Mães: vidas diferentes com a mesma missão
Trabalho, estudo, casa, filho e relacionamento, essas palavras definem boa parte do que representa a vida de uma mãe nos dias de hoje. O crescimento no número de divórcios que passou de 1,7% em 2000 para 3,1% em 2010 e a independência feminina justificam a formação das famílias com um formato diferente do tradicional pai, mãe e filho.


Lauren se dedica para conciliar carreira e momentos de lazer com a filha Yasmim
Camila Abreu/Jornal Atos
Trabalho, estudo, casa, filho e relacionamento, essas palavras definem boa parte do que representa a vida de uma mãe nos dias de hoje. O crescimento no número de divórcios que passou de 1,7% em 2000 para 3,1% em 2010 e a independência feminina justificam a formação das famílias com um formato diferente do tradicional pai, mãe e filho.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o perfil das famílias mudou muito nos últimos anos. Dados do Censo Demográfico de 2010 mostram que a porcentagem de famílias chefiadas por mulheres passou de 22,2% para 37,3% entre 2000 e 2010. Também aumentou o número de mulheres solteiras com filhos.
Para atender a todas necessidades exigidas pelo mundo moderno, as mães têm que se desdobrar para dar conta das inúmeras funções agregadas as mulheres na atual sociedade.
Laura Carolina Diniz, 33 anos, é autônoma e mora sozinha com os três filhos: Gabriel com 15 anos, Gustavo de 12, e Guilherme 2 anos. Desde a primeira gravidez, sempre trabalhou para ajudar nas despesas. “Fui mãe em duas fases diferentes, tinha 19 anos na minha primeira gravidez, e agora estou numa fase mais madura da vida”, contou. “Nunca deixei de trabalhar e estudar para poder dar um futuro melhor para os meus filhos”, acrescentou.
A rotina de Laura é bem corrida, e mesmo contando com a ajuda da família e dos pais das crianças, ela decidiu trabalhar como autônoma para conseguir dar conta das multitarefas de mãe. “Por ter filhos com uma grande diferença de idade de um para o outro, os mais velhos acabam me ajudando muito com o menor, e apesar da correria, eu gosto da minha rotina de mãe”, exclamou.
Um dos novos perfis de mãe é formado por mulheres que engravidaram ainda na adolescência. A jornalista Lauren Moraes, se tornou mãe aos 14 anos, um momento que para ela foi um misto de susto e surpresa. “Sou muito corajosa e não recebi a notícia com lamentação, nem fiquei me castigando por ter perdido a adolescência. Pelo contrário, fiz da minha gravidez uma oportunidade de aprendizado e crescimento pessoal”, contou.
Hoje, com 26 anos, Lauren mora com os pais e a filha Yasmin Moraes, de 10 anos, em Guaratinguetá. Como engravidou muito nova, sempre contou com o apoio dos pais na criação da filha. Atualmente ela não trabalha, e dedica suas horas vagas aos estudos para prestar concurso público.
Lauren acredita que ser uma mãe muito nova, contribuiu para acompanhar o ritmo e as mudanças nas fases da vida da filha. “Justamente por ser muito nova que consigo compreender com mais facilidade as vontades e aspirações da minha filha. Participo das brincadeiras, dou broncas, e procuro passar ensinamentos únicos a ela, como o respeito, ajudar ao próximo e dar valor a vida”, explicou.
Mas não são apenas as mulheres que têm de se desdobrar no papel de “super mãe”. Segundo o IBGE, 10,197 milhões de famílias são lideradas somente por pai ou mãe. Embora ainda sejam poucas se confrontado com as de mulheres que correspondem a 15,5% dos lares, os homens tem desenvolvido, cada vez mais, o papel de pai e mãe.
O funcionário público de Guará, Paulo Sérgio Santos da Silva, 33anos, é pai e mãe do João Rafael de nove meses. O menino nasceu prematuro e precisou ser encaminhado à UTI neonatal. A mãe que era diabética faleceu dois dias após a alta de João Rafael, em consequência de um problema de endocardite (inflamação do revestimento interno das câmaras cardíacas e válvulas do coração).
Desde então, Paulo divide as tarefas de pai e mãe com os avos do bebê, que ajudam a cuidar do menino enquanto ele trabalha de segunda a segunda. “A tarefa de cuidar do meu filho é dividida entre todos, mas as despesas com a alimentação, roupas e medicamentos são de minha responsabilidade. Levo ao pediatra, para tomar vacinas, dou banho, troco fraldas, alimento-o, lavo e passo as roupas, o levo à missa e o coloco para dormir”, contou.
Com a ausência da mãe, Paulo se preocupa com o futuro do menino. “Está sendo difícil superar a perda da minha esposa. A responsabilidade agora é dobrada”, desabafou. “Estou aprendendo a cuidar do meu filho e tenho fé que tudo vai dar certo, e vou conseguir cumprir minha missão”, finalizou.
Posts Relacionados

Chuva mata oito bovinos, alaga casa e provoca deslizamento em rodovia no Vale do Paraíba

EDP investe R$ 4,5 milhões para ampliar capacidade energética de Lorena em 15%

Defesa Civil emite alerta severo para chuva forte em São José dos Campos e Jacareí
