Papai Noel e seus presentes: é saudável que a criança acredite?
O consumismo pode fazer com que o sentido do ritual se perca


É importante que a data não seja associada apenas à troca de presentes
Pedro Ivo Prates/Meon
Todo fim de ano é assim. Os shoppings e centros comerciais ficam repletos de filas enormes para tirar uma foto com o bom velhinho. Crianças, jovens e adultos fazem pedidos esperando que o Papai Noel possa realizá-los. Mas será que em algum momento esse ritual deixa de ser saudável?
Paula Rios, psicóloga e psicopedagoga, diz que sim, quando ele passa a ser associado apenas com o consumismo. “Hoje em dia você não é presenteado por bons princípios. A criança é premiada com o que quer, simplesmente porque os pais querem que ela pare de reclamar. Essa coisa do presente grande ou do presente pequeno, do valor material, isso é dado pelo adulto. Foi ele quem consumiu isso e passou para a criança, e isso pode ser internalizado”, completa.

O Papai Noel não trouxe o que Ana pediu
Laryssa Prado/Meon
Jacqueline Moraes (38) e Antônio Viana (52), fazem todos os anos um ritual natalino com as filhas Ana Clara (8) e Alice (2). No último ano eles usaram a imaginação para driblar a crise financeira que acabou afetando a compra dos presentes. Como o bom velhinho não conseguiu trazer o que a Ana Clara queria, eles contaram para a filha que ele era surdo. “E ela ficou feliz da vida com o que havia ganhado, mas disse: ‘nossa, mãe, ano que vem eu vou ter que falar mais alto, então!’”, conta Jaqueline.
Esse ano a mãe já se assustou com o valor da boneca que a filha mais velha pediu, mas ela logo tranqüilizou Jacqueline. “Calma mãe, o Papai Noel nem vai gastar muito, porque é ele quem fabrica tudo”, disse Ana Clara.
Cadê o Papai Noel que estava aqui?
Sobre a descoberta, Paula afirma que o melhor é que a iniciativa parta da criança. “Não tem porque interromper essa magia, não há necessidade. Quando você conta, deixa de ser um processo natural. Quando a criança descobre sozinha ela não perde a magia do Natal, ela só troca de lugar, passa a ser um agente participativo da festa. É como se te interrompessem, você deixasse de viver uma fase toda. Porque até ele compreender completamente o nascimento de Jesus, ainda tem um tempo”, conta.
Eu não acredito…
E como fica a cabeça das crianças que desde cedo são ensinadas que o Papai Noel não é real? “Grandes teóricos da psicologia infantil postulam que o primeiro núcleo da sociedade em que convivemos é a família e o segundo é a escola. Como a criança ainda é muito pequena quando vai participar deste segundo núcleo, e ainda pode ser moldada de acordo com esses teóricos, como Piaget, ela acaba cedendo aos encantos do bom velhinho. O fato de as outras crianças acreditarem, mesmo que em casa ela não seja estimulada a isso, já é suficiente”, diz Paula.
Assim, é importante que os responsáveis tenham consciência de que esse imaginário é positivo no desenvolvimento da criança, e não precisa ser associado a questões religiosas ou grandes valores em dinheiro.
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