Idosos convocam crianças para virar o jogo da solidão em São José
As histórias e a sabedoria acumuladas por toda uma vida, escondidas em uma casa de repouso, agora se misturam às brincadeiras de roda, das agitadas e sorridentes crianças do distrito de Eugênio de Melo, em São José dos Campos.


Crianças da Fundhas ao lado dos vovôs da Casa de Repouso Vó Laura em São José
Flávio Pereira/Meon
As histórias e a sabedoria acumuladas por toda uma vida, escondidas em uma casa de repouso, agora se misturam às brincadeiras de roda, das agitadas e sorridentes crianças de Eugênio de Melo, distrito de São José dos Campos.
José Rosa, 75 anos, é um destes avôs “esquecidinhos”, como diz uma das crianças. Sofre de alzheimer e vive há mais de 15 anos na casa de repouso Vó Laura, em Eugênio de Melo. Assim como o idoso, outros vovôs e vovós que vivem no asilo, apresentaram melhora no quadro de saúde, depois que começaram a desenvolver atividades junto com um grupo de alunos da Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza) que também fica no distrito.
A iniciativa partiu da casa de repouso. A terapeuta ocupacional Flávia Lopes, 27 anos, é quem coordena a festa. “A ação começou só com datas comemorativas. As crianças vinham, interagiam e então só voltavam meses depois. Eu pensei que se tivéssemos uma atividade semanal, poderia ser bom para os dois lados. A Fundhas topou e tem sido maravilhoso”, conta.
Todas as segundas-feiras, um grupo de aproximadamente dez crianças pela manhã e outros dez adolescentes à tarde, realizam algum tipo de atividades com os idosos. “Eles dançam, fazem piquenique, debates, trocam experiências. É maravilhoso. Melhorou muito o comportamento das nossas crianças”, avalia a professora Marilda Firmino da unidade Eugênio de Melo da Fundhas.
Para o trabalho funcionar contudo, a terapeuta conta que é preciso tomar alguns cuidados. “Com as crianças, as atividades são feitas aqui no poliesportivo. Avaliamos que o ambiente da casa de repouso é difícil de ser compreendido por elas. Então toda semana, a gente vem aqui e com apoio das professoras, desenvolvemos atividades no salão ou ao ar livre. Já os adolescentes chegam a conviver com o grupo na casa, mas também gostam mais das ações externas”, destaca Flávia.
É gol!
“Eu amo brincar com eles. Mas tem que tomar cuidado, se não pode machucar”, comenta o estudante Pedro Henrique dos Santos, 8 anos. Já para o pequeno Kauê Batista dos Santos, 9 anos, o melhor é jogar capoeira. “É muito divertido para todo mundo. Eles também ficam muito felizes”, afirma.
Em tempo de Copa do Mundo, idosos e crianças ensaiam uma coreografia com um dos temas do mundial, a música Todo Mundo, gravada por Gaby Amaranto e Monobloco. Para a professora de Educação Física, Ana Paula Gomes de Melo, 34 anos, que coreografou o grupo, o segredo é a alegria. “É maravilhoso. Se queremos um mundo melhor, temos que viver mais isso. Ensinar nossas crianças o valor do idoso”.
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