Especial Metrópole Magazine: O que eles têm para a RMVale (06/2018 – edição 40)
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Confira a reportagem publicada da 40ª edição da Metrópole Magazine, que circulou em junho deste ano, que trouxe a entrevista com pré-candidatos ao Governo do Estado.

O que eles tem para a RMVale
Metrópole Magazine
O que eles têm para a RMVale
Por Elaine Santos
A Metrópole Magazine traz o perfil dos principais pré-candidatos à disputa do Governo do Estado de São Paulo, que este ano terá pleito acirrado em outubro. A escolha dos entrevistados seguiu dados de pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, divulgada em 16 de abril de 2018. Com histórico de uma hegemonia de 24 anos regido pelo PSDB, o governo do Estado de São Paulo ganha ainda mais status no cenário político nacional como ponto de honra para os demais partidos. Seguindo a tradição das urnas, o candidato tucano João Dória aparece em primeiro lugar nas intenções de votos, com 29%, seguido de Paulo Skaf (MDB), com 20%, Marcio França (PSB), chega a 8%, Luiz Marinho (PT), aparece com 7%. Candidatos de partidos como NOVO, REDE E PSOL também aparecem na pesquisa, porém com menos de 3% das intenções de votos. Foram realizadas 1.954 entrevistas presenciais em 68 municípios paulistas. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos considerando um nível de confiança de 95%. Brancos e nulos alcançaram 26% e indecisos 5%.
João Dória (PSDB)
João Doria é um político brasileiro filiado ao PSDB, foi eleito prefeito da cidade de São Paulo em 2016
Nascimento: 16 de dezembro de 1957 (60 anos), São Paulo, SP
Formação: FAAP
Profissão: Empresário, jornalista e publicitário, João Doria apresentou programas como O Aprendiz (TV Record), fundador do Grupo Doria, está à frente do Market Plaza, em Campos do Jordão.
Atuou como secretário Municipal de Turismo e presidente da PAULISTUR, entre 1983 e 1986, na gestão de Mário Covas na Prefeitura de São Paulo. Também presidiu a EMBRATUR. Em 2014, foi eleito um dos 100 líderes de melhor reputação do Brasil, em pesquisa feita pela empresa europeia Merco. João Doria é casado com a artista plástica Bia Doria e tem três filhos: Jhonny, Felipe e Carolina
Quais os principais pontos a serem trabalhados em pré-campanha que vão refletir positivamente para a RMVale?
▸ O programa de Governo que estamos elaborando irá focar principalmente nas políticas de educação e geração de empregos, temas que afetam todas as regiões do Estado, mas principalmente aquelas mais industrializadas como é o caso da RMVale. Ao tratar de educação estaremos influenciando o projeto de vida dos jovens cidadãos paulistas, preparando-os para os desafios do futuro, aonde esperamos reduzir desigualdades e oferecer melhores oportunidades de ensino de qualidade a toda população do Estado. É claro que não bastará dar continuidade às boas políticas públicas de educação que já vinham sendo conduzidas pelo Governador Geraldo
Alckmin. Será preciso fazer mais e se possível melhor, é isto que a população espera de nós. Pretendemos introduzir novas iniciativas e aprimorar as existentes, desde a primeira infância, através do apoio financeiro e de gestão às creches sob responsabilidade dos municípios, até a fase do ensino técnico profissional e universitário para milhões de jovens e adultos.
Quais projetos para a região constam como base de trabalho de sua pré-campanha?
▸ No Vale do Paraíba já existe uma razoável estrutura industrial, com importantes empresas brasileiras e multinacionais instaladas desde as décadas de 70 e 80. O fato é que as indústrias enfrentam hoje em dia um novo desafio tecnológico da chamada indústria 4.0, e para isto será preciso um forte programa regional de ensino técnico profissionalizante para formar novos tecnólogos através de programas de atualização tecnológica e de capacitação profissional. A estrutura das Fatec’s na região já abrange oito municípios
(São José dos Campos, Jacareí, Taubaté, Pindamonhangaba, Guaratinguetá, Cruzeiro, Bragança Paulista, e São Sebastião) e oferece milhares de vagas por ano para os habitantes do Vale. A nossa futura gestão pretende dar continuidade a este excelente programa. Mas pretendemos aumentar substancialmente as vagas disponíveis e aprimorar ainda mais a qualidade do ensino através do treinamento e seleção de professores, dar maior utilização da ferramenta de ensino à distância, e da instalação de novos centros de tecnologia e inovação, visando estimular a pesquisa tecnológica e o empreendedorismo regional.
Como o senhor define o momento político em que se encontra o país e o que fará em seu governo, se eleito, para a transparência nas contas públicas do Estado?
▸ Quando assumirmos em 2019 o Governo de São Paulo, vamos introduzir uma abordagem nova, confiável, eficiente, corajosa, capaz de enfrentar os obstáculos da burocracia e do corporativismo que prejudicam o desempenho da economia estadual, e assim quebrar paradigmas em nome da boa gestão pública. Isto é que fará a diferença no futuro. Vivemos hoje no país uma crise múltipla, de natureza econômica, social, e ética. A população indignada com o estado da economia e da política, exige mudanças na forma de governar e de se relacionar com seus governantes. Governar é um processo de escolha. O processo de escolha é uma decisão em nome da sociedade e de seus eleitores, definindo quais serão as prioridades de investimento e de despesas públicas a serem realizadas em seu nome e com seu mandato. Quem elege muitas prioridades e promete mundos e fundos, na verdade acaba não tendo nenhuma
prioridade, e provavelmente estará mentindo para a população de forma deliberada. Os eleitos devem reavaliar as decisões do passado, (corrigi-las se e quando necessário), tomar decisões no presente, e planejar as metas do futuro, sobre quanto, onde, e como irão ser alocados os escassos recursos públicos.
Dados do Caged divulgados em maio deste ano mostram que nenhum município da RMVale está entre as 50 cidades que mais geraram emprego no Estado. Como reverter essa situação?
▸ Emprego não cai do céu, ele é fruto de uma combinação de fatores que precisam existir para que a geração de empregos aconteça. Sem se investir na educação básica e profissional, sem disponibilizar uma infraestrutura de logística integrada e eficiente, sem a oferta de energia competitiva e abundante, sem um ambiente de negócios atrativo e seguro, sem uma conjuntura econômica favorável, prometer mais e melhores empregos será uma mentira grosseira, populista, demagógica. Gerar empregos deve ser uma preocupação de todos governantes, mas saber planejar, executar, e cumprir um programa de governo com esta prioridade são outros quinhentos. Poucos são aqueles candidatos que têm efetiva experiência empresarial, que têm compromisso com uma gestão profissional, eficiente, transparente, e que por isto vai apresentar os resultados prometidos. A nossa gestão será uma gestão apaixonada pela educação e obcecada com a geração de renda e emprego para a população paulista. Oportunidade de educação e a segurança da dignidade pessoal e profissional do emprego de qualidade para os paulistas serão diretrizes que ocuparão todos os dias os corações e as mentes daqueles que vierem a integrar a futura administração estadual João Doria.
A RMVale é a mais violenta do interior do Estado. Como trabalhar para reduzir esse índice?
▸ Segurança pública se afigura hoje em dia como um grave problema social. O medo da violência massacra a qualidade de vida dos cidadãos de bem. Caberá ao Governo Estadual melhorar e muito a segurança pública nos grandes centros urbanos do Estado, e em especial no Vale do Paraíba, aonde os índices de crimes são alarmantes. No programa de Governo João Doria especial atenção será dada a este tema e um elenco de medidas deverá ser relacionado de forma a transformar para melhor a atual crítica situação da segurança nos principais municípios da região. Certamente a inteligência investigativa e preventiva, através de modernos sistemas
de tecnologia digital, poderá aprimorar muito a eficiência da polícia militar e civil. Também o melhor treinamento dos policiais e da gestão do efetivo policial poderá fazer diferença. Tudo isto e muito mais pode e deve ser feito. Jamais deve-se deixar os cidadãos indefesos diante de criminosos organizados e armados, quase sempre associados as práticas do tráfico de drogas.
Paulo Skaf (MDB)
Paulo Skaf é um político brasileiro filiado ao MDB, é presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) Nascimento: 7 de agosto de 1955 (62 anos), São Paulo, SP
Formação: Universidade Presbiteriana Mackenzie
Profissão: Empresário, Paulo Skaf iniciou sua trajetória no setor industrial. Entre as décadas de 70 e 80 foi diretor de uma tecelagem da família, que tinha uma sede em Pindamonhangaba.
Profissão: Empresário, Paulo Skaf iniciou sua trajetória no setor industrial. Entre as décadas de 70 e 80 foi diretor de uma tecelagem da família, que tinha uma sede em Pindamonhangaba.
Em 2004, foi eleito presidente da Fiesp, do Ciesp, do Sesi-SP, do Senai-SP e do Instituto Roberto Simonsen (IRS), cargo que ocupa até hoje. Implantou a educação em tempo integral, no Sesi, que hoje é a maior rede de ensino privado do país. Paulo Skaf é casado com Luzia e tem cinco filhos: Paulo, André, Raphael, Gabriel e Antoine. Também é avô de quatro netos.
Quais os principais pontos a serem trabalhados em pré-campanha que vão refletir positivamente para a RMVale?
▸ Quero ser governador de São Paulo para transformar em realidade meu sonho de resolver as coisas de forma definitiva no Estado. Estamos encerrando um ciclo de mais de 20 anos com o mesmo grupo no comando e vemos que continuam sem solução muitos dos problemas que se arrastam há décadas. Isso tem que mudar. Com seu parque tecnológico de ponta e sua vocação para ciência e indústria de alta tecnologia, sem dúvida o Vale do Paraíba terá papel fundamental em nosso plano de transformar o Estado de São Paulo no Vale do Silício brasileiro. Além, é claro, dos demais pontos que estamos propondo, que vão impulsionar o Estado como um todo, incluindo a região do Vale. Um dos principais é nosso plano para revolucionar a educação no Estado, levando para a rede estadual de escolas públicas e de formação profissional o padrão de qualidade, a ética e a experiência de sucesso que desenvolvemos no Sesi-SP e no Senai-SP. Uma formação de qualidade, moderna, voltada para os conhecimentos que serão relevantes nas próximas décadas, é absolutamente prioritária para desenvolver a região e o país, criando condições de competir em um mercado tão complexo e que evolui tão rapidamente. Também é necessário coordenar os diferentes tipos de unidades da saúde existentes, para que o sistema funcione da forma como foi projetado, com foco na atenção básica e resolubilidade logo no início do tratamento, sem ficar empurrando as pessoas de um lado para o outro. São medidas que terão impacto em toda a região do Vale. E sem dúvida o desenvolvimento generalizado do Estado também trará muitos benefícios para a região.
Quais projetos para a região constam como base de trabalho de sua pré-campanha?
▸ A infraestrutura do Vale precisa de reforço e é prioritária. São José dos Campos é um dos eixos de nosso projeto para ligar as principais regiões metropolitanas do Estado por meio de ferrovias, facilitando o acesso às regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Sorocaba e Santos. É um projeto para impulsionar a economia do Vale e de todo o Estado, com o melhor acesso aos produtos e ao mercado da região. Além disso, daremos prioridade à finalização das obras na Rodovia dos Tamoios, o que deve beneficiar toda a economia da região graças ao aumento da capacidade de escoamento de produtos para o porto de São Sebastião e à maior integração com o litoral, incentivando o turismo. O porto tem um potencial enorme para a economia da região, mas ainda é muito pouco explorado. Com a aceleração das atividades do Pré-Sal, as atividades portuárias serão cada vez mais demandadas e contribuirão enormemente para a economia do Vale, atraindo investimentos e gerando novos empregos e renda. Cabe ao Governo do Estado fornecer as condições necessárias para que esse cenário se concretize.
Como o senhor define o momento político em que se encontra o país e o que fará em seu governo, se eleito, para a transparência nas contas públicas do Estado?
▸ O Brasil vive um momento de virada na política, com maior participação e mais demandas da sociedade; isso é muito positivo e confere aos políticos uma responsabilidade ainda maior. Temos que rever a forma de fazer política no país. Precisamos de uma política moderna, baseada na incorporação das tecnologias disponíveis e nas melhores práticas de compliance e transparência no setor público. O Governo do Estado já disponibiliza seus gastos e receitas, através do Portal da Transparência e da Secretaria da Fazenda do Estado. Qualquer cidadão tem acesso a esses registros desde 2010 e tem a possibilidade de consultá-los segundo várias
categorias de classificação, como origem da receita, tipo de despesa em que foi empenhada, nome da ação do governo, quem recebeu esse dinheiro, e muito mais. É uma ferramenta indispensável para que o cidadão tenha acesso às ações de Governo e possa participar mais ativamente na destinação dos recursos públicos.
Dados do Caged divulgados em maio deste ano mostram que nenhum município da RMVale está entre as 50 cidades que mais geraram emprego no Estado. Como reverter essa situação?
▸ A atividade econômica está no início do processo de retomada, e o emprego deve começar a se recuperar com mais vigor neste ano. Não tenho dúvida que a situação do emprego melhorará muito no Vale nos próximos anos; com as políticas certas poderemos avançar ainda mais para estimular a criação de emprego na região. O Vale tem papel importantíssimo na vida econômica brasileira, é um polo industrial e tecnológico de ponta, com relevância nacional. E tem um setor de serviços vigoroso, bem como um potencial turístico enorme, com belos destinos de serras e praias que podem ser explorados ao longo do ano inteiro.
A RMVale é a mais violenta do interior do Estado. Como trabalhar para reduzir esse índice?
▸ Infelizmente o crime está tão espalhado que é até difícil falar em regiões mais violentas. Não há um padrão de violência localizada na região. Outros municípios que estão entre os mais violentos estão espalhados pelo Estado, em áreas bem distintas, como Litoral Sul, Região Metropolitana de São Paulo e Oeste Paulista. Nos últimos anos tivemos alguma melhora no índice de homicídios do Estado, mas isso está longe de ser o bastante. Em apenas 1 hora no Estado temos em média 1 homicídio ou tentativa de homicídio e 34 roubos, 1,26 estupro e 1,4 roubo de carga. É muita coisa. Precisamos enfrentar a criminalidade no Estado utilizando todos os recursos das nossas polícias; com foco na prevenção, mas também no uso da inteligência, no fortalecimento da polícia científica, da investigação e apuração da criminalidade. Só assim podemos atacar a raiz do problema e conter essa onda de violência que observamos no país todo. Se Deus me der essa oportunidade de ser governador do Estado de São Paulo vou trabalhar sem descanso até eliminar esta
crise de segurança que vivemos e que tanto nos tira a tranquilidade.
Márcio França (PSB)
Márcio Luiz França Gomes é um político brasileiro filiado ao PSB, é o atual governador do estado de São Paulo desde 6 de abril de
2018 Nascimento: 23 de junho de 1963 (54 anos), São Vicente, SP
Formação: Universidade Católica de Santos
Profissão: Advogado, Márcio França foi vereador em São Vicente por duas vezes e também prefeito da cidade por dois mandatos
(1997-2000 e 2001-2004)
Em 2000 foi reeleito com 93,1% dos votos válidos. Foi também eleito duas vezes deputado federal por São Paulo (em 2006 e em 2010), foi secretário de Turismo e também de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado, além de vice-governador. Casado com a professora Lúcia França, tem os filhos Caio, deputado estadual, e Helena, pedagoga, e dois netos, Enzo e Laura.
Quais os principais pontos a serem trabalhados em pré-campanha que vão refletir positivamente para a RMVale?
▸ O Governo do Estado tem várias ações em andamento no Vale do Paraíba e no Litoral Norte. Na área da saúde, por exemplo, serão concluídos neste ano o Hospital Regional em Caraguatatuba e as novas Clínicas Saúde em Ação, que são quatro (duas em Ubatuba, uma em São Sebastião e uma em Caraguatatuba). Foi inaugurado o hospital de São José dos Campos, que já está em funcionamento e em breve deve passar a operar em plena capacidade. Em convênio com o Estado, a Prefeitura de Taubaté está executando as obras do AME (Ambulatório Médico de Especialidades), com previsão de término para 2018 e a unidade da Rede Lucy Montoro de Reabilitação, prevista para o ano que vem. Na educação básica, entregamos doze creches desde 2011, somando 1.560 vagas. Há mais dez em obras e mais uma prevista, que vão adicionar mais 1.430 vagas ao sistema. Também agimos na área da habitação: entregamos na região 34.473 unidades habitacionais e temos mais 1.742 em obras. E há vários outros pontos em que estamos trabalhando.
Quais projetos para a região constam como base de trabalho de sua pré-campanha?
▸ Um grande gargalo que temos em nosso país – e é assim também no Vale do Paraíba – é a infraestrutura de transportes. Por isso, essa área as nossas ações são contínuas: já entregamos o prolongamento da rodovia Carvalho Pinto de Taubaté até a Rodovia Oswaldo Cruz e estamos duplicando o trecho de serra da Rodovia dos Tamoios – nessa rodovia, vale dizer, as obras dos contornos também já estão adiantadas. Ampliamos as vagas da Univesp (Universidade Virtual do Estado de São Paulo) na região, projetos para a ertificação
de Municípios de Interesse Turístico – os MIT – novas creches-escola, escolas, unidades habitacionais em construção, hospitais e muitas outras novidades. E estamos sempre abertos a ouvir as sugestões e reivindicações dos representantes da região, de modo a fazer ainda mais.
Como o senhor define o momento político em que se encontra o país e o que fará em seu governo, se eleito, para a transparência nas contas públicas do Estado?
▸ Vejo que os brasileiros estão ressabiados, desconfiados em relação à política e aos políticos. Cabe a nós, que ocupamos cargos públicos, recuperar essa confiança com ações corretas e transparentes. Acredito que um fator importante seja nós termos capacidade de realizar uma reforma política, coisa complicada porque mexe com uma série de posições e privilégios já estabelecidos há muito tempo – mas é preciso ter essa coragem e essa determinação para reformar o nosso modelo político. O Estado de São Paulo, por meio do Portal da Transparência e do Governo Aberto, tem canais que podem ser acessados por qualquer cidadão. Ali estão todos os dados do governo, salários, investimentos, prestações de contas, informações sobre funcionalismo, tudo enfim. Nosso dever é fazer com que essas fontes de informação estejam sempre atualizadas e que contem com as mais recentes tecnologias de acesso, para que todos, sem exceção, possam saber de tudo o que se passa aqui e conhecer tudo o que fazemos.
Dados do Caged divulgados em maio deste ano mostram que nenhum município da RMVale está entre as 50 cidades que mais geraram emprego no Estado. Como reverter essa situação?
▸ Com a reação, mesmo que tímida, da economia brasileira, nós já podemos ver uma melhoria nos índices de emprego na região. A RMVale teve saldo positivo de geração de emprego no mês de abril, na soma de vagas em 2018 e nos últimos doze meses. No saldo deste ano, inclusive, temos sim duas cidades entre as cinquenta que mais geraram emprego: Pindamonhangaba e Guaratinguetá. A capacitação profissional é também um caminho, pois em uma região onde há empresas de vanguarda tecnológica esse é um grande diferencial. Por isso temos onze Etecs e sete Fatecs na região, além de dez novos polos da Univesp, o que eleva o total dessas unidades para 29 na RMVale, com mais de 1.300 vagas abertas. Incentivar o turismo, facilitar o acesso das pessoas e cargas à região, criar um ambiente economicamente atraente com infraestrutura adequada, tudo isso somado é que pode melhorar esse quadro.
A RMVale é a mais violenta do interior do Estado. Como trabalhar para reduzir esse índice?
▸ Temos trabalhado sem parar para diminuir esses índices em todo o Estado. Não dá para “enxugar gelo”. Precisamos encarar a violência com ações criativas, inovadoras e eficientes. Uma delas é a criação do programa de alistamento civil voluntário para
jovens em situação de vulnerabilidade social, por meio do qual eles ganharão uma bolsa para trabalhar em prol da sociedade e, também, aprenderão uma profissão. E o nosso trabalho não para por aí: os roubos em geral caíram 22,77%, e o primeiro trimestre de 2018, comparado aos anos anteriores, foi o que teve menos roubos desde 2003 na região. Os roubos de carga também foram reduzidos em 27,87%, os latrocínios caíram pela metade, os furtos em geral diminuíram 14,1% e os furtos de veículos, especificamente, caíram 5,7%. Desde 2011, contratamos na região mais 626 policiais – 28 foram só em 2018. Também entregamos nos últimos 8 anos um total
de 891 novas viaturas policiais. Em 2014, criamos o BAEP – o Batalhão de Ações Especiais de Polícia – que conta com mais de 140 policiais. Além disso, temos investido em tecnologia: temos 202 câmeras OCR – com leitores de placas de automóveis – e de videomonitoramento no Litoral Norte e no Vale do Paraíba, instaladas em Caraguatatuba, São José dos Campos, Taubaté e em rodovias que cortam a região. É preciso vigilância constante, especialmente levando-se em conta a proximidade da região às divisas com outros estados.
Luiz Marinho (PT)
Luiz Marinho é um político brasileiro filiado ao PT, é presidente estadual do partido desde 2017.
Nascimento: 20 de maio de 1959 (59 anos), Cosmorama, SP
Formação: Não informou
Profissão: Metalúrgico, Luiz Marinho ingressou na Volkswagen em 1978, e se aposentou na montadora em janeiro do ano passado.
Em 2003, foi eleito presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Em 2005, assumiu o Ministério do Trabalho, onde implantou a política de valorização permanente do salário mínimo. Em 2007, foi para a Previdência, pondo fim às filas nas agências do INSS. Em 2008, foi eleito prefeito de São Bernardo, sendo reeleito no primeiro turno, em 2012. É casado com Nilza de Oliveira, pai de Marcos e Heloiza e avô de Luiz Eduardo e Thiago.
Quais os principais pontos a serem trabalhados em pré-campanha que vão refletir positivamente para a RMVale?
▸ Cerca de 40% do desemprego é de jovens. Um contingente que está começando sua vida laboral em busca de experiência e até mesmo de conseguir os meios para financiar a continuidade dos estudos. E esse jovem não está encontrando um lugar. Também não se encontra na escola, pois sabemos que o Governo do Estado de São Paulo oferece um péssimo ensino médio. Como melhorar a vida desse jovem e parar essa máquina de gerar pessoas despreparadas para o futuro? Eu vou promover um pacto pela educação no estado. Quero incorporar as universidades estaduais e federais para formular projetos de melhoria na qualidade de ensino. Utilizar os saberes acumulados na nossa rede de ensino, com profissionais da educação que desenvolveram ilhas de excelência nesse estado e em outros lugares do país, portanto valorizar a dedicação dos nossos profissionais da educação. Essa melhoria indispensável na qualidade do ensino tem que vir acompanhada da formação profissional. Por isso temos que investir no aumento de vagas no ensino profissional e criar bolsas para possibilitar a permanência desses jovens no ensino médio e reverter o quadro de abandono do ensino para jovens. Esse será meu foco.
Quais projetos para a região constam como base de trabalho de sua pré-campanha?
▸ O nosso primeiro passo é ouvir a região sobre quais as necessidades mais urgentes. Ninguém mais do que as lideranças regionais conhecem a realidade de cada local. E o governador do estado precisa liderar um processo juntando os prefeitos da região, os deputados da região, a academia, o setor produtivo, toda a classe política para debater amplamente quais os caminhos para a região. Mas um dos pontos que com certeza vai ter atenção especial no nosso mandato é a questão do turismo. O Vale tem um grande potencial turístico que precisa ser explorado de forma mais dinâmica para gerar riqueza e empregos.
Como o senhor define o momento político em que se encontra o país e o que fará em seu governo, se eleito, para a transparência nas contas públicas do Estado?
▸ O momento político do país é muito delicado. Essa situação foi muito bem resumida na campanha de marketing do governo “O Brasil voltou”. Retrocedemos a situação de emprego dos anos 90, o país voltou ao mapa da fome, a desigualdade de renda voltou a aumentar, enfim o Brasil voltou a tratar seus trabalhadores com a mesma injustiça que sempre tratou ao longo da sua história. As reformas, tão faladas, se mostraram ser uma ação contra os trabalhadores. A trabalhista já mostrou seus efeitos. Os dados mostram que os trabalhadores estão trocando a segurança da CLT pela precariedade de contratos com mais horas e menores salários. Nesta semana houve uma paralisação dos professores de escolas particulares de São Paulo. Isso mostra que a reforma está mexendo até com setores que se achavam alheios a suas consequências.
Dados do Caged divulgados em maio deste ano mostram que nenhum município da RMVale está entre as 50 cidades que mais geraram emprego no Estado. Como reverter essa situação?
▸ A RMVale é uma das regiões mais industrializadas do estado. Essa foi sua vocação ao unir as duas maiores capitais do país. Infelizmente, durante os anos tucanos, o desenvolvimento econômico e industrial foi deixado de lado. São Paulo perdeu suas indústrias para outros Estados do país. E pior, assistimos a esse processo sem presenciar uma única ação política por parte do Governo do Estado que pudesse conter esse movimento que se agrava ano a ano. São José dos Campos, para pegar o exemplo do município mais industrializado da região, contribuía com 5% no valor agregado na indústria de São Paulo em 2002. Em 2014 passou a contribuir com apenas 2,6%, metade do que contribuía em 2002. O estado de São Paulo está perdendo dinamismo para o Brasil e a região do Vale também está perdendo para outras regiões. Como um governador que quer resolver isso deveria agir? Primeiro, utilizando a força do estado mais importante do país para propor mudanças na política econômica para favorecer a indústria nacional. Segundo, e mais importante, liderar um processo de discussão do plano de desenvolvimento econômico e social para toda a Região Metropolitana do Vale. Temos que mapear as potencialidades em todas as áreas da economia. A região tem potencialidades que vão além da indústria, como o turismo e a agricultura. O produto desse mapeamento é o desenho de ações para toda a região, como o investimento em infraestrutura para superarmos os principais gargalos de escoamento da produção; a mobilidade urbana, com o investimento em trens regionais e diminuir a dependência do transporte rodoviário; aumentarmos a presença de universidades estaduais e federais na região com cursos voltados à vocação da região, enfim um conjunto de ações para retomarmos os empregos perdidos nos últimos anos.
A RMVale é a mais violenta do interior do Estado. Como trabalhar para reduzir esse índice?
▸ Temos que ter claro que a violência não é só um caso de polícia. É um problema que envolve o investimento em muitas áreas, com o foco no ser humano. Enquanto o governo do estado estiver construindo mais penitenciárias do que escolas, nós podemos até tentar resolver o problema de hoje, mas não resolveremos o problema no futuro. Hoje estamos oferecendo nossos jovens para serem aliciados pelo crime. As penitenciárias são as faculdades do crime. Temos que quebrar esse ciclo perverso com um pacto pela educação. O estado tem que tratar melhor seus jovens, seus professores e, principalmente, seus policiais. Quero valorizar esses profissionais que mais sofrem com a questão da violência. Um policial que lida com nossa comunidade só vai tratá-la bem se o estado estiver tratando bem a esse profissional. Não é o que ocorre com nossos policiais. Não adianta só aumentarmos o policiamento, precisamos ter policiais que trabalhem com respaldo técnico, capacidade investigativa, que passe por formação, que tenha condições salariais para dar uma vida digna a sua família, enfim que seja valorizado no exercício da sua profissão.
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