General Motors pode mudar plano de investimentos no Brasil

Medida foi anunciada pelo presidente global da marca

Escrito por: Do Meon3 min de leitura
fundo_placeholder-023136
linhaproducao_S10

Montadora produz picape S10 e Traiblazer em São José dos Campos

Divulgação/GM

Os investimentos da General Motors no Brasil podem ser revistos. Foi o que declarou o presidente mundial da empresa, Dan Amman, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

O plano de investimento no país, anunciado em julho, é de R$ 6,5 bilhões e seria aplicado de 2017 a 2019. A medida pode afetar a unidade da GM em São José dos Campos, presente na cidade há 54 anos.

O executivo diz ter esperança de ver sinais de avanços políticos e econômicos nos próximos 6 a 12 meses. Se isso não ocorrer, a montadora deve reavaliar o aporte de recursos no país. Ele se mostrou preocupado com a situação pela qual passa o país e com a possibilidade de não haver melhoras nos próximos três anos.

Já o presidente da GM para a América do Sul, Barry Engle, declarou que é preciso fazer uma reforma fiscal, tributária, trabalhista e regulatória. Ele também reclamou da falta de competitividade do Brasil.

Crise
O setor automotivo vive uma crise no país. As vendas caíram 26,55% em 2015, o terceiro ano seguido de baixa. Com isso, o mercado brasileiro de 0 km voltou ao nível de vendas de 2007.

Na região, o setor foi responsável por um terço de todas as demissões na indústria em São José dos Campos e Taubaté. Em 2015, estas cidades perderam 5,4 mil postos na indústria. O setor automotivo foi responsável por 30% dessas demissões, ou seja, cerca de 1,8 mil trabalhadores.

Demissão
Em janeiro deste ano, a unidade da GM em São José dos Campos demitiu funcionários que estavam em layoff. A General Motors tem cerca de 5 mil funcionários na cidade e produz os modelos Trailblazer e S10. A fábrica chegou a ter oito mil funcionários, mas nos últimos anos reduziu seu quadro de funcionários.

Sindicato
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Antônio Ferreira Barros,  o ‘Macapá’, disse que viu com surpresa a declaração. “A GM foi a primeira e única montadora a declarar esse pessimismo. Todas as outras vão manter os investimentos”, afirmou.

Para o dirigente sindical, a decisão da montadora de não produzir um carro no segmento de entrada e um SUV médio foi um erro. “Quase todas as outras marcas têm modelos nesses segmentos. Não produzir aqui foi uma decisão empresarial equivocada da GM”, ressaltou.

A montadora é líder de vendas no mercado com o hatch Onix, produzido em Gravataí (RS). No segmento SUV médio, a Tracker é importada do México.

Outro lado
Procurada, a General Motors informou que não vai comentar as declarações.

Publicado em: