Inpe de São José confirma lançamento do Cbers-4 em 7 de dezembro

Lançamento foi antecipado em um ano após a perda do Cbers-3

Escrito por: Do Meon4 min de leitura
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20141128_animação do cbers4_inpe_(Reprodução/Youtube Animação do Lançamento/Inpe)

Inpe divulgou uma animação do lançamento do satélite Cbers

Reprodução/Youtube Inpe MCT

Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (28), em São José dos Campos, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), responsável no Brasil pelo Programa CBERS -realizado em parceria com a China para o desenvolvimento de satélites de observação da Terra- confirmou o lançamento do CBERS-4, a partir do Taiyuan Satellite Launch Center, na China, para o dia 7 de dezembro deste ano.

O CBERS-4 é o quinto satélite do Programa CBERS e o lançamento estava inicialmente programado para dezembro de 2015, mas foi antecipado em um ano devido à falha ocorrida com o foguete chinês, que causou a perda do CBERS-3, em dezembro de 2013. Antes, foram lançados com sucesso o CBERS-1 (1999), CBERS-2 (2003) e CBERS-2B (2007).

“A antecipação significou um desafio a mais para as equipes do Brasil e da China, que demonstraram ampla competência na preparação do CBERS-4 em conformidade com as rígidas especificações técnicas de um projeto espacial desse porte”, disse Leonel Perondi, diretor do Inpe.

As atividades iniciaram em janeiro com o envio para a China da estrutura de carga útil do satélite, que antes estava no LIT (Laboratório de Integração e Testes) do Inpe, em São José dos Campos (SP).

“Além dos processos de montagem e integração, a impossibilidade de conserto em órbita tornam imprescindíveis os rigorosos testes para simular em Terra todas as condições que o satélite irá enfrentar desde o seu lançamento até o fim de sua vida útil no espaço”, completou Perondi.

Segundo o Inpe, satélites de sensoriamento remoto são uma poderosa ferramenta para monitorar o território de países de extensão continental, como o Brasil e a China. As imagens obtidas a partir dos satélites da série CBERS permitem uma vasta gama de aplicações -desde mapas de queimadas e monitoramento do desflorestamento da Amazônia, da expansão agrícola, até estudos na área de desenvolvimento urbano.

O Inpe define o CBERS como um importante indutor da inovação no parque industrial brasileiro, que se qualifica e moderniza para atender aos desafios do programa espacial. “A política industrial adotada pelo Inpe permite a qualificação de fornecedores e contratação de serviços, partes, equipamentos e subsistemas junto a empresas nacionais. Assim, além de exemplo de cooperação binacional em alta tecnologia, o CBERS se traduz na criação de empregos especializados e crescimento econômico”, diz o instituto em nota.

“Graças à política de acesso livre às imagens, uma iniciativa pioneira do Inpe, as imagens do CBERS são distribuídas gratuitamente a qualquer usuário pela internet, o que contribuiu para a popularização do sensoriamento remoto e para o crescimento do mercado de geoinformação brasileiro”, diz outro trecho.

O INPE distribui cerca de 700 imagens por dia para centenas de instituições (mais de 70.000 usuários) ligadas a meio ambiente, uma contribuição efetiva ao desejado cenário de responsabilidade ambiental -um dos grandes desafios deste século.

O satélite
O satélite está equipado com sofisticado conjunto de câmeras, com desempenhos geométricos e radiométricos melhorados em relação aos CBERS-1, 2 e B. São quatro câmeras: Imageador de Amplo Campo de Visada (WFI), Imageador de Média Resolução (MUX), Imageador Infravermelho (IRS) e Imageador de Alta Resolução (PAN).

Uma importante inovação consiste na MUX, a primeira câmera para satélite inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil. Com 20 metros de resolução e multiespectral, a MUX câmera registra imagens no azul, verde, vermelho e infravermelho, em faixas distintas. Essas bandas espectrais têm funções bem calibradas visando seu uso em diferentes aplicações, principalmente no controle de recursos hídricos e florestais.

Projeto espacial dos mais sofisticados realizados no país, a MUX exigiu análises minuciosas e rigorosas, pois a câmera precisa suportar o tempo de vida necessário no ambiente hostil do espaço.

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