Por onde anda a doutora Flávia?

Desde que a médica Flávia Skipka pediu demissão do posto de saúde do Alto de São Pedro, em Taubaté, não param de chegar requisições e reclamações de moradores questionando a saída da doutora. Talvez nunca na história da prefeitura a demissão de um funcionário público tenha causado tanta repercussão na cidade.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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Dra. Flávia Skipka Salgado, a mais querida de Taubaté

A médica Flávia Skipka Salgado, uma das mais querida de Taubaté

Reprodução/Instagram

Desde que a médica Flávia Skipka pediu demissão do posto de saúde do Alto de São Pedro, em Taubaté, não param as reclamações de moradores questionando a saída da doutora. Talvez nunca na história da prefeitura a demissão de um funcionário público tenha causado tanta repercussão na cidade.

O assunto foi tema de discussão em sessão na Câmara e até um requerimento questionando o porquê de Flávia ter se desligado da unidade de saúde foi parar no gabinete do prefeito Ortiz Junior (PSDB). Afinal, quem é essa médica que conquistou os pacientes?

“A Flávia é muito atenciosa com os pacientes. Se uma pessoa a parasse no corredor do posto para conversar, batia um papo ali mesmo. Toda vez que acabava os atendimentos do dia, ela ia para a recepção conversar com a comunidade. Realmente é uma jovem médica muito especial”, conta a enfermeira Andréia Pinheiro, 34 anos, coordenadora do Pamo (Posto de Atendimento Médico-Odontológico) Alto de São Pedro.

Flávia Skipka Salgado, tem 25 anos, é solteira e quando não está encantando seus pacientes, costuma andar de skate, ir à praia e sair com as amigas. A jovem médica nasceu em São Paulo, mas foi criada em Taubaté. Aos 17 anos passou no vestibular para medicina e foi estudar no Rio de Janeiro. De volta ao Vale do Paraíba, conseguiu seu primeiro emprego, depois de formada, no Pamo.

A médica atendeu apenas um ano no posto, o suficiente para ter o carinho dos pacientes. “No dia da sua despedida, uma paciente fez um bolo para ela e até hoje, todo dia, tem pessoas perguntando: cadê a Flávia? Uma senhorinha sempre se emociona quando fala dela. O povo reclama e quer que ela volte”, conclui Andréia.

Cadê a Flávia?
Na cidade, principalmente na comunidade do bairro Alto de São Pedro, ficou a pergunta: se a doutora Flávia era tão querida pelo pacientes, por que pediu demissão?

“Eu nem imaginava que estavam sentindo tanto minha falta, fiquei muito emocionada. Saí do postinho para cursar uma especialização em Medicina do Trabalho na USP. Não tive nenhum problema, só que não podemos parar. Mesmo gostando muito dali, precisava continuar crescendo na carreira”, conta Flávia, que está morando em São Paulo desde o final de março, quando deixou o Pamo.

Filha de uma pediatra com um cirurgião oncológico, Flávia diz que escolheu a Medicina por admirar o trabalho dos pais e para cuidar das pessoas. Questionada sobre o retorno ao serviço público, avalia. “Existe um grande problema na área pública que é a falta de valorização financeira do médico. Mas ao mesmo tempo, tem uma grande vantagem, que é o valor que a população dá ao seu trabalho. E eu prezo muito isso, o valor humano. Quero voltar assim que puder”.

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