Estrangeiros do Mais Médicos têm rotina atribulada em São José

Os dias tem sido curtos para os 37 médicos estrangeiros recém-chegados a São José dos Campos por meio do programa Mais Médicos. Uma rotina apertada que concilia estudos e trabalho é a tônica das primeiras semanas dos 36 cubanos e uma argentina participantes do programa.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Os dias têm sido curtos para os 37 médicos estrangeiros recém-chegados a São José dos Campos por meio do programa Mais Médicos. Uma rotina apertada que concilia estudos e trabalho é a tônica das primeiras semanas dos 36 cubanos e uma argentina participantes do programa.

Provisoriamente em hotéis, os profissionais utilizam o pouco tempo livre tanto para o estudo do idioma quanto para afinar o relacionamento com as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) nas quais irão trabalhar ou que já atuam.

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Profissionais do programa Mais Médicos são apresentados em São José

Warley Leite / Meon

Cartões postais da cidade como os parques Vicentina Aranha e Santos Dumont, Banhado e outros pontos turísticos ainda são desconhecidos de grande parte dos estrangeiros. Com tempo curto, os profissionais também afirmam que não sobra muito espaço na agenda para visitar restaurantes e shoppings.

A cubana Yusimi Avila, por exemplo, prefere utilizar as horas de folga para manter contato com o filho de 11 anos, que mora na ilha. No Brasil há três meses, ela atua na UBS do Bonsucesso, zona norte de São José.

“Tenho ficado mais na internet me correspondendo com o meu filho, que mora atualmente com a avó. Não dá muito tempo para sair e conhecer a cidade. Estou focada nas demandas do trabalho e na minha adaptação ao país neste primeiro momento. Depois espero ter mais tempo para conhecer a região, que pelo que se pode ver, é muito bonita”, comenta.

Idioma
O português parece ser um obstáculo já superado pelos profissionais estrangeiros que atuam em São José dos Campos. As conversas fluem bem, interrompidas por uma ou outra paralisação por causa da diferença de idioma.

Na opinião da cubana Melba Lafita, a facilidade na comunicação acontece porque os profissionais são viajados e, portanto, acostumado a este tipo de adaptação.

“Antes daqui, muitos já atuaram na Venezuela, Haiti, Paquistão, entre muitos outros países. São médicos que rodam o mundo e, por isso, se adaptam com facilidade. O português não será obstáculo”, garante.

Brasil
Como a maioria dos médicos cubanos já atuou em outras regiões do mundo, a vida em um país com regime fundamentalmente capitalista é encarada de forma natural.

Yunier Ramires, aliás, afirma que nada o surpreendeu no Brasil. De acordo com ele, em Cuba não há o estereótipo que povoa o imaginário da maioria dos estrangeiros sobre a vida no Brasil.

“O que eu esperava era isso mesmo: pessoas gentis e acolhedoras, convivência entre etnias e a facilidade no trato. Um aspecto interessante na educação de Cuba é justamente o de estudar a realidade dos países latino-americanos. Nunca pensei que o Brasil fosse só futebol e Carnaval”, afirma.

Joseense
Se ainda falta muito para que os médicos estrangeiros conheçam os diferentes locais da cidade, ao menos os profissionais podem contar com uma guia turística local para auxiliá-los. Formada pela Escola Latino Americana de Havana, a joseense Érika Couto volta para a sua cidade natal após 10 anos morando em Cuba e no Uruguai.

“Do jeito que a cidade mudou nestes anos, não sei se vou conseguir ser muito útil (risos), mas com certeza posso ajudar indicando alguns lugares. Também estou conhecendo esses médicos agora. Apesar dos problemas da saúde pública no país, estou empolgada com o trabalho”, diz

Família
Os médicos estrangeiros atuaram exclusivamente no programa Estratégia Saúde da Família. Com o reforço, a cidade passa de quatro para 44 equipes que trabalham no atendimento preventivo.

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