MP apura envolvimento de hospitais em suposto esquema de tráfico de pessoas em asilo de Jacareí
O Ministério Público de Jacareí investiga a suspeita de que hospitais públicos estariam envolvidos em um esquema que envolveria o asilo clandestino descoberto na última terça-feira (15) em Jacareí. Nesta quarta-feira (23) o promotor de justiça da cidadania Luiz Berdinarski e o presidente do Conselho Municipal do Idoso Frederico Ponchon Bernardes Gil, visitaram o asilo, que ainda está em funcionamento.


Fachada da casa que funciona como asilo clandestino
Flávio Pereira/Meon
O Ministério Público de Jacareí investiga um suposto envolvimento entre hospitais públicos e o asilo clandestino descoberto no dia 15 de julho. Nesta quarta-feira (23), o promotor de Justiça da Cidadania, José Luiz Berdinarski, e o presidente do Conselho Municipal do Idoso, Frederico Ponchon Bernardes Gil, visitaram o asilo, que ainda está em funcionamento.
O promotor suspeita que o estabelecimento, que não possui alvará para funcionamento, seria parte de uma rede que cometeria uma série de infrações, como tráfico de pessoas e cárcere privado. Analisando o perfil dos residentes -idosos, deficientes mentais e dependentes químicos- Berdinarski quer saber porque os internos saíram direto de hospitais públicos para a clínica clandestina.
“Já abrimos um inquérito, mas as investigações ainda são muito incipientes. Mas a suspeita é de que esse asilo clandestino prestaria um serviço para familiares que não queriam essas pessoas dentro de casa. Como todos eles passaram por hospitais públicos, acredito que a abordagem para o serviço ilegal aconteceria dentro dessas unidades hospitalares”, afirma.
O Meon teve acesso com exclusividade ao interior da casa, que fica no final de uma rua sem saída do bairro Vista Verde. Os 19 residentes ficam em um ambiente fechado. Nos dois quartos cujas portas estavam abertas, o que se vê são cinco camas apertadas, sem espaço para a circulação.
Uma cuidadora e seu namorado ficam responsáveis pelos internos. O casal, principalmente a cuidadora, foi acusado de agressão e maus tratos durante conversas informais com o promotor.
A sala é pequena para o número de pessoas internadas e, na varanda, móveis amontoam-se. Mesmo evidentemente inadequado para abrigar os internos, o local ainda apresenta condições melhores do que as encontradas no dia em que o asilo foi descoberto pela Polícia Militar.
“Em pouco mais de uma semana a proprietária do estabelecimento deu uma ‘mascarada’ nas dependências internas, mas ainda é muito pouco para abrigar uma casa de recuperação”, diz.
Desorganização
Além de não ter o alvará para funcionamento de um asilo, a proprietária da casa -que não teve seu nome revelado- afirmou ainda que não tem um receituário médico dos pacientes e tampouco um contrato assinado pelos próprios internos ou familiares, autorizando a estadia no ambiente -o que caracterizaria o cárcere privado.
Se faltam documentos, a proprietária também revelou que mais da metade dos internos também não está recebendo medicação. “Ela foi contraditória. Primeiro disse que não compra os remédios, depois afirmou que depende dos familiares para receber os remédios, mas que a maioria não visita os residentes. Realmente muito confuso”, diz Gil.
Desde que foi descoberto, o asilo recebeu um prazo de 30 dias para regularizar suas atividades. “Para ser sincero, pensei que chegaria na casa e não encontraria ninguém, eles ainda não fugiram, mas é preciso ficar de olho”, afirma o promotor.
LEIA TAMBÉM:
MP vai visitar asilo clandestino em Jacareí nesta quarta-feira (23)
Asilo clandestino de Jacareí vai ser investigado por tráfico de pessoas
Posts Relacionados

Chuvas em setembro aumenta em 30% o serviço de tapa-buracos

HM recebe classificação A+ da Sociedade Brasileira de Ortopedia

Sete procurados pela Justiça são capturados em menos de seis horas no Vale do Paraíba
