Indústria de Pinda tem semana de greve, demissões e protestos
Movimento paralisa Bundy e gera protestos contra demissões na Gerdau


Trabalhadores aguardam por assembleia e sindicato busca aporte da CUT para mobilizar as indústrias
Guilherme Moura/Jornal Atos
Nas duas últimas semanas, a indústria de Pindamonhangaba tem passado por greves e paralisações. Nessa sexta-feira, trabalhadores da empresa Bundy fizeram uma greve contra o novo plano de convênio médico contratado pela empresa. Um dia antes, funcionários da Gerdau paralisaram novamente a produção em uma hora contra as noventa demissões, feitas no último dia 19.
A paralisação na Bundy teve início às 6h e os trabalhadores aguardaram até às 9h por alguma negociação, que não foi sinalizada pela empresa. No turno da tarde, a produção permaneceu paralisada. Sem acordo, os funcionários retornaram para suas casas.
Em janeiro, a Bundy informou que o plano de saúde não seria renovado e que outro convênio foi contratado pela empresa. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba-CUT, o novo plano aumentou o valor da mensalidade para o trabalhador e alguns procedimentos que, anteriormente, não tinham custo, passam a ter e que esses gastos prejudicam os funcionários, tendo em vista que a maioria deles ganha o piso da categoria.
O pedido de greve foi protocolado na terça-feira, mas a empresa não apresentou nenhuma proposta. A pauta de reivindicações dos funcionários da Bundy inclui a revisão da estrutura de cargos e salários e a discussão sobre a recusa da empresa em realizar as reuniões da comissão de PLR (Participação nos Lucros e Resultados).
Na Gerdau, os metalúrgicos protestaram novamente contra as noventa demissões e paralisaram a produção na manhã da quinta-feira. Segundo a direção do sindicato, o número caracteriza demissão em massa. Houve também uma paralisação no dia em que as demissões foram feitas.
De acordo com o Sindicato, essas dispensas têm ocorrido periodicamente e mais de duzentos funcionários já foram mandados embora. Eles alegam também que a nova gerência dos Recursos Humanos da empresa não tomou nenhuma medida para evitar as demissões.
No dia 19, uma reunião entre representantes da Gerdau e do sindicato foi realizada. A empresa apresentou a garantia aos noventa funcionários demitidos dois meses de convênio médico, que foi negada pela CUT, pedindo para que as demissões fossem revistas, mas a fábrica não voltou atrás da decisão.
A empresa afirmou, durante a reunião, que novas demissões podem ocorrer. O sindicato alertou de que há a possibilidade de greve.
A Gerdau informou que está aberta para negociação, mas desde o dia 19 ainda não respondeu ao sindicato sobre os pedidos de reunião.
A Bundy tem cerca de 350 funcionários e está localizada no Distrito Industrial Santa Rita, onde fabrica peças de alumínio para a área de refrigeração. Com sede em Moreira César A Gerdau possui cerca de dois mil trabalhadores e produz laminados de aço.
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