Estiagem faz marinheiro reencontrar barco afundado em Natividade

O reservatório de Paraibuna é um dos mais afetados até o momento com o período de estiagem na Região Metropolitana do Vale do Paraíba. Em Natividade da Serra, que completa nesta quarta-feira (13) 41 anos de existência, os impactos do tempo seco são ainda mais drásticos e mudaram a paisagem da cidade localizada às margens da represa.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
fundo_placeholder-023136

O reservatório de Paraibuna é um dos mais afetados até o momento com o período de estiagem na Região Metropolitana do Vale do Paraíba. Em Natividade da Serra, que completou na semana passada 41 anos de existência, os impactos do tempo seco são ainda mais drásticos e mudaram a paisagem da cidade localizada às margens da represa.

Na última sexta-feira (15), o relatório da Agência Nacional de Águas apontava que o nível da represa de Paraibuna está em 12,90%, o menor desde sua criação em 1970. A mudança no cenário típico de cidade já impacta em atividades rotineiras, como a travessia da balsa, que liga pelas águas da represa, Natividade à Redenção da Serra.

“Por enquanto ainda dá para atravessar, temos uma área com cerca de 40 metros de profundidade. O caso é que os marinheiros mais antigos dizem que há uma ilha submersa no trajeto, que pode não aparecer, mas enroscar na balsa. Enfim, o nível aqui está descendo quase 10 centímetros por dia”, conta o marinheiro, João Paula Souza Carvalho, 26 anos, que trabalha em uma das duas balsas que fazem o trajeto.

Impactos
Além da balsa, cidades como Natividade e Redenção da Serra dependem das águas da represa de Paraibuna para fomentarem seu turismo, principal atividade econômica daquela região.

No centro de Natividade da Serra, uma prainha para banhistas, ao lado da marina, costuma ser no verão uma das principais atrações da cidade. Com a estiagem, o lugar está seco e perigoso para banhistas. “O pedaço de areia está descoberto, seco. Aqui já é fundo. Se você reparar bem, até o cemitério da cidade antiga, que foi colocada debaixo dá água para a criação da represa, já começou a aparecer”, conta o mecânico Jair de Oliveira, 47 anos.

A única pessoa que está feliz na cidade com a estiagem é o pai de Jair, Luiz de Oliveira, 75 anos. Conhecido como Zico da Balsa, por ter sido marinheiro da travessia toda a vida, o aposentado tinha perdido um barco, que afundou. Graças ao baixo nível da represa, pode reencontrar a embarcação.

“Há mais de três meses que estava perdido embaixo da água. Quando foi essa semana apareceu e conseguimos resgatar. Essa aqui é a Arca do Zico (risos). Agora vamos limpar e colocar de novo para funcionar. Gosto de passear com a minha família”, conta o balseiro aposentado.

Zico da Balsa conta ainda que sente muita saudades da cidade velha que foi submersa e que espera que o tempo seco sirva ainda para conseguir ver algumas das construções, incluindo a antiga igreja, que ficou embaixo d’água quando a represa foi criada, na década de 70.

Publicado em:

Posts Relacionados