ITA desenvolve Vant para vistoriar linhas de transmissão de energia

Veículo aéreo não tripulado irá inspecionar 20 mil km de linhas de transmissão

Escrito por: Rodrigo Ribeiro3 min de leitura
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20151016_vant_ita_sao jose dos campos_(Divulgação/ITA)

Veículo aéreo não tripulado irá inspecionar 20 mil km de linhas de transmissão

Divulgação/ITA

O ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), de São José dos Campos, está desenvolvendo em parceria com a Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco), subsidiária da Eletrobrás, um sistema de Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado), com autonomia de três horas de voo, para inspecionar 20 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia elétrica, torres, isoladores, entre outros componentes.

Atualmente, esse monitoramento é feito pela Chesf com o auxílio de helicópteros tripulados, com alto custo e risco, segundo o ITA. O investimento em pesquisa e desenvolvimento, da ordem de R$ 6 milhões, integra o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento do setor elétrico, autorizado e regulamentado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

O projeto implementado pelo ITA prevê a construção do Vant – propulsão, fuselagem, superfície aerodinâmica, sistema de controle de voo, entre outros -, e o desenvolvimento de soluções em aviônica e sistemas de comunicação, câmeras para a captação de imagens e estação terrestre de controle.

Na primeira fase do projeto, o ITA trabalhou em soluções baseadas em aeronaves de asa fixa (avião), com capacidade para execução de missões de inspeção aérea de longo alcance, elevada autonomia e baixo custo por quilômetro inspecionado. O sistema de transmissão da Chesf interliga os estados do Nordeste e une a região aos sistemas das regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste.

Visando à velocidade da aeronave, qualidade de imagem e condições ambientais, foi produzido um protótipo de um Vant de 25 kg, projetado para operar a uma velocidade típica de 50 km/h. A aeronave é desmontável e pode ser transportada em um veículo pequeno.

A equipe do ITA também criou um segundo protótipo com 50 kg. “A aeronave mais pesada tem requisitos um pouco mais severos no que se refere à segurança, mas é mais adequada a situações com maior incidência de ventos e mau tempo e convive melhor com relevos que requerem elevadas razões de subida”, explica Geraldo Adabo, da Divisão de Engenharia Eletrônica e coordenador do projeto no ITA.

Na próxima fase do projeto, o ITA também ficará responsável pelo desenvolvimento de um terceiro modelo de aeronave, multicóptero, para a função de inspeção local minuciosa.

Certificação
A segunda fase do projeto prevê a certificação dos protótipos para voo experimental, já iniciada, e para a operação comercial/corporativa em sequência. “Embora não tenha tripulação, trata-se de um avião e o uso do espaço aéreo envolve requisitos de segurança”, justifica Adabo.

O processo para obtenção da PEV (Permissão Especial de Voo) já foi iniciado e a autorização será emitida pelo IFI (Instituto de Fomento e Coordenação Industrial), responsável pela emissão de certificados para voos militares. Concluída a fase experimental, o processo de certificação do sistema para uso comercial/corporativo será realizado junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

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