Por mais verbas do SUS, Santas Casas da RMVale fazem paralisação

Nesta quinta-feira (25), 22 Santas Casas e outros hospitais filantrópicos de 17 cidades da RMVale vão paralisar os atendimentos em adesão ao protesto nacional do setor contra a desvalorização do SUS (Sistema Único de Saúde). No Brasil inteiro, mais de 2.100 instituições participam do protesto. Apenas os casos de emergência vão ser atendidos.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Santa Casa de Pinda é um dos 22 hospitais filantrópicos da região

Divulgação

Nesta quinta-feira (25), 22 Santas Casas e outros hospitais filantrópicos de 17 cidades da RMVale vão paralisar os atendimentos em adesão ao protesto nacional do setor contra a desvalorização do SUS (Sistema Único de Saúde). No Brasil inteiro, mais de 2.100 instituições participam do protesto. Apenas os casos de emergência vão ser atendidos.

De acordo com a diretora regional do Fehosp (Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo) e coordenadora do Hospital Próvisão, Meire Ghilarducci, o objetivo é alertar a sociedade para as condições financeiras das unidades de saúde filantrópicas do Brasil. De acordo com a coordenadora, as dívidas dessas instituições no Brasil já ultrapassam os R$ 15 bilhões. Só em São Paulo a quantia soma R$ 7,4 bilhões.

“O problema está no pagamento que as instituições recebem do governo federal. Para se ter uma ideia, o valor ideal para uma consulta com especialista deveria ser de R$ 53, mas o SUS nos paga R$ 10,58. Cabe a cada prefeitura complementar com o que pode. São José dos Campos, por exemplo, paga R$ 14,42, somando-se R$ 25. Nem metade do ideal”, afirma.

A defasagem no financiamento de procedimentos médicos por parte do SUS é uma realidade que pode afetar grande parte da população que utiliza os serviços. De acordo com Meire, no país, 58% dos atendimentos são realizados em unidades filantrópicas.

Luto
Com nome de “Dia Nacional de Luto pela Crise das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos”, o ato vai ser marcado também pelo luto dos funcionários das instituições, que vão vestir trajes pretos durante o expediente.

O Primeiro Secretário da Mesa Provedora da Santa Casa de São José dos Campos, Benjamim Bueno, afirma que entre as reivindicações do grupo está a ampliação do valor pago para as ações de média complexidade e a criação de financiamentos especiais para as unidades que oferecem tratamento filantrópico.

“Já formulamos um documento enviado para a presidente Dilma Rousseff (PT) que também inclui a ampliação do Prosus para solução de dívidas com o sistema financeiro, como já aconteceu com os programas de incentivo para a agricultura”, afirma.

Na região, São José dos Campos, Cunha, Lorena, Cruzeiro, Aparecida, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Taubaté, Tremembé, Cachoeira Paulista, Caçapava, Jacareí, Caraguá, Ubatuba, São Sebastião, Ilhabela e Igaratá vão ter seus serviços alterados.

As consultas já agendadas foram remarcadas e até adiantadas com os pacientes e, de acordo com os organizadores do evento, não vão atrapalhar quem já tinha horário marcado. Em São José, além da Santa Casa, os hospitais Pio 12, Antoninho da Rocha Marmo, Próvisão de Gaac (Grupo de Apoio à Criança com Câncer), fazem parte do grupo dos filantrópicos.

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