Símbolo do Golpe Militar volta a compor cenário de Jacareí

Vereadores de oposição veem mudança como um ‘ato antidemocrático’

Escrito por: Marcus Alvarenga3 min de leitura
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Busto do ex-presidente e general do exército militar, Castelo Branco, em frente a prefeitura de Jacareí (Pedro Ivo Prates / Meon)

General Castelo Branco foi um dos articuladores do Golpe Militar

Pedro Ivo Prates / Meon

A volta do busto em homenagem ao General Humberto Alencar Castelo Branco, um dos articuladores do Golpe Militar no Brasil, ao prédio da Prefeitura de Jacareí causou polêmica entre vereadores e parte da população.

A imagem colocada em 1969, durante a Ditadura Militar, havia sido retirada da fachada do prédio em 2014, durante a lembrança dos 50 anos do Golpe. À época, a ação foi autorizada pelo ex-prefeito Hamilton Mota. No mesmo ano, os vereadores aprovaram a mudança do nome do espaço público para “Paço da Cidadania”.

Para aqueles que desaprovam a homenagem a um dos principais nomes e articuladores da ditadura, a volta do busto representa um retrocesso e o desrespeito a democracia.

“Eu como advogado conto a história prestigiando aqueles que ajudaram a democracia, o direito a imprensa livre a liberdade de expressão. Que ajudaram a construir a democracia. Quando trazemos um busto de um presidente que mandava torturar pessoas, instaurou um regime ditatorial e não respeitava a liberdade artística e de imprensa é lamentável”, explica o vereador Luís Flávio (PT).

No entanto, o vereador de oposição não vê uma relação entre a homenagem e a atual gestão, apenas uma ação sem previsão dos impactos negativos.

“Eu vejo como um ato simbólico que vai colidir frontalmente com os princípios democráticos. Não houve debate com os vereadores e população sobre essa mudança. Eu acho que foi um ato que não foi observado o reflexo que poderia cair sobre o conceito principal da administração pública”, comenta o vereador do PT.

Prefeitura

O prefeito Izaias Santana (PSDB) foi procurado para se manifestar sobre o caso, mas não pode anteder a reportagem do Meon e enviou uma nota oficial retratanto que os atuais políticos não devem “rever a história”.

“A decisão foi tomada pelo prefeito e tem como fundamento de sua convicção de não ser legítimo aos atuais agentes políticos rever a história. O homenageado foi presidente da República legitimado pelos brasileiros de sua época e tendo contribuído decisivamente para a construção da sede administrativa, é legítima a homenagem que lhe fora prestado”, relata nota enviada pela assessoria da Prefeitura de Jacareí.

Golpe Militar

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