Lay-off: trabalhadores falam sobre clima de insegurança dentro da GM

Boa parte dos 930 funcionários da General Motors de São José dos Campos incluídos na lista do lay-off começou a ser dispensada pela montadora nesta segunda-feira (1), uma semana antes da vigência da suspensão temporária dos contratos de trabalho. Alguns trabalhadores, que pediram para não ser identificados, conversaram com o Meon e contaram que estão inseguros, sem garantia de continuar empregados.

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
fundo_placeholder-023136
20140801_gm_sindicato_metalurgico_coletiva_assembleia_fabrica_flavio_pereira_1

Trabalhadores da GM em assembleia que votou o lay-off

Flavio Pereira/Meon

Boa parte dos 930 funcionários da General Motors de São José dos Campos incluídos na lista do lay-off começou a ser dispensada pela montadora nesta segunda-feira (1), uma semana antes da vigência da suspensão temporária dos contratos de trabalho. Alguns trabalhadores, que pediram para não ser identificados, conversaram com o Meon e contaram que estão inseguros, sem garantia de continuar empregados.

“Estou na empresa há mais de oito anos e nunca tinha participado de um lay-off. A sensação é horrível porque a primeira coisa que você pensa é que foi rejeitada pela empresa e que, em uma possível demissão, você está na lista”, conta uma funcionária. “Para quem está no lay-off, a sensação é de instabilidade. Isso sim”, completa.

Já um outro funcionário que trabalha há 15 anos na montadora é veterano em lay-offs. “Já participei de dois lay-offs e ainda não fui informado se estou nesse. Tenho estabilidade por doença ocupacional, mas independentemente disso, a empresa pode mandar embora até os lesionados. Aí o trabalhador recorre ou não na Justiça pedindo a reintegração”, conta.

“Outra coisa: essa estabilidade que falam não existe. O que acontece é uma pressão psicológica e terrorismo. Quando termina o lay-off não necessariamente você retorna ao trabalho, você pode cumprir o período dentro de casa. A empresa te envia um telegrama avisando que você vai ficar mais um mês em casa e, em seguida, manda outro informando do PDV (Pedido de Demissão Voluntária). A pessoa que não tem um equilíbrio emocional e uma estrutura familiar bacana acaba pedindo demissão, que é o que a empresa quer”, completa.

“O que ninguém fala é que a cada um mês de lay-off, o trabalhador perde 2,5 dias de férias. Os cursos de qualificação que temos que fazer não têm nada a ver com a nossa função e, após esse período de lay-off e estabilidade, se você é demitido não recebe seguro desemprego porque já recebeu do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) durante o lay-off”, conta outro funcionário que também é lesionado e está indo para o segundo lay-off em oito anos de GM.

Segundo o advogado trabalhista Ezildo Santos Bispo Junior, que atende alguns empregados da General Motors, grande parte dos funcionários que procura a Justiça são lesionados que temem por demissão. “Eles temem que os seus direitos não sejam preservados”, conta.

Ezildo explica que os cursos são oferecidos pelo governo para que, em uma possível demissão, o trabalhador tenha um curso de qualificação no currículo. “Já em relação ao não recebimento do seguro desemprego o que acontece é que quando o funcionário vai assinar o lay-off, está no acordo que não vai receber o seguro desemprego em caso de demissão. A GM pode legalmente fazer isso. Em alguns casos o funcionário demitido entra na Justiça pedindo o seguro, alguns conseguem, outros não”, explica.

Outro lado
Por meio de nota, a GM informou que “afirmou ao sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos que vai garantir aos empregados envolvidos no lay-off que eles retornarão ao trabalho após este período”, diz um trecho da nota.

Acordo  
Os trabalhadores da GM aprovaram no dia 26 de agosto, a proposta de lay-off feita pela montadora em São José dos Campos. O acordo coloca 930 operários em regime de lay-off entre 8 de setembro de 2014 e 7 de fevereiro de 2015.

A medida prevê, contudo, a garantia de estabilidade de emprego por mais seis meses após esse período. Não podem ser demitidos pré-aposentados, lesionados e gestantes. Nesse período, a GM também vai implantar um novo programa de PDV.

No lay-off, o funcionário pode ficar afastado por até cinco meses. Nesse período, parte do salário (R$ 1,3 mil) é bancada pelo FAT e o restante pela empresa. O trabalhador também precisa frequentar um curso de qualificação profissional.

LEIA TAMBÉM: 
GM confirma lay-off de 5 meses para funcionários em São José dos Campos

Publicado em: