Passageiros reclamam de sistema de cartão e alta velocidade dos ônibus
Aumento do fluxo de veículos na única rodovia de acesso às cidades de Caraguá e São Sebastião traz muitos transtornos


Superlotação, retirada de cobradores e velocidade estão entre as queixas
Jorge Mesquita/Imprensa Livre
O avanço da temporada e o consequente aumento do fluxo de veículos na rodovia Rio-Santos, única que da acesso às cidades de Caraguatatuba e São Sebastião, tem trazido muitos transtornos aos usuários do transporte coletivo que precisam se deslocar entre os dois municípios.
No entanto, o trânsito intenso e o aumento do tempo de viagem não são as únicas reclamações dos passageiros, que também criticam a retirada dos cobradores e a implantação do sistema de cartões por parte da Litorânea, além da alta velocidade praticada por alguns motoristas da Ecobus.
O universitário Cleiderman Ataíde da Silva, 20 anos, faz o trajeto com os veículos da Litorânea, entre Caraguá e São Sebastião diariamente para trabalhar e conta que desde a implantação do sistema de cartões e a retirada dos cobradores, nunca mais conseguiu ter uma viagem “tranquila”.
“O cartão trava direto, o motorista precisa descer e vir na porta de trás para destravar a catraca, além disso, tem alguns mal-educados, correm muito nas curvas, dão freadas bruscas e já vi até gente cair por causa disso”.
Outro apontamento feito pelo estudante é que com a redução do valor das passagens para quem trafega até a divisa de ambas as cidades, o número de usuários aumentou e os ônibus estão sempre lotados nos horários de pico. “Como o motorista precisa parar para cobrar a passagem, a viagem demora ainda mais”, reclama.
O analista de sistemas Cleison Fernandes da Silva, 21 anos, também utiliza os ônibus da Litorânea para se deslocar todos os dias para o trabalho e relata as mesmas situações. “Há quatro dias eu estou indo pegar o ônibus direto na Rodoviária para tentar um lugar para sentar e não consigo, além disso, as linhas estão com muito atraso, uma viagem que era feita em 40 minutos hoje demora mais de uma hora”.
Cleison diz ainda que alguns motoristas apresentam desatenção, pois não param nos pontos solicitados pelos passageiros, ainda que as campainhas sejam acionadas. “Outro dia o senhor queria descer no ponto em frente ao Terrinos, deu sinal e o motorista só parou na Cigarras. Era um idoso, como ia voltar todo aquele trecho a pé?”, questiona. Ainda segundo Cleison Fernandes, os horários não estão sendo cumpridos. “Tem que ter um ônibus a cada meia hora. Teve um dia, por exemplo, que chegaram três ônibus juntos”.
A reportagem fez uso do transporte coletivo entre São Sebastião e Caraguatatuba, na última terça-feira (2), no horário das 14h30. O coletivo estava com muitos passageiros e houve transtornos com a liberação de alguns cartões no ponto da Avenida Guarda-Mór Lobo Viana, no Centro sebastianense, onde uma passageira não percebeu que seu cartão não foi liberado e passou a catraca no lugar da usuária seguinte, sendo necessário a troca de cartões entre elas para que os demais passageiros pudessem entrar no veículo.
No decorrer do trajeto, a superlotação fez com que alguns usuários -depois de muita insistência e de se alterarem com o motorista-, descessem pela porta do meio, deixando para trás o cartão, que foi passado de “mão em mão” até a catraca posicionada na porta dos fundos, para ser devolvido. A viagem foi concluída com 1h15 até o ponto de ônibus em frente ao cemitério, em Caraguatatuba.
Já a reclamação dos usuários do transporte coletivo da concessionária Ecobus, residentes na Costa Norte de São Sebastião, reclamam da superlotação nos horários de pico e da desatenção de alguns condutores em sair com o veículo enquanto há pessoas descendo, ou ainda, da falta de manutenção dos veículos que não têm as campainhas acionadas, fazendo com que muitas pessoas não desçam no ponto certo.
A dona de casa A.C. R. S., 51 anos, diz que o principal problema é o estresse que os motoristas passam com o trânsito intenso. “A gente sabe que eles têm hora para chegar, e esse trânsito atrapalha tudo. O problema é que para ganhar tempo, eles andam em alta velocidade na serrinha da Cigarras, colocando a vida de todo mundo em risco. É uma tragédia anunciada”, relata.
Outro lado
A Litorânea informou, por meio de nota, que foi feita a reprogramação nos horários de algumas linhas e a adequação ao tempo de viagem que atualmente é praticado pelos motoristas nos ônibus sem cobrador. Em relação às viagens citadas, que seriam feitas em 40 minutos, a empresa diz que a informação não procede e que as referidas viagens eram feitas de 50 a 55 minutos, e passaram para 1h, 1h10 em horários de pico.
A Litorânea informou ainda que há vendedoras de cartões localizadas estrategicamente nos pontos de maior movimento. Em relação à velocidade dos ônibus, a empresa disse que tem acompanhado os motoristas com a presença de dois instrutores para orientação de direção e procedimentos e, que após análise, não foi constatado excesso de velocidade no trecho informado.
Quanto aos atendimentos dos motoristas, a Litorânea informou que os funcionários são avaliados constantemente pela empresa e que os profissionais têm demonstrado conhecimento da nova forma de operação dessas linhas, bem como o correto procedimento de orientação ao cliente a respeito do uso do cartão.
A empresa Ecobus informou, por meio de nota, que determinou aos fiscais que façam ronda em todos os veículos para conversar pessoalmente com os motoristas sobre os problemas relacionados ao atendimento aos usuários e na forma como conduzem os ônibus.
A nota informa ainda que a empresa está investindo na contratação de novos funcionários e também na área de manutenção, sendo que os veículos estão sendo vistoriados e os que apresentam problemas técnicos estão sendo consertados. A empresa solicita ainda que o usuário que tiver alguma reclamação ou denúncia, ligue para Ecobus, no telefone 0800 77 10 507, informe o número do veículo e horário para que a empresa possa fazer apuração.
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