Seca no Jaguari revela ruínas de igreja centenária em Igaratá

O agravamento da seca na represa do Jaguari revelou, no final do mês de outubro, a estrutura de uma antiga igreja centenária de Igaratá que ficou debaixo d’água por mais de 40 anos e tem atraído visitantes para a região.

Escrito por: Elaine Rodrigues2 min de leitura
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O agravamento da seca na represa do Jaguari revelou, no final do mês de outubro, a estrutura de uma antiga igreja centenária de Igaratá que ficou debaixo d’água por mais de 40 anos e tem atraído visitantes para a região.

“Estou emocionado de ver esses tijolos, os detalhes, o piso. A história da minha família passou por aqui. Eu não conheci nada disso, já nasci na cidade nova, no alto das montanhas. Sei que daqui de baixo, onde fica a represa hoje, até lá em cima onde se ergueu a nova Igaratá, muitas pessoas levaram tudo que tinham em carros de boi, carroças e cavalos, com muito sofrimento”, conta o jornalista Carlos Alexandre da Silva, 35 anos.

História
Igaratá foi no passado uma pequena vila no meio das montanhas, entre as cidades de Santa Isabel e Jacareí. No alto da avenida principal da antiga vila, uma igreja construída de pau a pique por escravos, era o centro da vida social daquela comunidade.

“Conheci meu marido na porta da escola, mas foi ali naquela praça em frente a igreja que começamos nossa história. Casamos naquela igreja, batizamos nossos cinco filhos e ali aconteciam todas as festas. Era nosso lugar de encontrar os amigos. Que tempo bom”, lembra uma das moradoras mais antigas de Igaratá, a comerciante Geralda de Souza Moraes, 80 anos.

No início década de 1970 a população deixou a vila para a construção da represa do Jaguari. A nova cidade de Igaratá foi erguida em 1969 em um ponto alto às margens do reservatório.

Igreja
A seca no Jaguari revelou apenas a fundação da Igreja Nossa Senhora do Patrocínio, que estava cerca de 30 metros abaixo da superfície da água. Como foi feita de barro e madeira e todos os móveis e telhas foram retirados antes da inundação, restaram os tijolos das colunas e partes do madeiramento do telhado. Cavando no barro ainda úmido do fundo da represa, é possível ver o piso intacto, como foi feito há mais de 150 anos.

“Muitas pessoas estão indo lá pegar tijolos para guardar de recordação. Eu já tenho o meu. É como se um pedaço do passado tivesse voltado para nos dar saudade”, brinca Geralda.

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