuíram para sua evolução como artista. Ela conta que as inspirações para criação vêm não somente das referências apresentadas por clientes que a procuram, mas principalmente da natureza. “Ela me traz muitos traços, muitas cores, muitas referências. A natureza é muito movimento e ideias, ela não tem escassez. Quanto mais você procura mais ela te traz. De uma mesma folha que encontro no chão vem uma ideia; a sombra que faz sobre essa folha, o desenho gráfico dessa folha, a morfologia dela. Tudo isso me inspira, eu vou navegando, minha mente viajando e eu vou me encontrando junto com as tintas. A partir da observação é que vem o processo de como a ideia vai se transformar.” Tem como destaque as obras com as quais criou maior conexão, uma delas é um mural realizado em uma das bibliotecas do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Re – fugiados). A produção possibilitou o sentimento de empatia, a partir dos comentários que refugiados crianças, adultos e idosos faziam da obra. Seu trabalho não parou nas artes, o desejo de propagar o acesso à arte cresceu tanto que Tuca resolveu se especializar na área de educação artística e por acreditar que desenvolver a arte internamente é um direito de todos desde a infância, hoje atua como arte educadora, auxiliando os pequenos a se libertar dos quadradinhos que limitam a criatividade.

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