Mulheres organizam manifestação contra Eduardo Cunha neste sábado
Violência contra a mulher, racismo e machismo são alguns dos temas do protesto


Manifestantes pedem fim do PL 5069 e ampliação da Lei Maria da Penha
Divulgação/ SindMetal SJC
Neste sábado (21), cerca de 200 mulheres se reunirão na Praça Afonso Pena para protestar contra a violência doméstica e exigir a derrubada do Projeto de Lei 5069, que restringe o aborto para vítimas de estupro. A manifestação segue uma série de outras mobilizações que vêm acontecendo pelo país.
O encontro terá início a partir das 10 horas e marcará o Dia Internacional de Não Violência contra a Mulher, comemorado oficialmente em 25 de novembro. Entre as reivindicações, está a ampliação e devida aplicação da Lei Maria da Penha.
O protesto também celebrará o Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro, com a participação de homens e mulheres contra o ajuste fiscal dos governos do PT, PMDB e PSDB, a redução da maioridade penal e o genocídio da população negra no Brasil.
Para se ter uma ideia, segundo uma pesquisa realizada pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais, o número de mulheres negras mortas cresceu 54% entre 2003 e 2013 – sendo que as mortes de mulheres brancas caiu em 10%. “Queremos resgatar a história do povo negro e combater o racismo e o mito da democracia racial. Isso é fundamental para avançarmos em nossas conquistas”, afirmou ao Meon a organizadora do ato e integrante da Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta, Janaína dos Reis.
Outras pautas como o movimento Fora Cunha, o combate ao machismo e ao racismo também farão parte do protesto.
A manifestação é organizada pelo Fórum de Lutas do Vale do Paraíba, que reúne sindicatos e movimentos sociais da região, como o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Quilombo Raça e Classe, Frente Feminista, Assembleia Nacional dos Estudantes Livres, entre outros. Representantes do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unifcado) também estarão presentes.
Racismo no trabalho
De acordo com um estudo divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas), apesar de representarem a maior parte da classe trabalhadora no Brasil, negros e negras ainda são as principais vítimas do desemprego e recebem menores salários.
O levantamento ainda aponta que os trabalhadores negros da região metropolitana de São Paulo recebem apenas 65,5% do salário que os brancos ganham.
Projeto de Lei quer restringir o aborto em casos de estupro
Criado pelo Presidente da Câmara Federal, o deputado Eduardo Cunha (PMDB), o Projeto de Lei 5069 quer obrigar as mulheres vítimas de estupro a se submeterem a um exame de corpo de delito antes de passarem pelo procedimento do aborto – que lhes é de direito até então. O PL já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e segue para votação na Câmara dos Deputados.
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