Idosos convocam crianças para virar o jogo da solidão em São José

As histórias e a sabedoria acumuladas por toda uma vida, escondidas em uma casa de repouso, agora se misturam às brincadeiras de roda, das agitadas e sorridentes crianças do distrito de Eugênio de Melo, em São José dos Campos.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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Crianças da Fundhas ao lado dos vovôs da Casa de Repouso Vó Laura em São José

Flávio Pereira/Meon

As histórias e a sabedoria acumuladas por toda uma vida, escondidas em uma casa de repouso, agora se misturam às brincadeiras de roda, das agitadas e sorridentes crianças de Eugênio de Melo, distrito de São José dos Campos.

José Rosa, 75 anos, é um destes avôs “esquecidinhos”, como diz uma das crianças. Sofre de alzheimer e vive há mais de 15 anos na casa de repouso Vó Laura, em Eugênio de Melo. Assim como o idoso, outros vovôs e vovós que vivem no asilo, apresentaram melhora no quadro de saúde, depois que começaram a desenvolver atividades junto com um grupo de alunos da Fundhas (Fundação Hélio Augusto de Souza) que também fica no distrito.

A iniciativa partiu da casa de repouso. A terapeuta ocupacional Flávia Lopes, 27 anos, é quem coordena a festa. “A ação começou só com datas comemorativas. As crianças vinham, interagiam e então só voltavam meses depois. Eu pensei que se tivéssemos uma atividade semanal, poderia ser bom para os dois lados. A Fundhas topou e tem sido maravilhoso”, conta.

Todas as segundas-feiras, um grupo de aproximadamente dez crianças pela manhã e outros dez adolescentes à tarde, realizam algum tipo de atividades com os idosos. “Eles dançam, fazem piquenique, debates, trocam experiências. É maravilhoso. Melhorou muito o comportamento das nossas crianças”, avalia a professora Marilda Firmino da unidade Eugênio de Melo da Fundhas.

Para o trabalho funcionar contudo, a terapeuta conta que é preciso tomar alguns cuidados. “Com as crianças, as atividades são feitas aqui no poliesportivo. Avaliamos que o ambiente da casa de repouso é difícil de ser compreendido por elas. Então toda semana, a gente vem aqui e com apoio das professoras, desenvolvemos atividades no salão ou ao ar livre. Já os adolescentes chegam a conviver com o grupo na casa, mas também gostam mais das ações externas”, destaca Flávia.

É gol!
“Eu amo brincar com eles. Mas tem que tomar cuidado, se não pode machucar”, comenta o estudante Pedro Henrique dos Santos, 8 anos. Já para o pequeno Kauê Batista dos Santos, 9 anos, o melhor é jogar capoeira. “É muito divertido para todo mundo. Eles também ficam muito felizes”, afirma.

Em tempo de Copa do Mundo, idosos e crianças ensaiam uma coreografia com um dos temas do mundial, a música Todo Mundo, gravada por Gaby Amaranto e Monobloco. Para a professora de Educação Física, Ana Paula Gomes de Melo, 34 anos, que coreografou o grupo, o segredo é a alegria. “É maravilhoso. Se queremos um mundo melhor, temos que viver mais isso. Ensinar nossas crianças o valor do idoso”.

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