Mandinbu e Civic, do PCC, são presos em Ubatuba

Operação apura extorsões contra empresários no interior paulista

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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A prisão de dois integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Ubatuba colocou o litoral norte paulista no centro de uma investigação da Polícia Civil e da ROTA contra uma célula considerada estratégica dentro da facção criminosa.

Paulo Roberto de Morais, conhecido como “Madimbu”, e Nelson Brandão Filho, o “Civic”, foram encontrados na manhã desta quarta-feira (27) em uma residência alugada no bairro Praia Grande.

Segundo a ROTA, os dois estavam escondidos no imóvel após fugirem da Operação “Mammon”, deflagrada na semana passada pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Mogi Guaçu.

Com a captura da dupla em Ubatuba, a polícia informou que todos os oito investigados da operação foram presos.

Operação investiga extorsões contra empresários

A Operação Mammon apura um esquema de arrecadação de dinheiro para o PCC por meio de extorsões praticadas contra empresários e comerciantes das cidades de Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Campinas, Aguaí e Estiva Gerbi.

De acordo com a Polícia Civil, vítimas chegaram a entregar imóveis, veículos e grandes quantias em dinheiro após ameaças feitas pelo grupo criminoso.

Durante a ofensiva realizada na semana passada, cinco suspeitos haviam sido presos inicialmente. Outro integrante foi capturado na noite de segunda-feira (25), em Mogi Guaçu. Os dois últimos foragidos eram justamente “Madimbu” e “Civic”.

Segundo a delegada seccional Edna Elvira Salgado Martins, ao menos três dos investigados ocupavam posições elevadas dentro da estrutura criminosa do PCC.

Polícia aponta ligação com setor de elite da facção

A localização dos suspeitos em Ubatuba chamou a atenção das forças de segurança pelo perfil dos investigados.

Segundo informações da ROTA, os dois presos pertencem à chamada “Restrita Tática”, também conhecida como “Sintonia Restrita Tática”, considerada pelas autoridades um núcleo operacional de elite da facção criminosa.

Investigações do Ministério Público e da Polícia Civil apontam que o setor atua em ações de inteligência, planejamento de atentados e ataques contra autoridades públicas, policiais, agentes penitenciários e integrantes das forças de segurança.

As apurações indicam ainda que o grupo seria responsável por operações de alta complexidade dentro da facção, incluindo roubos de grande porte, monitoramento de alvos e planos de resgate de lideranças criminosas.

Prisão aconteceu após denúncia

Segundo a ROTA, equipes do Pelotão Noturno realizavam patrulhamento em Ubatuba quando receberam uma denúncia de que dois procurados pela Justiça estavam escondidos em uma casa na rua Tomás Câncer, no bairro Praia Grande.

Ao chegarem ao imóvel, os policiais tentaram contato pelo interfone, mas não obtiveram resposta. Durante a averiguação, os agentes ouviram gritos de socorro vindos do interior da residência e decidiram entrar na casa.

No local, Paulo Roberto de Morais e Nelson Brandão Filho foram encontrados acompanhados das esposas e de uma criança de colo.

Conforme o boletim de ocorrência, uma das mulheres relatou informalmente que pediu socorro após o companheiro ficar irritado com o acionamento insistente do interfone pelos policiais.

Dinheiro e celulares foram apreendidos

Durante as buscas no imóvel, os policiais apreenderam seis aparelhos celulares, mais de R$ 20 mil em dinheiro e um caderno com anotações contábeis atribuídas ao tráfico de drogas e à facção criminosa.

Contra Nelson Brandão Filho havia um mandado de prisão temporária expedido pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Mogi Guaçu pelos crimes de roubo, extorsão e extorsão mediante sequestro.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar possíveis conexões do grupo com outros crimes no estado e aprofundar a análise do material apreendido.

Foto: Reprodução

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