Municipalização do serviço pode ser saída para problemas de travessia

A audiência pública realizada na Câmara Municipal de Ilhabela na última terça-feira sobre a travessia da balsa foi bem diferente da primeira, que ocorreu em abril deste ano, cercada de protesto e participação pública. Ficou claro que os diversos problemas discutidos esta semana já haviam sido reivindicados, com aval popular, há cinco meses, mas nada foi atendido até agora. Esse pode ter sido um dos motivoque desestimulou a participação dos cidadãos.

Escrito por: Daniela Malara Rossi3 min de leitura
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27/4/2014 - Balsa que faz a travessia São Sebastião-Ilhabela em dia de mau tempo (Jorge Mesquita/Imprensa Livre)

Dersa anuncia cinco meses de pesquisa para apresentar plano de contingência

Jorge Mesquita/Imprensa Livre

A audiência pública realizada na Câmara Municipal de Ilhabela sobre a travessia da balsa foi bem diferente da primeira, que ocorreu em abril deste ano, cercada de protesto e participação pública. Ficou claro que os diversos problemas discutidos já haviam sido reivindicados, com aval popular, há cinco meses, mas nada foi atendido até agora. Esse pode ter sido um dos motivo que desestimulou a participação dos cidadãos.

O que se sabe é que os ventos e as condições adversas da natureza interferem diretamente no trânsito da balsa, que chegou a ficar mais de 20 horas parada no inverno do ano passado. Este ano também houve paradas por conta do mau tempo, além das filas que já duram horas. No último final de semana foram registradas cerca de cinco horas de espera.

A preocupação dos presentes foi clara em relação aos problemas que devem aumentar expressivamente com a chegada da temporada. “O serviço da Dersa encontra-se totalmente defasado, não respeitando mais a necessidade dos passageiros. Precisamos de um plano de contingência para os problemas, mas apenas as tarifas parecem ter sido atualizadas ao longo desses anos”, afirmou o vereador responsável pela audiência, Onofre Sampaio Junior.

A discussão destacou a importância de criar um novo modelo para a travessia, pois os problemas não afetam apenas os turistas que ficam horas na fila, mas principalmente a população da ilha que necessita dessa mobilidade para suas atividades cotidianas.

De acordo com o comandante da Delegacia da Capitania dos Portos de São Sebastião, o capitão de fragatas Marcelo Sá, os problemas precisam ser analisados profundamente, pois não se trata apenas de tempo e velocidade na travessia, mas sim da sobrevivência de uma cidade. “É preciso repensar toda esta estrutura, pois o cobertor é curto, se puxar de um lado, vai faltar do outro”, analisa ele.
A resposta da Dersa foi baseada em uma pesquisa será feita pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Segundo o gerente da divisão de travessias litorâneas da Dersa, Ruy Pinheiro Oliveira Junior, o estudo foi encomendado de forma a cumprir as reivindicações. “Dentro de quatro a cinco meses teremos as respostas que precisamos para buscar uma solução às necessidades apresentadas”, declarou.

Uma saída apresentada foi o aquaônibus. Em 2009, a prefeitura da cidade iniciou um projeto de transporte público hídrico para destroncar o fluxo intenso no tráfego local, mas de acordo com Harry Finger, secretário de Turismo e Fomento de Ilhabela, o transporte marítimo municipal é uma alternativa válida também para a travessia. “Estamos em vias de adquirir três embarcações com capacidade para 60 pessoas cada e acreditamos que esta seja uma opção para atender a demanda dos pedestres, já que o serviço da Dersa está uma vergonha”, afirma.

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