Casal dono de brechó de luxo é solto de cadeia de Caçapava
Soltura acontece após habeas corpus

Os empresários Francine da Costa Prado e Filipe Prado dos Santos, proprietários do brechó de luxo Desapego Legal, foram colocados em liberdade após a concessão de um habeas corpus. A informação foi confirmada nesta terça-feira (3) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo.
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O casal estava preso desde o dia 29 de janeiro, na cadeia pública de Caçapava, após ter sido detido em São José dos Campos. A decisão que determinou a soltura foi tomada na segunda-feira (2), por meio de alvará de soltura. Eles são investigados por não repassar valores a fornecedores, com uma dívida estimada em quase R$ 20 milhões.
Segundo a SSP, não há informações sobre o horário exato em que Francine e Filipe deixaram a unidade prisional.
A decisão é assinada pelo desembargador Sebastião Ribeiro Martins, do Tribunal de Justiça do Piauí. No entendimento do magistrado, a prisão temporária deixou de ser necessária, uma vez que as principais medidas para o avanço das investigações já haviam sido cumpridas.
Entre essas medidas estão buscas e apreensões de celulares, computadores e documentos, além do bloqueio de valores. Para o desembargador, “não se evidencia, neste momento processual, a imprescindibilidade da continuidade da prisão temporária para o avanço das investigações”.
A ordem de soltura também beneficiou Ana Cristina Barbosa da Silva, madrasta de Francine, que trabalha com o casal e também era alvo da investigação.
Prisão e investigação
Francine e Filipe foram presos no bairro Urbanova, área nobre de São José dos Campos. Durante a operação policial, um veículo foi apreendido. No dia seguinte, o casal passou por audiência de custódia, e a Justiça decidiu manter a prisão por não identificar irregularidades no cumprimento dos mandados.
Na ocasião, a defesa afirmou que os empresários sempre atenderam às convocações judiciais e que adotaria as medidas processuais cabíveis.
Fundado em 2018, o brechó de luxo Desapego Legal chegou a declarar receitas milionárias ao longo dos anos. O cenário começou a mudar quando clientes de diferentes estados passaram a relatar a interrupção dos repasses financeiros referentes às vendas das peças.
As denúncias resultaram na abertura de investigação policial, no pedido de recuperação judicial da empresa — com dívida estimada em R$ 20 milhões — e, em janeiro de 2026, na prisão dos donos do negócio.
O caso já soma quase 100 ações judiciais e boletins de ocorrência registrados em diversos estados. Em 2025, o episódio ganhou repercussão nacional após reportagem exibida no programa Fantástico, quando o prejuízo estimado era de cerca de R$ 5 milhões.
Em julho do mesmo ano, a defesa ingressou com pedido de recuperação judicial, aceito pela Justiça, envolvendo aproximadamente 900 credores.
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