Dez mil trabalhadores paralisam produção por 24 horas na Embraer

Cerca de sete mil trabalhadores dos setores de produção e administrativo da Embraer, de São José dos Campos, fizeram uma nova assembleia sobre o reajuste salarial e decidiram entrar em greve por 24 horas, na manhã desta terça-feira (21). A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade.

Escrito por: Rodrigo Ribeiro3 min de leitura
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Trabalhadores rejeitaram proposta da empresa de 6,6% de reajuste salarial

Tanda Melo/SindMetal/SJC

Após duas assembleias realizadas nesta terça-feira (21) com os setores de produção e administrativo da Embraer, cerca de 10 mil trabalhadores decidiram deflagrar uma greve de 24 horas e paralisar a produção na planta de São José dos Campos. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, uma nova assembleia deve acontecer nesta quarta-feira (22), às 5h30, para decidir se a mobilização será ou não mantida.

No último dia 24, a categoria já havia rejeitado a oferta de 5,35% de reajuste salarial. O sindicato pede 6,35% de inflação pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e 3,43% de aumento real.

Em seguida, a empresa apresentou uma proposta de reajuste salarial de 6,6%, que também foi rejeitada pela categoria em assembleia realizada no dia oito de outubro.

Segundo o sindicato, embora a data-base da categoria seja 1º de setembro, a Embraer e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que estão à frente do grupo patronal do setor aeronáutico, travaram as negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.

A paralisação desta terça-feira (21), acontece um dia antes do pagamento da primeira parcela da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) 2014 pela Embraer. Ainda segundo o sindicato, apesar de ser a maior empregadora metalúrgica da região e passar por um momento de vendas em alta, a empresa vai pagar uma das PLRs mais baixas da categoria.

Cada trabalhador vai receber um fixo de R$ 912,31 mais 12,44% sobre o salário. Um funcionário que recebe R$ 3 mil, por exemplo, terá uma PLR de R$ 1.285,51. “O anúncio de PLR pela empresa também motivou essa greve, os valores foram baixos e não agradou ninguém”, disse um funcionário da Embraer que não quis se identificar.

“A recusa em pagar uma PLR maior e 10% de reajuste salarial vai contra a realidade da empresa, que tem plenas condições de atender as reivindicações da categoria. Em fábricas muito menores e condições bem menos favoráveis do que a Embraer, os metalúrgicos conquistaram PLRs superiores e reajustes de até 11%. Não podemos admitir que a direção da empresa continue com essa política de desvalorização dos trabalhadores. Por isso, hoje é dia de greve”, afirma o vice-presidente do Sindicato, Herbert Claros da Silva.

Procurada pelo Meon,  até o fechamento desta reportagem, a Embraer ainda não havia se manisfestado sobre a greve.

KC-390
Nesta terça-feira (21), a Embraer apresentou na sua unidade em Gavião Peixoto (SP), o primeiro protótipo do jato de transporte militar KC-390. Em maio deste ano, a empresa e o Comando da Aeronáutica assinaram o contrato no valor de R$ 7,2 bilhões, para a produção seriada do KC-390, que prevê a aquisição de 28 aeronaves ao longo de um período de dez anos, com a primeira entrega programada para o final de 2016.

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