Tartaruga encalha na praia do Pinto e é resgatada por banhistas
Redes de pesca ou ingestão de lixo são as possíveis causas do acidente


Banhistas resgatam tartaruga-verde e
esperam ajuda durante horas
Divulgação
Uma tartaruga-verde, de aproximadamente seis anos, foi resgatada por banhistas que estavam na praia do Pinto, região norte do arquipélago. O animal estava muito fraco e, de acordo com o Projeto Tamar, deve ter sido vítima de redes de pesca ou ingestão de lixo, problemas que mais ameaçam a espécie no Litoral Norte.
José Henrique Becker, biólogo que recebeu a tartaruga no centro de recuperação do Tamar, em Ubatuba, conta que o estado do animal é crítico, pois não come nada há meses e não é possível afirmar se vai sobreviver. “Quando os animais enroscam em redes de pesca e ficam muito tempo presos pode haver lesões neurológicas que comprometem funções básicas, como a alimentação. Já a ingestão de resíduos pode gerar infecções ou entupir o trato intestinal”, diz.
Como o animal está doente há muito tempo, não é possível definir a causa exata do problema. “Quando o pescador identifica uma tartaruga presa, geralmente ela é solta ao mar sem sinais de lesão, mas com o passar do tempo o estado pode piorar e a morte vir a ocorrer meses depois”, explica Becker. Hoje, a tartaruga está sob cuidados da equipe de veterinários que está fazendo uma reidratação e preparando o animal para iniciar a ingestão de alimentos.
De acordo com o casal que resgatou a tartaruga, eles tentaram acionar diversos órgãos públicos, mas o resgate demorou muito tempo e a lentidão contribuiu para piora do quadro do animal. Após algumas horas, a Secretaria do Meio Ambiente disponibilizou um carro que levou o animal até Caraguatatuba, onde foi recolhido pela equipe do Tamar.
Recomendações
O biólogo alerta para os cuidados que devem ser tomados em caso de encalhe de tartarugas. “No verão as praias ficam mais cheias, mas quem se deparar com casos assim, pode acionar a Polícia Militar Ambiental, que vai dar continuidade ao processo de resgate. O ideal é tirar o animal do mar e colocar na sombra enquanto a ajuda não chegar. Também pode-se colocar um pano úmido para aumentar seu conforto do animal”.
Becker recomenda não manipular as tartarugas com as mãos, pois podem estar doentes e contaminar as pessoas, especialmente crianças. “O ideal é mexer no animal apenas para tirá-lo da água. Elas podem agüentar por horas longe do mar e esta atitude evita agravar o estado do animal ou, até mesmo, espalhar doenças”, afirma.
Outros casos
Cerca de 14 tartarugas marinhas foram encontradas mortas nas praias de Ilhabela em um único final de semana, em outubro. Os animais, também da espécie tartaruga-verde, foram achados por profissionais que trabalham na limpeza das praias e ficaram assustados com a quantidade de animais mortos. Especialistas informaram, na época, que as redes de pesca e o lixo lançado ao mar também foram as causas desta mortalidade.
Na cidade de Ubatuba, onde o Tamar atua desde 1991, foram registradas com apoio de pescadores colaboradores, mais de 10.500 capturas de tartarugas em diversos tipos de redes de pesca e até mesmo um número de 13 capturas numa única rede, num único dia.
Posts Relacionados

Via Dutra terá obras de recuperação do pavimento até 22 de outubro

Prazo de inscrições para o Vestibular Unesp 2027 chega aos últimos dias

Jovem de 16 anos que estava desaparecido é achado morto a tiros no Litoral e Vale
