Luiz Fernando Faria de Souza, presidente de AASJC, quer reaproximação com OAB

Luiz Fernando Faria de Souza, 39 anos, presidente da Associação dos Advogados de São José dos Campos, quer se reaproximar da OAB. “A OAB é o orgão regulador da classe, faz as regras do ‘pode ou não pode’. A AASJC oferece investimento e capacitação, presta serviços aos advogados. Temos naturezas diferentes e, por isso, estou querendo voltar a dialogar com eles”. Segundo Souza, a confusão entre as entidades é tão grande, que até mesmo advogados não sabem qual órgão procurar às vezes. “A OAB não estava sendo suficiente para atender a demanda. Veja bem, não é ineficiente, é insuficiente”, frisa.

Escrito por: Do Meon6 min de leitura
fundo_placeholder-023136

Luiz Fernando Faria de Souza, 39 anos, presidente da Associação dos Advogados de São José dos Campos, quer se reaproximar da OAB. “A OAB é o órgão regulador da classe, faz as regras do ‘pode ou não pode’. A AASJC oferece investimento e capacitação, presta serviços aos advogados. Temos naturezas diferentes e, por isso, estou querendo voltar a dialogar com eles”.

Segundo Souza, a confusão entre as entidades é tão grande, que até mesmo advogados não sabem qual órgão procurar às vezes. “A OAB não estava sendo suficiente para atender a demanda. Veja bem, não é ineficiente, é insuficiente”, frisa o também professor do Núcleo de Práticas Jurídicas da Universidade do Vale do Paraíba.

Nascido em família de advogados, Souza conta que nunca cogitou seguir outra carreira. “Faço petição desde os 15 anos, quando batia à máquina as solicitações que meu pai escrevia de próprio punho. Não tinha como fugir”.

Em entrevista ao Meon, o faixa preta em hap ki dô e pai de Gabriel, 4 anos, relembrou quando sofria bullying na escola e como isso o levou a praticar esporte. O advogado também explicou como ter temperamento forte ajuda em sua profissão e declara, “desafios são interessantes”.

luiz_fernando_faria_palestra_sobre_oratoria_juridica_fotos_carol_tomba_25_03

Luiz Fernando Faria de Souza, presidente da Associação dos Advogados de S. José

Carol Tomba/Meon

De onde veio o interesse pela profissão?
Meu pai, minha mãe e minha irmã são advogados. Com 15 anos já era office boy do meu pai e, aos 17 anos, passei no vestibular da Univap. Depois que me formei não passei no exame da OAB nas duas primeiras tentativas. Foi quando meu pai me desafiou ao dizer que se não passasse nem na prova da Ordem, nunca teria êxito em concursos. Desafios são sempre interessantes e, depois disso, passei na prova e dei seguimento a minha carreira, me especializando em processo civil e, no final de 2011, iniciei uma especialização em direito empresarial. Em 2012 fui convidado a dar aula na Univap e, desde então, trabalho também como professor.

Conte um pouco sobre o processo que te levou à presidência da AASJC.
Eu já era secretário na gestão do dr. Flávio Goulart, falecido em 2010. Nos reunimos para saber quem iria assumir e decidiu-se que o dr. Luiz Carlos Pegas ficaria no cargo interinamente. Nas eleições seguintes, em 2013, formamos uma chapa única. Assumi em junho de 2014. Inclusive foi um orgulho assumir a presidência da Associação dos Advogados de São José dos Campos no ano em que completou 40 anos. Outro motivo de orgulho é ser mais novo que a própria entidade [risos].

Para que as pessoas entendam, qual a diferença entre a OAB e a AASJC?
A OAB é o orgão regulador da atividade de advocacia. Ela tem âmbito federal, estadual e regional, disciplina, rege e fiscaliza a conduta do advogado. A OAB também atua na defesa das prerrogativas do profissional. Já a AASJC fica com todo o resto que não é feito pela OAB. Nós trabalhamos com serviços, focados em capacitação. Não só jurídica, mas também em áreas complementares, como curso de oratória. O advogado que não sabe falar morre de fome. Falo por mim, um adolescente tímido que foi ajudado por essa atividade.

Por que tem tanta gente é traumatizada com a classe de advogados?
Bom profissional e mau profissional tem em todas as áreas. Assim como um jornalista pode escrever absurdos, também há advogados que utilizam do mandato outorgado para promover atos ilícitos. Aliás, nem digo que são advogados. Para mim são criminosos. Falam muito dos advogados porque conhecemos as lacunas que existem na lei. E utilizando desse conhecimento, o mau advogado pode aferir vantagem ou prejuízo de cliente.

Qual o seu trabalho na Univap?
Trabalho na parte mais prática no núcleo de práticas jurídicas, dando assessoria para os alunos sobre situações que eles encontrarão no decorrer da profissão. Também atuo nos atendimentos prestados pelos universitários à comunidade. Aliás, a questão da índole do advogado é outro assunto que tratamos bastante durante as aulas. No meu caso, digo que tenho três motivos para não cometer qualquer tipo de deslize. Primeiro por causa dos meus pais, porque praticando uma atitude dessa, também mancho o nome deles. Os outros dois dizem respeito a minha posição profissional. Represento a AASJC e a Univap, que também seriam atingidas caso fizesse algo de errado.

Como você avalia as condições do novo Fórum de São José dos Campos tanto de atendimento quanto de estrutura?
Acho que essa questão de faltar luz ou faltar água, como realmente faltou, possa ser um problema do bairro e não do prédio. Parece que alguns problemas do ar-condicionado seriam uma falha na construção, mas não sou técnico e não posso opinar muito sobre isso. Houve atrasos e falta de planejamento e a empresa terminou a obra com o projeto já defasado. Outro problema pontual tem sido a dificuldade de relacionamento dos advogados com juízes, servidores e promotores. A AASJC está articulando uma aproximação na tentativa de amenizar esses confrontos.

Você esteve na cerimônia de posse do conselho regional da Associação das Advogadas de São Paulo. Qual sua opinião sobre o esse trabalho?
Fui na posse da Rosana Chiavasa, que é uma advogada conhecida no Brasil. Tive a honra de conhecê-la em 2012 durante eleições da OAB. Uma das interessantes coisas que ela quer fazer é a delegacia da mulher 24 horas. Acredito que isso deva ser feito e apoio plenamente o projeto até porque advogo nessa área sei de muitas mulheres que se queixam e tem sido ameaçadas, mas não conseguem fazer nada. Hoje a delegacia comum não tem estrutura para funcionar o dia todo e isso é questão de investimento do executivo. Tenho um caso de uma cliente que recebeu um e-mail no qual o pai de seu filho disse ter comprado um revólver e que acreditava na mira dele. A questão é séria e urgente.

Você é apaixonado por esporte. Como nasceu essa paixão e o que costuma praticar nas horas vagas?
Hoje pratico triatlo e hap ki dô. Principalmente a arte marcial me ajuda a controlar melhor meus ânimos. Na verdade, sofri bullying por ser gordinho durante a minha adolescência. Meu médico na época me proibiu de fazer atividades esportivas e acabei ficando acima do peso. Depois descobri que poderia sim fazer exercícios e passei a me motivar principalmente para ficar mais magro. Gosto tanto que já operei meu joelho três vezes por causa da prática esportiva. Aliás, muita gente me fala que pratico triatlo porque um esporte só não é o suficiente. O esporte acaba sendo importante também para a profissão, já que nos ajuda a dosar a energia para ser forte quando precisa e ser tranquilo quando a situação exige.

Publicado em: