Pedreiro mora há mais de um ano embaixo de ponte em São José

Domingos Silva, 55 anos, vive há um ano e meio embaixo de uma ponte na avenida Mário Covas, no Jardim Colinas, às margens do córrego Vidoca em São José dos Campos. Neste período, escondeu da família, amigos e empregadores a condição de morador de rua.

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
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Domingos Silva, 55 anos, vive há um ano e meio embaixo de uma ponte na avenida Mário Covas, no Jardim Colinas, às margens do córrego Vidoca em São José dos Campos. Neste período, escondeu da família, amigos e empregadores a condição de morador de rua.

Pedreiro, Silva trabalha em canteiros de obra na cidade e foi descoberto na manhã desta quarta-feira (18), após uma denúncia anônima ao telefone 156 da prefeitura. Por volta das 11h, equipes da Guarda Municipal e da Secretaria de Desenvolvimento Social foram até a ponte, recolheram seus pertences e o encaminharam ao Creas (Centro de Referência Especializada de Assistência Social).

Foi preciso um caminhão para retirar tudo que Silva mantinha em sua casa improvisada, como colchões, mesas, cadeiras, roupas, cobertores, louças, entre outros objetos pessoais. A parede da ponte servia de suporte para seus quadros e espelho e uma bica de água improvisada, de chuveiro.

“Saí do Piauí procurando trabalho. Como tinha morado aqui em São José antes por mais de dez anos, decidi voltar. Tinha acabado de me separar da minha mulher. Aqui cheguei a morar em casa de amigos, mas não acho certo ser peso para os outros. Então como não consegui um lugar para ficar, aceitei o convite de uma pessoa que já morava aqui embaixo da ponte e vim para cá”, conta o pedreiro.

“Aqui em São José tem quartos para alugar, mas os que eu posso pagar, os mais baratos, são cheios de usuários de drogas. Sou um trabalhador, não posso conviver num lugar desses”.

Histórias
Enquanto aguarda a triagem social no Creas, o pedreiro piauiense nos conta sua história. Diz que trabalhou na construção de grandes casas em condomínios de luxo em São José. “Também ajudei a construir, da outra vez que vivi aqui, o novo Sesc São José. Tem muitas obras que trabalhei”.

Segundo o morador de rua, com o trabalho diário de pedreiro para construtoras, já chegou a receber mais de R$ 2.000 em um mês. “Mandei parte para ajudar a minha família no Nordeste e guardei o resto para eu ir levando a vida aqui. Tem mês que ganho bem, tem mês que não”, revela Silva.

Quando questionado sobre sua família, afirma que tem dois filhos que vivem em São José dos Campos. Uma menina de 21 anos, que é casada, e um rapaz de 20 anos. Ambos moram em casas na região sul da cidade e nem desconfiam da situação do pai.

“Sempre vejo meus filhos, mas nunca disse nada para eles. Quando me perguntam onde é minha casa, digo que moro na Vila Ema, que estou vivendo bem. Não posso morar com eles. Meus filhos têm a vida deles, não posso atrapalhar. Sou trabalhador, tenho que conseguir sair dessa situação pelo meu esforço”, detalha.

O pedreiro conta ainda que tem um único objetivo na cidade. “Vim para São José também para tentar me aposentar. Se conseguir um emprego de pedreiro com carteira assinada, vou poder cumprir mais um tempo de INSS e arrumar o benefício. Depois que me aposentar, volto para o Piauí, onde pretendo viver o resto da minha vida”.

Incertezas
Domingos Silva não sabe o que vai fazer agora que foi descoberto. De quarta para quinta-feira (19), recebeu uma proposta para dormir no albergue municipal, com banho, comida e uma cama para pensar melhor no que vem pela frente. “Não vou ficar no albergue, mas também não sei o que fazer. Tinha outra pessoa morando comigo ali na ponte, tenho que contar para ele o que aconteceu, no mais, nem sei o que pensar”, diz.

O outro homem que vivia embaixo da ponte no Jardim Colinas não estava no local na hora da ação da Guarda, mas segundo a assistente social que acompanhava Domingos, a pessoa deve ser procurada nos próximos dias.

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