Prefeitura de Ilhabela questiona ‘bandeiras vermelhas’ da Cetesb
Tenório considera grande o período entre a coleta das amostras e a divulgação do resultado da análise


Bandeira vermelha da Cetesb
Arquivo Pessoal
O prefeito Márcio Tenório (MDB) decidiu colocar em xeque as ‘bandeiras vermelhas’ colocadas pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) em praias de Ilhabela. Relatório divulgado pelo órgão ambiental nesta segunda-feira (24) aponta que dez das 19 praias analisadas no arquipélago estão poluídas.
De acordo com o relatório, estão impróprias para banho as praias de Armação, Sino, Itaguaçu, Ilha das Cabras, Feiticeira, Veloso, Pinto, Saco da Capela, Itaquanduba e Perequê. As amostras analisadas foram coletadas entre os dias 18 de novembro e 16 de dezembro.
Tenório considera grande o período entre a coleta das amostras e a divulgação do resultado da análise, o que colocaria em dúvida a ‘bandeira vermelha’.
“Será que uma semana ou 15 dias depois da coleta, quando a Cetesb finca a bandeira vermelha na praia, ela ainda está poluida? É nesse sentido que nosso governo questiona a Cetesb”, disse o prefeito.
Segundo ele, as praias de Ilhabela sofrem com as águas difusas e que o ideal, para maior confiabilidade, seriam análises com resultados instantâneos. As águas difusas são águas de chuva que descem encostas e morros, levando dejetos de animais e de fossas sépticas, para o mar e rios.
Ele cita como exemplo a praia da Armação, considerada imprópria para banho pela Cetesb apesar de o bairro contar com estação de tratamento de esgoto. “E por que tem bandeira vermelha na Armação? Por conta das águas difusas”, disse Tenório
O prefeito disse que pretende buscar uma alternativa paralela para monitorar a qualidade das águas das principais praias de Ilhabela. “Estamos contratando um programa para fazer uma análise própria, pra gente saber como está a balneabilidade das praias no dia da coleta.”
Outro lado
Por meio de nota, a Cetesb informou que o monitoramento segue critérios estabelecidos pela Resolução do Conama nº 274/2000, vigente desde janeiro de 2001 para todo o Brasil. O órgão explica que as classificação da qualidade das águas são determinadas por amostras obtidas em análises feitas por cinco semanas consecutivas, e que utiliza três indicadores microbiológicos de poluição fecal. A utilização dos cinco resultados leva em consideração variabilidade dos dados microbiológicos, representando a tendência de qualidade da praia.
Veja a nota na íntegra:
“Sobre a metodologia utilizada pela CETESB no Programa de Balneabilidade da Praias Paulistas, informamos que: A CETESB realiza o monitoramento das parias de acordo com os critérios estabelecidos na Resolução do Conama nº 274/2000 vigente desde janeiro de 2001 para todo o Brasil. Nessa Resolução as praias são classificadas em relação à balneabilidade, em 2 categorias: Própria e Imprópria. Essa classificação deve ser feita utilizando-se as densidades de bactérias fecais presentes na água do mar, obtidas nas análises das amostras de cinco semanas consecutivas. Para tanto essa legislação prevê o uso de três indicadores microbiológicos de poluição fecal: coliformes termotolerantes (antigamente chamados de coliformes fecais), E. coli e enterococos.
O indicador adotado pela CETESB para águas marinhas é o grupo dos enterococos. Se sua densidade for superior a 100 UFC/100 mL, em duas ou mais amostras de um conjunto de cinco semanas, ou apresentar valor superior a 400 UFC/100 mL na última amostragem fica caracterizada a impropriedade da praia para recreação de contato primário. A utilização dos cinco últimos resultados leva em consideração a grande variabilidade dos dados microbiológicos, representando a tendência de qualidade da praia. Sua classificação, como Imprópria, indica, portanto, um comprometimento na qualidade sanitária das águas, implicando em um aumento no risco à saúde do banhista e tornando desaconselhável a sua utilização para o banho. A classificação é atualizada todas as semanas. Dessa forma, as amostras de água do mar são coletadas semanalmente e encaminhadas para os laboratórios para as análises microbiológicas. Elas são incubadas em placas com meio de cultura para o crescimento das bactérias, o que leva 24hs. Só depois desse período é feita a contagem do número de colônias dessas bactérias indicadoras de contaminação fecal.”
Posts Relacionados

Via Dutra terá obras de recuperação do pavimento até 22 de outubro

Prazo de inscrições para o Vestibular Unesp 2027 chega aos últimos dias

Jovem de 16 anos que estava desaparecido é achado morto a tiros no Litoral e Vale
