Pessoas invisíveis: elas veem mas nem sempre são vistas

Eles estão camuflados no cenário urbano. Alguns frequentam os mesmos lugares há anos. Vários chegaram de muito longe, outros cresceram por aqui. São pipoqueiros, vendedores ambulantes, negociantes ou catadores de papelão. Andam pelas ruas das cidades sem serem notados, exceto quando procurados. Diferentemente dos outras pessoas, eles são capazes de ver o mundo do ponto de vista de quem está fora.

Escrito por: Meon Redação2 min de leitura
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Você passa e nem repara. Eles estão camuflados no cenário urbano. Alguns frequentam os mesmos lugares há anos. Vários chegaram de longe, outros cresceram por aqui. São pipoqueiros, vendedores ambulantes, negociantes ou catadores de papelão. Andam pelas ruas das cidades sem serem notados, exceto quando procurados.

Todos possuem muitas histórias para contar. Seu Gilberto Marinho, que dos 50 anos de vida, vive há 30 em São José dos Campos. Carioca do Rio de Janeiro, ele faz trabalhos manuais com latinhas doadas por terceiros. Os objetos, vão de carrinhos a utensílios de cozinha em miniatura, pintados a mão, assim como o carrinho que usa para expor seus produtos, que a cada dois meses ganha uma pintura diferente. “Eu aprendi a fazer tudo isso sozinho, mas também já ensinei muita gente”, explica, enquanto mostra uma pequena panela de pressão feita de alumínio. “Eu ensino quem quiser, é só trazer a cola”.

Na mesma rua, Seu José, que hoje tem 80 anos, recolhe papelão. Ele diz fazer esse trabalho há 27 anos. Mineiro de Santa Rita do Sapucaí chegou primeiro a Campos do Jordão, morou em Taubaté até se mudar para São José dos Campos, em 1979. Desde 1987 trabalha com coleta de papelão. “Existem os pontos certos. Há dias em que consigo muita coisa, há dias que vou embora sem nada. Mas é assim com tudo na vida”.

São José dos Campos também guarda outras histórias, como a de Lindolfo Cunha Neto, que ganha a vida vendendo bolinhas de sabão. Ou José Aparecido Oliveira, de 47, que diz “adorar criar e inventar coisas novas”, a exemplo de suas três bicicletas que usa para fazer propaganda de empresas que o contratam. “Eu estou trabalhando em mais uma, e ela vai ser muito melhor do que as outras”.

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