Polícia investiga morte por negligência na Santa Casa de Pinda
Paciente com traumatismo craniano foi atendido após 10 horas de espera


Paciente desacordado foi diagnosticado após 13 horas de espera
Jornal Atos
A Polícia Civil de Pindamonhangaba está investigando o caso da morte de um homem de 37 anos no pronto-socorro da Santa Casa, após negligência médica durante o atendimento de emergência, na manhã do dia 17 de maio. A família acusa uma demora de mais de 10 horas para o atendimento, realização de uma tomografia e definição do diagnóstico grave da vítima.
Segundo o delegado Vicente Lagioto, responsável pela investigação, a viúva da vítima, que registrou o boletim de ocorrência contra a Santa Casa de Misericórdia, informou que o seu esposo teria sofrido uma queda de bicicleta, na avenida Francisco Lessa Júnior, no bairro Chácara da Galega, no período da manhã do dia 17. Ele teria sido socorrido pelo resgate e encaminhado para o pronto-socorro desacordado.
A mulher afirmou no depoimento que a vítima chegou ao hospital por volta das 10h, mas somente às 14h um médico plantonista avisou aos familiares que ele estaria repousando e logo seria liberado. Entretanto, a viúva diz que o atendimento ao seu marido, ainda inconsciente, aconteceu somente após as 18h, quando ela ameaçou chamar a polícia.
“Às 14h uma pessoa que se identificou como médico plantonista informou que o paciente estava descansando e estaria de alta. Por volta das 18h30, após ameaçar chamar a polícia, uma enfermeira teria colocado um equipamento que viu que os sinais vitais da vítima estariam baixos. Às 19h, com a chegada de novo médico, este constatou que o quadro era grave, sendo que o paciente poderia estar em coma”, relatou o delegado Vicente Lagioto em sua página nas redes sociais.
Após nove horas de espera por atendimento e constatado o grave estado de saúde, o homem ainda teve que aguardar mais 6 horas para ser levado a uma sala de tomografia. No exame realizado à 1h do dia seguinte ao acidente (18 de maio), foi confirmado o traumatismo craniano com coágulo encefálico, sendo transferido diretamente para a sala de cirurgia. O homem ficou internado mais de duas semanas, até que no dia 3 de junho a vítima não resistiu a recuperação pós-cirúrgica e faleceu na Santa Casa.
O delegado do caso afirma que a investigação deve esclarecer a razão pela qual a equipe médica demorou mais de 10 horas para realizar um atendimento básico ao paciente. “Baseado na informação das testemunhas, temos que concluir o que aconteceu dentro da área médica já que um paciente grave, que entrou às 10h, somente foi diagnosticado no dia seguinte”, explica Vicente Lagioto.
A Polícia Civil deve ouvir ainda nesta semana testemunhas que presenciaram o atendimento ao paciente falecido, além de ouvir o depoimento de médicos e enfermeiros que trabalhavam no dia 17 de maio. A investigação também vai requisitar a documentação médica do atendimento à vítima.
Santa Casa
A administração do hospital foi procurada pelo Meon, afirmou o conhecimento sobre o caso, mas não se manifestou oficialmente até a publicação dessa reportagem.
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